Fazer caras como estar no topo

Todos os caras adoram quando você assume o controle na cama, por isso não se acanhe. Basta ler esse artigo e aproveite! Imagine a posição perfeita: Seria confortável, fazer você se sentir sedutora e sensual e todos, mas garantir um clímax de abalar a terra. Soa como ficção científica sexual? Na verdade, é […] As ações da Apple estão caras? Esta foi uma das perguntas que mais ouvi no mês de junho de 2020. Como vocês já devem saber, sou um grande fã da Maçã e usuário de quase todos os seus produtos. Gosto da qualidade e da durabilidade de seus produtos. No entanto, as ações da Apple estão um pouco caras na minha opinião. SIC Caras Jennifer Lopez pondera barriga de aluguer para voltar a ser mãe: 'Parir é dor, criar é amor' Rebel Wilson faz revelação e Mariama Barbosa diz: 'Ela fez isso porque quis, vendeu a alma' Se você não sabe como fazer uma mulher rir quando está falando com ela, está perdendo uma grande oportunidade de criar atração com ela. É impressionante a quantidade de caras quando eles estão conversando com uma mulher que não usa humor, seja porque eles não sabem como fazer as mulheres rirem ou erroneamente pensam que ser sério é o caminho a percorrer. Se você está tendo problemas com o Fall Guys não inicia no seu computador, então isso é provavelmente causado por uma falha de software que pode ser corrigida pela reinicialização. Também existe a possibilidade de que isso seja causado por um arquivo de jogo corrompido ou ausente. Fall Guys é um dos jogos populares que […] A Flórida é uma ótima escolha para quem quer fazer seus estudos universitários. Existem instituições de altíssima qualidade que custam muito menos do que outras universidades do país. A Flórida também possui uma seleção diversificada de universidades estaduais, públicas e privadas que oferecem diplomas em áreas como aviação, direito, negócios, jornalismo, ciências em geral ... Como desfocar caras em vídeos com EaseUS Video Editor. Passo 1. Importar vídeo/foto e mosaico. Importe seu vídeo ou imagem que você preparou. Passe o mouse sobre o arquivo importado e clique no botão '+' para adicioná-lo à linha do tempo do EaseUS Video Editor.

U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

2020.09.20 14:53 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

Olá amigos. No post anterior introduzi levemente o espírito desta série, e este é o primeiro capítulo "a sério" da série. Este capítulo versa sobre o processo de preparação para a mudança e o "primeiro embate" da chegada ao novo país; que assuntos tive que tratar imediatamente antes de me mudar, assim como assim que cheguei. Como tenho dito, esta experiência é pessoal, e é importante que entendam que não se aplicará certamente a todos. Riam-se, chorem, e deixem os vossos pensamentos na caixinha em baixo.
Ao longo do texto vão ver uns números entre parênteses rectos ([XXXX]). Isto são referências que estão por extenso perto do fim do post, na secção apropriadamente denominada "Referências".

Take-Aways Principais

Eu gosto de ter uns bullet points com as ideias principais que se devem reter de cada capítulo, uma espécie de "se não leres mais nada, lê isto" do capítulo. Os deste capítulo rezam assim:
Os detalhes estão no texto por aí abaixo.

A odisseia do trabalho científico em Portugal

Já alguma vez tiveram aquele sonho em que querem gritar e não conseguem? Aquela sensação quase infantil de impotência, do pavor da inacção e do pasmo em relação ao que quer que seja que se está a desenrolar à nossa frente? Ou aquele em que querem esmurrar alguém mas não acontece nada? A sensação de impotência é, pessoalmente, das piores que podemos ter; a de querermos fazer alguma coisa, acharmos que sabemos o que fazer e não conseguirmos.
Trabalhar no tecido académico e de micro-empresas português (vulgo technology transfer) é um bocadinho assim. Por mais que um gajo se esforce, é muito difícil escapar à subsidio-dependência, à chico-espertice, à mediocridade, à inexperiência, à falta de processo e, acima de tudo, à falta de recursos. Por bom que seja o sonho, por interessante que seja o projecto, por positivo que seja o ambiente de trabalho, por porreiros que sejam os colegas, há uma sensação latente de "isto não vai dar para construir uma carreira". Isto torna-se particularmente agudo quando se trabalha numa área de tecnologia de ponta, para a qual inevitavelmente o mercado português está pouco desenvolvido. Não havendo mercado, a empresa vira papa-projectos e passa a viver de fundos comunitários, QRENs, COMPETEs, H2020s e coisas que tal. O tempo que se devia gastar em desenvolvimento é gasto a tentar convencer revisores de projectos a darem-nos mais uma esmola, e todos os projectos são uma corrida ao fundo: como é que conseguimos fazer esta omelete bonita com muito poucos ovos? Será que precisamos mesmo de duas pessoas para fazer isto, não dará só uma? Certamente o equipamento X também dá para este projecto.
Um aspecto particularmente doloroso neste ambiente é a altíssima rotatividade dos colegas. Quando se trabalha nestas condições tende-se a depender de recursos precários: bolseiros de investigação, estágios IEFP, estágios profissionais, estágios académicos, e por aí fora. Isto torna imediatamente impossível treinar alguém para fazer alguma coisa de jeito, e dei por mim a ensinar 3 ou 4 pessoas a fazer a mesma coisa em ocasiões diferentes ao longo dos anos. Nunca ninguém fica e toda a gente parte para outra, seja porque a empresa não lhes pode pagar, ou porque são incompetentes demais para nos darmos ao trabalho de lhes tentar arranjar financiamento. As caras e os nomes confundem-se numa espécie de groundhog day tecnológico em que cada ano que passa temos as mesmas conversas. Um tipo que vá ficando, ora porque é bom ou porque é teimoso, vai dando por si a avançar na idade ao mesmo tempo que os colegas não. A certo ponto, todos os meus colegas eram pelo menos uns 4 ou 5 anos mais novos que eu; ora se até eu quase nem tinha barba (hipérbole), então eles estavam mais verdes que as bananas da Costa Rica quando chegam ao Continente.
Quando me perguntam porque é que os portugueses têm tendência a se dar bem lá fora, aponto-os sempre para as condições em que somos habituados a fazer trabalho world-class. As publicações a que submetemos artigos não querem saber das nossas dificuldades; querem papers de qualidade. As agências de financiamento não querem saber de rotatividade, querem saber de know-how, track record e orçamentos. O trabalho que temos que entregar para sobreviver tem que ser de topo, ao mesmo tempo que as condições são de fundo. Pega-se num tipo habituado a isto, senta-lo numa cadeira de 300€, dá-se-lhe 3 monitores e um portátil que dava para comprar um carro, e é natural que o desempenho seja incrível.
Eu não me considero um perfeccionista (e acho que quem se considera perfeccionista pensa demais de si próprio) mas procuro estar numa constante curva ascendente no que toca à qualidade do meu trabalho. Umas vezes a curva é mais inclinada, outras vezes é menos inclinada, mas a cada dia estar um bocadinho melhor que no dia anterior. Aliás, quem me conhece sabe que esse é um traço que aplico em quase tudo: no trabalho, na vida, no desporto, etc. Antes de me mudar sentia que tinha batido no tecto da qualidade do que podia entregar. O meu esforço era máximo e o factor limitador da qualidade da entrega era a forma como o trabalho que eu tinha para fazer era entregue. Não havia tempo suficiente para inovação, era preciso planear de forma irrealista (e entregar de forma irrealista) para se conseguir fazer o malabarismo de todos os projectos. A constante mudança de contexto comia horas todos os dias.
A ética de trabalho portuguesa é, geralmente, horrível. Se eu trabalhei as minhas 8h, entreguei o que tinha para entregar e não tenho horário de trabalho, então vou sair às 16h. Ou chegar às 10h. Geralmente, fazer menos que 9-19 é mal visto, e eu fui sempre muito vocal (se calhar de forma prejudicial para mim próprio) acerca do quão estúpido isso me parece. Cheguei a ouvir algo semelhante a "tu és daqueles gajos que vão de férias desaparecem do mapa". Não é esse o objectivo das férias?

Um dia destes decidi mudar-me para o UK

Então um dia desatei a mandar CVs por esse mundo fora, a ver o que colava. Inevitavelmente, apareceram-me várias ofertas interessantes, a melhor das quais no UK. Contas feitas, a oferta praticamente multiplicou o meu salário bruto por 5 (talvez um bocadinho mais), empurrando-me de um salário mediano em Portugal para um salário bastante acima da média no UK. Esta é daquelas particularidades a que me refiro quando digo que a minha experiência é extremamente pessoal: eu tive a sorte de gostar e ter talento para trabalhar nesta área, e a dupla sorte de ser uma área em que simultaneamente há muita oferta e pouca procura de trabalho. Meio ao calhas cultivei um skillset muito valioso, ou que consegui vender bem. Infelizmente, para manter esta conta dissociada da minha identidade não vos posso especificar qual é; somos poucos, tornava-se muito fácil encontrar-me pelas publicações.
Curiosamente, está agora (à data da escrita) a fazer um ano que me decidi mudar. Nessa altura, a maior preocupação de quem se mudava para o UK era o Brexit, mas houve uma série de factores que me acalmaram:
Acerca deste último: ser estrangeiro no UK ou ser em qualquer outra parte é, para mim, semelhante. Então, se o Brexit por alguma razão resultasse numa perseguição aos estrangeiros, ou numa forte desvalorização da libra, etc, a minha situação ainda assim seria melhor que antes. Teria um CV mais rico, experiência adicional na indústria, e dinheiro no banco, tudo factores que facilitariam a mudança para um país terceiro.
Portanto com os factores políticos resolvidos por ora, e com a família a apoiar, lá me decidi.
Lá vim eu.

Preparação

A preparação para a mudança dividiu-se em:
Para benefício máximo meu e das duas empresas envolvidas, decidi reservar apenas umas 3 semanas sem trabalhar para tratar de tudo. Arrependi-me profundamente: devia ter fodido uma das empresas (a velha, potencialmente) e tido mais tempo para mim e para os meus. Naturalmente, houve muito que pude fazer enquanto trabalhava, como tratar da documentação. A logística foi um pesadelo; tive que esvaziar o apartamento em 2 dias e encontrar forma de arrumar tudo o que tinha na minha casa de família. Uma boa parte ficou por fazer pois queria passar tempo com a família em vez de arrumar merda. Tive que denunciar o contrato de arrendamento, da energia, da água e das telecomunicações. Obviamente, a Vodafone foi a mais merdosa no meio disto tudo, primeiro porque queriam que pagasse a fidelização (tive que demonstrar que vinha para o estrangeiro), e depois porque queriam cobrar o equipamento apesar de o ter entregue a horas e em boas condições. Típica escumalhice de telecom portuguesa, nada de novo.
A preparação legal foi mais cuidada. Para referência, a documentação que preparei foi:
Também nomeei (por procuração) um representante legal em Portugal. Inicialmente pareceu-me overkill, e apenas o recomendaria se tiverem alguém que seja de muita, muita confiança. Mas para mim tem sido muito útil, pois essa pessoa pode-me substituir em qualquer todos os compromissos, requerer a emissão de documentação em meu nome, transaccionar os meus bens (tipo vender o carro velho) e negociar em meu nome com as telecoms quando se armam em parvas (ver Vodafone acima). A pessoa que ficou com esta responsabilidade é da minha absoluta confiança, mas mesmo assim é um compromisso que deve ser mantido debaixo de olho e apenas pelo tempo necessário.
Às tantas perguntei-me "sua besta, já pensaste em quanto dinheiro vais gastar?" Bom, através de uma combinação de salário baixo e escolhas financeiras pouco saudáveis (que reconheço mas não quero detalhar), as minhas poupanças resumiam-se a uns míseros 2000€. Amigos, 2000€ não é dinheiro nenhum. Precisava de mais. Pelas minhas contas, e porque não vinha sozinho, precisaria de cerca de 15000€ para fazer isto com algum descanso, ainda que não conforto.
Lembram-se de quando tivemos uma crise "once in a lifetime" em 2008? Aquela da qual vamos ter saudades agora em 2021? Essa mesmo. Uma consequência engraçada dessa crise foi que as pessoas se habituaram a fazer crédito ao consumo, e os bancos habituaram-se a emprestar dinheiro como quem dá cá aquela palha, já que o Estado depois os resgata e ninguém vai preso. Como sempre trabalhei, paguei os meus impostos e nunca tive dívidas, pude pedir um crédito pessoal para pagar a mudança inicial. 15k no banco, check.
Obviamente não o gastei todo, e a empresa para onde fui trabalhar devolveu-me uma esmagadora parte do que gastei através de um fundo de "relocation expenses". A empresa pagou (mas eu tive que adiantar):
Em cima disso, paguei eu:
Admito que fiz algumas escolhas controversas, e houve muito dinheiro perdido em conversão de moeda. Podia ter ficado fora da cidade enquanto procurava apartamento, podia ter comprado mobília mais barata, podia ter dormido no chão, podia ter comprado malas mais baratas, podia ter andado de comboio em vez de alugar carros quando precisei. Mudei-me de uma forma que considero "medianamente confortável": não o fiz luxuosamente, mas dei-me ao luxo de trazer a Maria, de não ter que partilhar casa e de evitar largamente transportes públicos. Com o dinheiro que a empresa me devolveu constituí um fundo de emergência. Não liquidei logo a dívida porque entendo que é mais importante ter um fundo de emergência do que estar debt-free (mais sobre isso daqui a um post ou dois).
São escolhas. Emigrar é caro, amigos. Conheço quem o tenha feito com 200€ no bolso, mas não é confortável e não quero isso para mim.
Praticamente foi tudo pago através do Revolut. Criei uma conta pouco antes de vir, comprei o premium para não ter limites de conversões, e usei. Inclusivamente recebi lá o primeiro salário enquanto não criei a conta no banco.
A preparação emocional foi a menos complicada. O meu núcleo duro é relativamente pequeno, e toda a gente estava preparada há muito tempo para que eu "fugisse"; era conhecido praticamente desde que tinha começado o PhD que a minha área não era viável em Portugal, e que estava revoltado com a ética de trabalho merdosa. Naturalmente a minha mãe não gostou da ideia, mas são coisas da vida. Ainda assim, um conselho: não se armem em fortes e não descuidem a preparação psicológica/emocional que é necessária para este tipo de viagem. Eu sei que pessoas diferentes têm níveis de resiliência diferentes, mas o português tem muito a mania de achar que é o maior; cuidado com isso. Além disso, não deixem que estas preparações vos tomem todo o tempo que têm; guardem tempo para estar com a família, para lazer, e para descansar. Eu deixei-me consumir um pouco e não foi bom.

Como não ser sem-abrigo

Aterrei em meados de Setembro num dia nublado com duas malas de 30kg, uma mochila para mim e outra para a Maria, e a convicta certeza de que me estava a foder. Tinha cerca de 2.5 semanas até começar a trabalhar, e até lá a missão era só uma: encontrar um apartamento. Há muito para dizer acerca da habitação no UK, vou escrever um post só para isso e por isso aqui vou focar apenas na experiência do recém-chegado.
Eu decidi que não estava disposto a arrendar pelo privado; iria sempre através de uma agência imobiliária. Como não tinha tanta familiaridade com o mercado nem com a legislação, achei que seria mais seguro ir por essa via mais cara e minimizar a possibilidade de ser ludibriado. Recomendo vivamente. Então comecei a encetar contactos por telefone para marcar visitas a apartamentos.
E aí bateu-me.
Eu não conseguia perceber nada do que estes caralhos diziam ao telefone. NADA. "Ahka hrask apfiasdafsd duja sudn" diziam eles, e eu "sorry, I have a really bad connection, could you repeat that?" e eles lá repetiam mais calmamente "G'mornin, how can I help you today?". Muita vez disse eu que tinha pouca rede, a ver se eles abrandavam um bocadinho. E funciona! Top tip: se estiverem a tentar perceber o que eles dizem por telefone, queixem-se da ligação; o serviço móvel no UK é tão mau que eles vão na conversa.
Agora, eu sei falar inglês, ok? Naveguei perfeitamente bem as entrevistas, tenho dúzias de publicações em inglês "impecável", e trabalho em inglês há anos e anos. O problema é o seguinte: falar inglês enquanto se trabalha e escrever coisas em inglês são ambos experiências muito diferentes da de tentar falar com um nativo com sotaque, que assume maneirismos e expressões que não conhecemos, sobre locais que não conhecemos e dentro de um sistema (de arrendamento) que não conhecemos, tudo isto por telefone e sem poder ler nos lábios nem ler expressões corporais.
Com algum desenrascanço tipicamente português fui enchendo os dias de visitas a apartamentos na zona. Num dos dias aluguei um carro para ir ver apartamentos numa cidade vizinha (onde até acabei por ficar), algo que recomendo vivamente. Durante essas semanas vimos facilmente uns 25 apartamentos, talvez mais. As primeiras impressões foram:
(Um aparte acerca da alcatifa: se tiverem uma casa toda alcatifada comprem um robot aspirador de qualidade e aspirem todos os dias, até mais do que uma vez. A vossa qualidade de vida vai aumentar 1000 vezes.)
Escolhido o apartamento, fizemos uma oferta/candidatura. Oferecemos o valor que o senhorio pedia e, já tendo falado com muitos agentes, ofereci-me para pagar o contrato inteiro de 6 meses no dia da entrada. O que se seguiu foi um processo que, para mim, era completamente estrangeiro: o de "referencing" do potencial arrendatário. Pediram-me as moradas anteriores até 3 anos e os contactos dos senhorios, assim como a minha morada de família permanente e (muitos) dados pessoais. Essa informação foi usada para verificar que eu não era um impostor, e para verificar que tinha o hábito de pagar a renda. Ligaram para a minha antiga senhoria portuguesa, uma senhora de 82 anos, a perguntar se eu pagava a renda. Por mero acaso ela fala inglês (foi investigadora) e soube-lhes dar resposta, mas achei a atitude absolutamente desnecessária. Lembro-me de me sentir ofendido; "mas estes filhos da puta acham que pagar 6 meses à cabeça não chega?"
Seguiu-se um contrato de arrendamento para uma Assured Shorthold Tenancy [1], que é a modalidade "normal" de arrendamento para habitação por aqui. O agente imobiliário tratou de toda a papelada, mas eu tirei um dia para ler todo o contrato e verificar se batia certo com o que conhecia da lei daqui, o que recomendo vivamente. Atenção que a partir de meados de 2019 as taxas cobradas pelos agentes imobiliários passaram a ser limitadas por lei [2], por isso se vos pedirem alguma taxa administrativa mandem-nos sugar no pénis mais próximo. Na altura disseram-me que o normal, antes dessa mudança, seria o arrendatário pagar uma taxa de 700 libras à imobiliária pelo serviço. Era matá-los.
Assinado o contrato, ficou fixada uma data para entrada no apartamento. O valor a pagar é esperado nesta altura, no momento imediatamente precedente à entrega das chaves, o que significa que é preciso ter esse dinheiro disponível num cartão aceite pela imobiliária. Obviamente que é possível pagar por transferência, mas isso pode atrasar a data de entrada, e eu estava a pagar hotel por isso tinha interesse em me despachar.
Este processo foi, para mim, extremamente stressante. Até ao momento em que temos a chave na mão, o nível de incerteza é altíssimo: vou precisar de estender a estadia no hotel? Vou ter dinheiro que chegue caso o senhorio recuse o arrendamento? Será que vou ter que procurar noutra zona? Será que vou conseguir fazer isso enquanto trabalho? Para mim, encontrar a primeira casa foi facilmente a parte enervante da mudança. Agora já tenho uma posição muito mais sólida: conheço a zona, conheço o mercado, tenho um pé de meia e transporte próprio. O início custa muito mais.

Burocracias adicionais a tratar no início

Além da casa, que era a minha primeira preocupação, há um outro conjunto de coisas que têm que ser tratadas quanto antes:

Referências

[1] https://england.shelter.org.uk/housing_advice/private_renting/assured_shorthold_tenancies_with_private_landlords [2] https://www.gov.uk/government/collections/tenant-fees-act [3] https://www.gov.uk/council-tax [4] https://www.gov.uk/tax-codes [5] https://www.gov.uk/income-tax/how-you-pay-income-tax

Capítulos Anteriores

O próximo capítulo deve ser mais sobre habitação ou sobre compramanter carro e conduzir. Depende de qual o capítulo que acabar por ficar pronto mais cedo. Às tantas calha ser outro qualquer ¯\_(ツ)_/¯
Se este post gerar uma resposta tão forte como os outros, é possível que eu não consiga responder a todos os comments. Se for esse o caso, peço desculpa; vou dar o meu melhor.
No outro post alguém (um mod?) colocou o flair "Conteúdo Original". Não encontrei esse por isso pus "discussão".
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.
submitted by UninformedImmigrant to portugal [link] [comments]


2020.09.10 15:46 henrylore Najiyu Ep 1 - A cachoeira

*Cenário todo pegando fogo
*cenário todo destruido
*explode um pedaço de um castelo ¿¿¹(pessoa de olhos vermelhos): acabou. eu destruí o líder em alguns segundos.
¿¿²(uma moça de cabelo rosa): você nem sabe o que você pode causar se fizer isso! VOCÊ NÃO PODE DESTRUIR TUDO
¿¿¹: é uma pena que todos vocês só conseguem dizer isso...
¿¿²: eu não vou deixar! *puxa espada ¿¿¹: *ataca rapidamente e acerta com a espada na ¿¿² é uma pena né... que nem esses poderes sagrados que você tem... são suficientes pra parar uma guerra ¿¿³(um velho com uma manta e um tridente): VOCE NÃO VAI CONSEGUIR *corre em direção ao ¿¿¹
**explode tudo
**você consegue ver uma criança caída no chão dentro do castelo em um lugar mais no cantinho dos escombros depois de tudo destruído
**da zoom na testa da criança e você consegue ver uma espiral
*muda pra um tempo depois e tudo volta ao normal
**numa casa
[o cenário é um quarto, com uma cama e uma mesa de cabeceira]
**debaixo do cobertor:
*sai uma cauda (de raposa)
??: *levanta e sai da cama (você consegue ver o símbolo na testa dele tbm)
hmmmmm
*abre a porta e sai do quarto
tem alguém aí?
**literalmente ninguém responde
*vai na cozinha
DOKE!
Doke?
Dooookeee....
...
Doke?
é, ele sumiu
*sobe na mesa possibilitando nossos queridos espectadores de ver o character design do nosso querido Henry
Henry
Idade: 12 anos (vai fazer 13) Altura: 1,59 Cabelo: loiro e cacheado Coisas adicionais: ele é uma raposa mas ele mesmo não …
Do: Henry? acordastes
H: *corre em direção ao doke
SIM!
como vc ta, conseguiu o telescópio q vc queria?
Do: nah, ainda não
H: mas já se fazem alguns meses...
Do: você sabe, não é todo dia que se vendem telescópios por ai
H: mas e a chuva de meteoros daqui a uma semana?
*faz carinha de choro :(
Do: relaxa a gente vai conseguir *abraça o henry
H: ... ei doke, já faz um tempo que eu quero te perguntar isso....
olha, eu nunca vi bodinhos andando com duas orelhas laranja e uma cauda laranja... então?
Do: você é um bode diferenciado
H: igual você que tem um chifre enorme?
Do: ainda bem que você não é um peixe, porque se fosse um, eu já teria pescado-
H: '-'
fiquei com medo
Do: imaginei. enfim, eu vou pescar
H: tabom, vê se não traz um baiacu dessa vez
Do: vou trazer dois, serve?
H:
*sobe na mesa possibilitando nossos queridos espectadores de ver o character design do nosso querido Henry
H: VE SE NAO DEMORA TA BOM?
Do: PODE DEIXAR...
H: ainda me da calafrios de pensar de onde eu vim...
**cai um livro de capa azul lá da estante
H: ... as pesquisas do doke... H: *abre o livro
Raposas são vistas normalmente na parte mais floresta de Naji, normalmente encontradas nas partes mas frias, e nas partes mais quentes no inverno.
Raposas são reconhecidas em Naji pela sua capacidade de controlar o fogo e de sua velocidade.
Raposas se adequam a novas experiências muito rápido
Raposas costumam ser mais sensíveis na cauda, tornando-a um alvo dos inimigos quando se trata de derrotar uma raposa.
Raposas da neve costumam ser brancas por se adaptarem a se camuflar na neve
Raposas da neve se adequam melhor a climas mais frios, e costumam ser mais experientes em áreas de caça.
Raposas vermelhas Possuem coloração laranja na cauda e nas orelhas E podem estar em qualquer região, menos a de calor extremo H: *olha pra própria cauda
^
e preferem ambientes mais aconchegantes
H: *tem um flashback do passado
{DOKE EU NAO VOU DORMIR SEM COBERTA!!}
to começando a perceber um padrão aqui...
^
Têm dificuldade de controlar mais de 1 elemento
H: *olha pro proprio dedo
eu quero... FOGO!
.
.
.
FOGO!
.
.
.
...fogo?
é, ninguém me ensinou isso afinal né...
vamo continuar
^
Raposas do deserto ou Feneco
**ouve a porta
Do: tô em casa
H: !!!!!!!! *fecha os olhos e aponta o braço na direção do livro *teleporta o livro pra estante *da um sorrisinho
*sai correndo
Do: tá em casa??? ah oi Henry
H: oi Doke tudo bom quanto tempo
Do: eu tô morrendo de cansaço...
H: mas são 12h...
Do: você fica cansado todas as 23h e 6 minutos do dia, Henry
H: não se compare comigo.
Do: você parece assustado, o que houve?
H: ... eu tava conversando com os coelhos ontem... e... já ouviu falar de raposas?
elas parecem bem parecidas comigo pelo oq falaram
Do: parecem bem parecidas é o auge do que tu ja me falou...
hmmmmm....
não, elas não tem nada a ver com você
H: MAS EU TENHO CERTEZA QUE-
Do: vamo lá Henry voce deve tá com fome, pega alguma coisa na cozinha e vai comer.
H: doke, EU sei que eu sou uma.
Do: *olha pro livro e ve ele meio caído Você olhou minhas coisas né?
H: sim.
Do: hmph...
H: *vira pro lado e pega o livro da estante
Do: *lendo
eai, o que vai fazer com essa informação?
é Henry você é uma raposa.
H: o que aconteceu com a minha família
Do: eu ainda não posso te contar *joga o livro no chao
o reino não deixa-
H: dês de quando a gente tem um reino?
vocês nunca me contaram nada mano
Do: Henry, isso é coisa de 10 anos atrás, você não vai querer sbar
H: QUANDO EU TINHA 2 ANOS?
Doke, a minha infância foi só apagada e eu não posso saber de nada....
Do: sua infância foi comigo, e você deve lembrar disso
H: E ANTES DISSO?
eu não vejo duas cabras parirem uma raposa
você nem lembra quando eu nasci né?
Daqui a 2 semanas é meu aniversário, você lembra? Do: ... ffff Henry o importante é que somos felizes ago-
H: é tudo sempre a mesma coisa eu queria sair e fazer aventuras mas você sempre fala que se eu me distanciar eu posso ser sequestrado ou sei lá eu sou um fugitivo por acaso? *sai pela porta da cozinha
Do: ...
[eles moram no topo de uma cachoeira, inclusive]
H: *na ponta da cachoeira pensando
...
*pega um ukulele de um lugar ali perto
Dó Ré Mi Fa...
Do: HENRY
H: que foi agora
Do: você ainda quer conversar sobre...
raposas?
H: não, quero conversar sobre o que houve 10 anos atrás
Do: Henry SE VOCÊ FUGIR TUDO VAI-
H: TUDO VAI? ? ? ? ? ? ?---
uh-
*escorrega da pedra e cai da cachoeira de 1km de altura
Do: HENRY
...
H: AAAAAAAAAAA
**
H: .........
*levanta
aaaah
??: *olhando pra ele
Ih ala, macaco novo na área...
H: AAAH
quem é tu
??: quem é tu né eu so te vi caindo igual a maçã na cabeça do isaac newton e tu vem me perguntar quem sou eu?
H: é o que?
L: vai, levanta dai da agua que ficar com a bunda molhada em pleno inverno não vai ser muito legal. Meu nome é Lusk. mas pode me chamar de...
*faz umas pose mt aleatória
LUSK!
H: .-. ok confesso que estou indeciso sobre qual dos dois te chamar
L: HÁ AGORA QUE NAO TEM DUVIDAS SOBRE QUEM EU SOU.... quem é você
H: meu nome é henry, eu caí porque eu tropecei e eu venho de uma família de cabras
L: hmmmmm. *coloca a mão no queixo em posição de análise
olha eu não sou nenhum profissional em biologia mas... suas orelhas e cauda não condizem com as de uma cabra...
H: valeu aí médico do SUS
L: nada
mas aí não seja por isso, venha conhecer a vila a menos que queira ficar andando na cachoeira até a conta de agua da terra chegar
---um tempo depois---
**os 2 andando na vila
L: então quer dizer que você é uma raposa?
H: uhum
L: e você caiu do ceu?
H: uhum
L: e você...
H: sim.
L: ok. tendo em vista tudo isso eu vou me apresentar
EU SOU LUSK O GRANDE
**passa uma bola de feno
H: ah sim....
L: MAS EU NÃO TE MOSTREI A MELHOR PARTE
*junta as mãos e levanta uma grande ventania pra cima do henry
H: *coloca a mão na cara
é assim que vocês cumprimentam as pessoas por aqui?
L: na maioria das vezes
H: entendi
**corta pros 2 andando pela vila
L: olha só eu tenho que dizer pra você tomar cuidado quando anda comigo, muitas pessoas me conhecem e eu sou muito famoso ok? **os 2 tão passando numa vendinha
L: OLA MEUS FÃS
Mta gnt: FÃ O CACETE! OU SAI DAI! PARA DE GRITAR EU QUERO DORMIR!
H: realmente eles te amam
L: viu? *cai um tomate na cabeça do henry
Pessoa que jogou: *fecha a janela
L: EI NÃO ENCHE OU EU ARRANCO A SUA CARA FORA!
caham, onde a gente tava? falando nisso? Tu é uma raposa?
H: uuuh, sim?
L: ah legal, é que eu nunca vi raposas por aqui
H: e você já viu raposas?
L: quando eu morava no reino e não aqui na vila
H: hmmm, e como é lá
L: olha, cara, confia em mim, é melhor a gnt não conversar sobre aqui.
H: ?
L: depois te conto. ENFIM, não é todo dia que se cai de uma cachoeira, conta mais sobre a sua cara H: ele parece nunca ter visto um ser humano antes Hmmmmmmm... eu... eu tava conversando com o Doke
L: e quem é o brother
H: ele é tipo meu pai só que não é meu pai saca
L: Não.
mas enfim pelo visto você me entende bem
mas e agora, o que pretende fazer agora que caiu aqui em baixo?
H: ... eu acabei de acordar então eu tô com fome
L: COMO ASSIM VOCE ACORDA 17H MANÉ
H: ue *vira a cabeça e olha pro lusk
L: VOCE DORME MAIS QUE UM HOMEM ANIMADOR DE FÉRIAS
CACETES
mas confesso que não comi nada até agora também...
*bota a mão no bolso e puxa umas moedas
mas eu acho que dá pra comprsr um ramen pra você
H: seriao? não precisa cara
L: mas eu quero.
H: ah então eu não posso fazer nada
então onde q a gnr compra
L: na loja do seu Imura claro
H: Imura?
L: ele é um cara elegante, relaxe
H: :0
**um tempo depois
L: *abre a porta do lugar
(o cenário é um lugar pequeninho onde tem um teto transparente com folhas por cima [o tamanho é tipo do ichiraku mas maior])
*da um socão na mesa
AE TIO O QUE TEMOS PRA HOJE
**vem do além um hashi voador
L: *segura ele com os dedos
??: *poe uma tigela na mesa
E O QHE TEMOS PRA HOJE
L: TIO IMURAAAAAA
Im: Olá.
o que comerás hoje caro MENINO!
L: uuuh o de sempre mas não vou ser eu quem vou comer
eu trouxe um cara
H: oi
Im: ... MENINO! OLA PRAZER
*aperta a mão do Henry
H: uuuh
Im: SEJA MUITO BEM VINDO AO IMURA CAFÉ ONDE VOXE PODE COMPRAR QUALQUER COISQ QUE QUEIRA COMER
L: até pedra
Im: XIM MENINO!
*olha direito pro henry
...
Uma rapoja por aqui... estranho... onde é que o luxk axou exe menino...?
TOME
*coloca ramen na mesa e da os hashis pro Henry
H: valeu, velhote
Im: Ei Luxk precisamos convexar
L: *desce da cadeira e vai pra trás do balcão
*vai lá pra trás
H: *consegue ouvir um pouco abafado
Im: voxe nao xoube que o guarda real malhuco vira hoje?
L: guarda?
Im: nós xomos rivais então elex prometeram mandar uma menxagem hoje..
E XE VIREM UMA RAPOJA O QUE FARAO?
L: tem razão velhote
H: ...
*mini flashback
Do: Henry o reino ele pode ser muito perigoso para raposas nós não podemos nos arriscar assim...
...
L: voltei Henry
H: terminei de comer, muito obrigado cara
L: *barriga ronca
*da o dinheiro pro cara
Im: ... o que voxe vai querer?
L: mas eu não tenho mais dinheiro
Im: o do MENINO é de graxa voxe é o único que paga aqui
L: OOOOOOOO
**um tempo depois um pouco de noite
L: estou cheio cara
H: to vendo
L: mas nós temos que conversar mano
H: hm?
L: acontece que um cara sinistro vai aparecer aí daqui a pouco então nós temos que...
*lembra doq o Imura disse
Im: eu irei abrigar vocês. então venham para cá amanha
L: nos refugiaremos na casa do Imura
H: tranquilo então
L: espero sair vivo dessa...
H: mas aí você não me mostrou sua casa você tem casa não é?
L: Nao, EU sou um mendigo.
H: que bosta hein
L: É OBVIO Q EU TENHO CASA MANE
H: la você me explica direito tudo
**chegando na casa do lusk
[é uma quitinete meio desarrumada com um banheiro e um sofá e uma mesa]
L: *mexe debaixo do sofá e pega um mapa enrolado
*vai em direção a mesa e estende ele lá
aqui é o reino de Valdehalle
*aponta um pouco do lado
aqui é Heartville, onde a gente tá
H: e essa neblina aqui?
L: sei lá eles chamam isso aí de reino da neblina oculta
dizem que são uns caras que vão contra o reino
H: ...
L: vai entender né
H: *levanta
a gente tem que acordar cedo amanhã pra poder ir pra casa do Imura se der tudo certo a gente sai dessa tranquilo
L: o que vc planeja fazer você só caiu aqui você não consegue voltar?
H: eu caí aqui em busca de informações sobre mim mesmo
e pra descobrir coisas que meu pai não pôde me contar
L: ...
H: vai que a gente muda algo né?
L: *da um leve sorrindo
olha, amanhã eu irei te acordar SE VOCÊ NAO ACORDAR EU TE CHUTAREI
H: tá bom pedro cara feia
**no dia seguinte
.. L: ACORDA MARILENE QUEM GANHA DINHEIRO NA CAMA É
H: ja acordei... o que você ia falar
L: hm? testador de colchão claro todo mundo sabe que quem ganha dinheiro na cama é testador de colchão
H: ah sim...
L: *pega o mapa
VENHA
**os 2 saem na direção do Imura Café
L: *ve os moradores com armas andando por aí
..... hoje não é um dia bom
H: ....
**vão andando na espreita
H: pq a gnt tá se escondendo
L: pq se nos virem vão mandar a gente ficar com alguém que a gente nao quer então trate de se esconder
H: *entram num beco
??¹: *vê cauda do Henry
*vai em direção ao beco e olha
hmph, deve ter sido impressão
H e L: *chegam no Imura Café
H: *bate na porta
Im: MENINOS! Ah que bom que extao aqui
entreis
**os 2 entram
**ouvem algo explodindo
Im: elex ja devem ter chegado
oh não
H: isso é um problema
L: ugh
H e L: *se escondem na cozinha
??²(um guarda aleatório do reino): PROCUREM EM TODAS AS CASAS eles devem estar por aqui
eles não pagaram o que deviam
e tem uma raposa aqui você diz?
??³: é-é sim senhor!
....
??²: hmph...
PROCUREM EM TODAS AS CASAS!
H: °°
??⁴: *bate na porta da casa do Imura
TRM ALGUÉM AÍ
SE TIVE DIGA AGORA!
Im: .... isso é um problema
??⁴: ABRA EU SEI QUE TEM ALGUÉM AÍ
*bate mais forte
Im: me dexculpe meninos já volto
uuh sim?
??⁴: TENS UMA RAPOSA AI QUE EU SEI
Im: nao tem nada aqui
??⁴: EU ESTOU SENTINDO MANA E NÃO É A SUA
Im: uuh relaxa, não faz sentido querer procurar num restaurante
EU SO ESTAVA AQUI QUANDO COMECOU ESSA INVASÃO
H: voce notou isso?
L: o que
H: o Imura nao tá falando errado...
L: isso é alarmante...
??⁴: *quebra a porta do restaurante
me mostre.
Im: me desculpem
*junta as mãos
*levanta umas pedras do chão
??⁴: *defende com as mãos
... me deixe passar
*explode tudo
H e L: °°
*se escondem um em cada armário do restaurante
??⁴: não devem estar aqui
DEVEM ESTAR AQUI PERTO PROCUREM!
L: vem, Henry temos QUE-
*congela na saída
....
H: o que fo-
L: i-i
**veem Imura no chão e tudo destruído
L: ........
H: ah não...
....
continua no próximo episódio :D ep 2 Rivais de Reinos diferentes, o mais forte prevalece...
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2020.08.30 02:32 querocafune parece fanfic mas eu juro que aconteceu

vou contar o filme que minha vida virou...
Pro contexto: eu acabei de voltar de um intercâmbio de 8meses em Wellington, na Nova Zelândia
Então, conheci esse menino na minha escola, numa aula feita pra que pessoas do mesmo ano escolar se relacionem, era uma aula de meia hora que acontecia duas vezes por semana, então não tínhamos muito contato, mas sempre sentava com ele e os amigos dele nesse tempo. Como eu era estudante internacional, não tinha muitas amizades além dos brasileiros que estavam na mesma situação que eu, então eu achava um máximo ter esse grupinho pra conversar. Enfim, entramos em lockdown em março, e as aulas online começaram, e essa aula parou de acontecer. Eu tentava fazer amizade com pessoas de outras aulas por mensagem, mas ninguém continuava a conversa... até que depois de algumas semanas eu e esse menino, começamos a conversar pelo instagram, conversávamos a cada 2 dias, mais ou menos, sobre coisas bem aleatórias, mas era alguém com quem conversar. E eu sempre fui muito devagar pra relacionamentos românticos né, mas resolvi investir nele e ver no que dava. Eu tentava flertar, mas além da falta de experiência tinha o fator idioma, flertar em inglês é uma coisa assim... complicada kkkk
Passamos 2 meses de quarentena e as coisas começaram a reabrir, obrigado Nova Zelândia!! E acabei chamando ele pra sairmos quando pudéssemos. Fomos tomar um café, e como sou do Brasil tive que honrar o estereótipo e chegar 1hora depois do combinado, me culpei muito por isso, mas no final das contas passamos um tempo bem legal juntos, mas não rolou nada. Mais ou menos uma semana depois sugeri que saíssemos de novo, e acabamos indo pro “cable car”, basicamente um carrinho que sobe um morro, mas que é um dos lugares turísticos da cidade, junto com o jardim botânico que fica no topo desse morro. Eu, na inocência, me arrumei pra encontrar ele, quando chego lá ele tinha levado uma garrafinha de água, preparado pra dar uma caminhada kkkk andamos igual notícia ruim, e eu sempre fingindo costume e não mostrando que eu estava a beira do desmaio... Obviamente, não conseguimos conversar muito, mas cada experiência é uma experiência. No final, quando já não tinha mais subidas ou descidas de morro tentei jogar um charme, um elogio, mas ele não captou minhas mensagens, um tempo depois ele disse que tinha dever de casa e foi embora na vespa dele kkkkk
Continuei persistente, porque apesar de tudo eu gostava das nossas conversas e de passar tempo com ele, e mesmo que não desse certo, seria uma amizade de um outro país, eu não tinha o que perder.
Foi aí que fomos nesse museu, “te papa”, que tem exposições interativas e é super interessante, mas eu já tinha ido lá no mínimo umas 3 vezes, então eu estava com bastante foco no objetivo kkkkk eu nunca encontrava a hora certa pra dar o primeiro passo, e ficou nisso durante o dia inteiro. Até que quando estávamos indo embora, dessa vez ele não estava dirigindo a motinha dele então pegamos o mesmo ônibus pra casa, o ponto dele era antes do meu e quando ele desceu eu não aguentei, e senti que deveria fazer alguma coisa. É aí que a produção entra em cena, eu levantei e pedi pro motorista parar o ônibus, falei que eu tinha que fazer uma coisa rapidinha e eu já voltava, aí eu desci do ônibus e corri atrás dele, ele achou que estava sendo assaltado, mas eu fui e falei pra ele que eu senti que perdi muitas oportunidades de fazer isso durante o dia mas que eu tinha que fazer isso, aí perguntei se eu podia beijar ele, ele disse que sim!!! Voltei pro ônibus e a cara do motorista foi muito boa, ele viu tudo pelo retrovisor kkkkk DETALHE, tava chovendo.
Depois conversamos por mensagem, e eu falei que não sei de onde eu tinha arranjado coragem pra fazer aquilo, mas que eu estava muito fez de ter feito.
Na segunda-feira, combinamos de encontrar depois da aula, acabamos indo pra casa dele e conheci a mãe dele kkkk fiquei meio sem reação, não sabia o que fazer, foi super bizarro, mas de novo, cada experiência é uma experiência né? A mãe dele saiu e ele tentou me beijar, mas eu travei tanto que não consegui, ele coitado ficou super confuso, e eu comecei a tagarelar sobre timidez, insegurança, umas coisas nada a ver, tentando me justificar... Ele só ficou mais confuso, resolvemos então dar uma volta e fomos comprar pão, fomos num parquinho e comemos lá... Conversarmos e tava tudo muito bom, mesmo eu tendo tornado tudo muito constrangedor. Cada um foi pra casa e ficou aquele clima estranho, mesmo ambos querendo a mesma coisa.
Mais tarde mandei mensagem pra ele falando sobre minha mania de auto-sabotagem, e que tudo tava sendo tão bom que alguma coisa em mim me dizia que tava errado, então eu estraguei tudo. Ele não entendeu direito, então só falei pra que a gente ignorasse tudo o que eu falei e continuar do jeito que tava antes kkkkk
Dia vai, dia vem e esse amigo dele deu uma festa, um dia antes de uma viagem que eu iria fazer, mas eu fui mesmo assim. Fui com uma galera da minha outra aula, e já tava me sentindo mais confortável, até que eu chego na festa... Uma coisa bem maluca kkkk tinha uma fogueira com sofás em volta, uma garagem com colchões e bebidas, uma caixa de som, e gente usando vape. Até aí tudo bem, encontrei ele e as coisas tavam indo na paz, tirando a parte em que tive que ensinar ele como eu beijava de língua, que foi um pouco constrangedor mas que no final deu tudo certo, a gente se encaixou e ficamos agarradinhos perto da fogueira, porque tava muito frio! Até que um doido resolve tirar o próprio sapato, colocar vodca pura dentro e beber... pois é, como reagir? Ok, algumas horas se passam e esse menino do sapato, surpreendentemente, começa a passar muito mal, então deitam ele em um dos colchões e eu falando pra darem água pra ele... Não sei o que rolou, voltei pra perto da fogueira, não ia dar uma de baba pra alguém que eu nem conheço. Até que um carro entra onde a gente tava, eram os pais do menino do sapato, tiveram que buscar ele porque ele só tava piorando...
Por causa da confusão dos pais, uma das vizinhas chegou lá pra ver o que tava acontecendo, então o menino que eu tava beijando, já um pouco alterado levanta e fala que a gente tem que sair dali pra que não me deportassem kkkk eu fui com ele, entramos num lugar muito escuro e eu comecei a ficar com medo, porque por mais que eu goste dele eu não queria morrer. Fomos parar numa estação de trem e ficamos rondando por lá por um tempo, sem saber o que tava acontecendo na festa, mais tarde a gente voltou pra lá e tinham guardado tudo, os sofás, a música, apagado a fogueira, e estavam falando que tinha baixado polícia lá... Não vi nada. Tava todo mundo indo embora, e achei melhor eu também ir, mas minha carona tinha vazado, fiquei sem saber o que fazer, então tive que ligar pra minha hostmom pra ela vir me buscar, achei que ia levar esporro, mas ela achou até bom eu ter feito isso kkkk
No dia seguinte eu fui pra minha viagem, e foi muito boa, conheci gente nova e fiz coisas que nem acreditava que faria, inclusive pular de avião e de bungee jump! - mas agora, a história é sobre meu romance clichê
Quando eu voltei marcamos de encontrar várias vezes, e tudo tava sendo lindo e cor de rosa... conheci a família dele, até a vó kkk e ele a minha hostfamily. Eu tava nas nuvens.
Porém, com toda essa complicação do covid, minha data de volta tava sempre mudando. Até que confirmaram meu voo pro dia 29 de agosto, ok, me planejei organizei o que eu iria fazer. Só que uma semana antes me ligam avisando que mudaram a data mais uma vez, só que dessa vez pra 4 dias mais cedo! Eu entrei em pânico, por mais que 4 dias parece pouco, mas é muita coisa... Tive que remanejar tudo, remarcar as despedidas e tudo mais. eu tava muito emocional, chorava por tudo.
Até que um dia nessa última semana, eu tinha acabado de jantar e estava brincando com as crianças da minha casa, ele me liga e pede pra que eu fosse lá fora, fiquei super confusa, mas eu fui. DETALHE, tava chovendo também... Eu perguntei o que ele tava fazendo ali e ele disse que tava fazendo uma corrida noturna e que eu não poderia ir embora sem que ele falasse isso, foi aí que ele disse que me ama... Eu fiquei em choque, não tava caindo a ficha de que isso tava acontecendo, eu perguntei se ele queria entrar, tomar uma xícara de chá, sei lá... Ele me disse pra pensar sobre isso e que tinha que ir embora, então ele saiu correndo. Eu voltei pra dentro e não conseguir pegar no sono. depois, mandei mensagem pra ele falando que eu não esperava por isso e perguntei se ele tinha certeza do que ele tinha falado, conversamos bastante mas eu ainda não conseguia engolir, mesmo com ele sendo incrivelmente perfeito em tudo que ele falou pra mim. Na manhã seguinte tive minha sessão de terapia semanal, ouvi umas poucas e boas de como eu negava o amor dos outros, de como eu achava que por eu não me amar ninguém seria capaz de fazer isso... E cada palavra valeu a pena, quando acabou disse pra ele que queria ver ele, e de noite fomos pra cidade, e com toda certeza foi uma das melhores escolhas da minha vida. Jantamos pizza e caminhamos por todo lugar, e quando tava chegando a hora dele ir embora não deu, e comecei a chorar, me abri pra ele e disse que também amava ele, e ficou assim, os dois boiolas chorando num ponto de ônibus, olhando um pra cara do outro. Mas por mais triste que eu tava, me senti muito bem de estar vivendo aquilo. Levantamos e continuamos a andar pela cidade, dando sempre uns intervalos pruns beijinhos...
Então ele teve que ir embora, e quando ele deu partida na motinha dele eu gritei pra todo mundo ouvir que eu amo ele! Comecei a chorar de novo, muito muito mesmo, não só por ele, mas por tudo que eu vivenciei naquele país, vida, morte, conexão, solidão, despedida, saudade, amizade, amor, tudo que faz a vida valer a pena e como muitas vezes já pensei que nada disso valia a pena. Esses 8 meses me ensinaram o que é estar vivo, e sou muito grata por ter aprendido isso!! nessa minha profunda reflexão, meu ônibus chegou, e era um ônibus de dois andares, eu que não vou boba nem nada fui pra frente da parte de cima, chorar ainda mais e fazer esse filme ainda mais clichê...
Até que enfim, chega meu dia de voltar pro Brasil, ele foi no aeroporto se despedir, e eu não passei um segundo sequer sem chorar, desde Wellington até BH, quase 3 dias de viagem e de muitas lágrimas...
A gente tem conversado todos os dias desde que cheguei, e sinto muita falta dele, mas ainda fico com receio de expressar tudo isso e ficar ainda mais triste com a situação, não sei como começar a conversa sobre o que vai acontecer entre a gente, se estamos em um relacionamento a distância ou continuarmos nos amando só que em forma de amizade, se ele toparia um relacionamento aberto, ou sobre o que ele planeja pra nós... Tenho medo de conversar com ele sobre tudo isso e estragar o que a gente tá tendo agora, porque por mais que exista a distância ainda sei que ele está lá pra mim do mesmo jeito que estou aqui pra ele...
E é isso, só queria abrir minha história a debate mesmo. Valeu aí...
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2020.08.24 07:11 aquele_esquisito Me alienei completamente em relação as pessoas (Histórias de Quarentena)

Esse ano tá sendo bem interessante para mim até agora, comecei com 23 anos, virgem, bv, com zero experiências íntimas com mulheres, sem nunca de fato ter valorizado essas aventuras, isto é, nunca ter buscado de fato. Sempre fui no menor número possível de festas, nunca engajei em nenhum tipo de flerte com uma mulher e com isso nunca cheguei perto não só das ppks alheias como não sei o que é amar uma mulher. Basicamente era um incel sem a parte de odiar as mulheres, só a de não ver necessidade em transar mesmo, sem nenhum vitimismo, *quase um assexual que sente vontade física de transar mas não psicológica. *
Pois bem "ano novo, vida nova", pensei comigo mesmo que ia mudar isso, não deve ser tão difícil, ainda sou jovem sem ser garoto demais, quase empregado, não sou horrendo, os anos de academia me transformaram em uma pessoa atraente de corpo e sou absurdamente interessado (quase de maneira autista) em saber das coisas/conceitos/ideias/ciências/formas de arte, me transformando numa máquina de boas conversas por ter assunto pra infinidade de tempo. Por que decidi mudar isso? Literalmente por pensar com o meu pau, depois dos 20 parece que minha libido triplicou e eu não via a hora de finalmente comer alguém. E aí eu ainda caí na isca de "tem mais de 20 e é virgem? teu padrão é muito alto" que me deu um falso senso de segurança, ou seja, fui em todas que deram bola.
Usando tinder já comecei a perceber que ter um grande conhecimento de vários assuntos não significa ter uma boa conversa de bate e pronto, por isso passei uns tempos dando match com qualquer menina (mesmo que longe) só pra treinar o meu gingado na conversa com elas, depois de umas semanas consegui uma melhora boa (e agora quase indo pro fim do ano já me sinto um mestre das conversas) e comecei a de fato marcar encontros.
Pelo tipo de texto que estou escrevendo você pode talvez imaginar um autista metido que se acha o rei da cocada, e é meio assim que eu me sinto comigo mesmo, mas na vida real eu consigo me passar por uma pessoa completamente normal e sociável, o lance é que eu estou fazendo força para isso internamente. Sempre achei isso meio normal porque apesar de ser extremamente introvertido nunca fui tímido e sempre convivi com coletividades de amigos ao longo da minha vida ATÉ a faculdade quando todo mundo foi separando, daí eu tenho um senso de normalidade bastante bem desenvolvido, a partir dai é questão de querer mesmo.
Primeira menina foi logo na época de carnaval (apesar de ter passado longe de blocos), foi com ela que eu perdi o BV de todas maneiras possíveis e desenvolvi mais habilidade com mulheres, saímos durante a semana quase toda (ela era de fora) mas não conseguimos transar por conta de terceiros empacando o bonde (a vontade foi tanta que chegamos a ficar nos esfregando em alguns lugares públicos). Viu? Não foi tão difícil, vou transar bem mais rápido que imaginava, eu só precisava achar alguém que morasse sozinha pra facilitar tudo. O único alerta que essa primeira vez me deu foi que eu não gostei da experiência, e eu to acostumado a não gostar de saídas sociais/fingir ser normal, passo por isso a vida inteira, mas acho que por essa vez ter aprofundado mais na minha intimidade acabei odiando mais do que uma simples ocasião social.
Sai com a segunda um tempo depois e essa era bem mais quieta e tranquila que a primeira, com essa não rolou nada e eu não fiquei tão desconfortável, depois percebi que foi porque foi basicamente um rolê que eu tenho com meus amigos, daí o nível de conforto foi proporcional a isso e não a de ir pra trocar saliva com uma mulher. Essa segunda era espetacularmente linda apesar de não parecer tão interessada como a primeira (que também era bonita!). A partir daí eu percebi que tava fácil demais e decidi tentar ser mais criterioso a fim de achar uma mulher bonita que fosse transar comigo sem as frescuras sociais, porque meu pau tava mandando em mim.
Enfim, achei uma mina com 28 anos que tava querendo, marquei um pouco antes das minhas aulas começarem mas tive que dar uma adiada por um problema, porém o encontro nunca de fato aconteceu pois por ironia divina, o corona estourou e a pandemia começou. A partir daí vou dar uma acelerada na história, pois desse início de março até hoje continuei acessando o tinder assiduamente quase como um vício de autoestima com a desculpa de treinar meu papo com mulheres, e sem intenção de quebrar a quarentena.
Fiz todos tipos de perfil possível (pedindo sexo na bio, super fofo, esquisito, descolado...) e dei match com todo tipo de mulher possível, tive várias conversas a ponto da minha habilidade social ter crescido bastante, porém acabei chegando no ponto de saturação mais que completa. Lembra quando eu disse que ia ser mais criterioso? Isso subiu absurdamente a minha cabeça a ponto de eu literalmente achar todas as mulheres do app feias ou indesejáveis de alguma forma, antes eu literalmente tinha uma certa luxúria por quase todas porém isso foi morrendo com as conversas. Porque eu começava a conversar no meu modo ultra social (quase um superego em esteroides) e levava uma conversa foda em vários lugares imagináveis, conseguia colocar as minas fissuradas em continuar a conversar comigo, me chamar pra conversar tomando iniciativa e tudo mais. Mas aí eu percebi que comecei a odiar as conversas, porque a dura realidade é que nenhuma mulher passa um tempo psicopata aprendendo a conversar com homens no tinder pra ter a conversa perfeita.
Isto é, apesar de eu tomar a dianteira, as conversas para mim começaram a ser absurdamente horríveis e pouco proveitosas, porque as mulheres em geral são seres humanos normais, que em sua maioria são completamente entediados consigo mesmo e desinteressantes. Deixou de ser sobre conquistar as meninas com a lábia das palavras para "Quero uma conversa interessante pra mim", e obviamente não encontrei ainda uma menina psicopata ao ponto de seguir o guia que eu descrevi, mesmo as boas de conversa batiam no meu ego me dizendo "nossa, se eu consegui isso com essa, talvez eu consiga algo melhor". Até agora eu consegui umas 5 meninas a tentarem me convencer a quebrar a quarentena com elas.
Olha a merda no que eu me tornei, esses últimos parágrafos são estreitamente das profundezas da minha mente, onde eu comecei a levar essas conversas de merda e encontros como achievements sociais. Que foi de certa forma como eu abordei tudo isso no começo sem perceber, quero transar porque sim, meu pau me ordena, quero perder o BV para poder falar livremente com as pessoas que eu já beijei (não gosto de mentir sobre isso e sempre admito o que sou sem vergonha quando o assunto surge em conversa com amigos) e não sou um completo inapto social por tentar e ser rejeitado. Finalmente me encontrei numa posição de poder e comecei a usar isso pra aumentar o ego pura e simplesmente, fui me tornando uma mina aleatória de only fan que coleciona macho que paga tudo pra ela (famosos simps).
"Nossa, que fanfic de adolescente retardado" pode passar pela sua mente, pois bem, a dose de realidade chegou para mim, porque apesar de não ser horrendo eu não sou nenhum modelo, então teve uma hora que eu basicamente bati no meu limite de beleza no tinder e a atenção que eu tava recebendo secou completamente. Comecei aceitando qualquer uma com um perfil super amigável e convidativo, pra aceitar até umas meninas que considero meio feias com um perfil mais interessante, pra começar a encontrar com meninas regulares/do meu nível pra até algumas mais bonitas com um perfil super esquisito (pra filtrar tipos de menina que eu não queria), e aí eu estagnei, ainda to um pouco longe do topo da pirâmide mais fui um pouco mais longe do que imaginava. Fui de perdedor de boas, para perdedor com um falso senso de poder, para perdedor carente que tentou voar muito perto do sol, tudo isso também por não gostar da ideia de correr atrás de mulher, parto do princípio que se a mina não tiver iniciativa pra vir falar comigo é porque pra ela não tem nada ali e já descarto de cara.
Eu basicamente sinto que estou passando, ao longo dos últimos anos, por um processo de alienação completo de relações sociais à lá ted kaczynski, e eu sinto que essa era uma das últimas barreiras que eu tinha pra quebrar: a do sexo oposto. Já tinha normalizado na minha cabeça a minha própria desumanização e completa insignificância, pra estender isso pra colegas/amigos/parentes, e finalmente sinto que estou me descolando do tecido dos relacionamentos, ou de mulheres no geral. O que eu achei mais perceptível desse processo foi que o meu "pensar com o pau" meio que se tornou temporário, antes eu poderia ter me masturbado ou não e ainda havia um certo desejo por mulheres, agora eu sinto que sou uma pessoa quando estou com tesão e quando não estou mais simplesmente volto a não dar a mínima pra estar com uma mulher (eu já não ligava pro aspecto de companhia da relação, agora então o sexual parece ter ido embora também assim que esvazio o saco), inclusive com algumas dessas meninas que encontrei cheguei a fazer chamadas pra ficar me masturbando e é mata conversa na certa, porque o meu tesão acumulado por aquela pessoa desaparece da face da terra com uma gozada e eu não consigo nem mais falar com ela. Não sei se já estou estragado pro sexo, porque tenho certeza que depois de transar o meu desejo vai ser ficar sozinho comendo uma pizza e ouvindo música.
Pra quem for comentar em nofap e parar de ver pornô, eu não me masturbo com tanta frequência ao longo do ano, inclusive já fiz no fap de 3 meses duas vezes (outra isca que não serve pra muita coisa), também quase não consumo pornô, minha libido é muito errática com a masturbação, posso passar um tempo me masturbando 3-4 vezes por mês (tendo muita ocupação e coisas pra resolver) para chegar uma sequência de três dias de vagabundo e me masturbar 4-5 vezes por dia, quantificando num ano passo longe de vício por punheta ou pornô.
O mais engraçado da história toda é que todo esse processo aconteceu com auxílio do isolamento físico da quarentena que me possibilitou a chegar nesse ponto de alienação sem nem transar ainda. To quase me sentindo como o androide no fim do Ex-Machina que vai pra sociedade viver como uma pessoa normal, visto que to bem perto de finalizar a faculdade, vou tentar arranjar um emprego, morar sozinho, e finalmente virar um adulto de fato, a única coisa que eu tava sentindo dever nesse quesito de amadurecimento era a parte de relacionamento, principalmente o sexo porque de fato eu nunca tive interesse em montar família com casamento/filho/cachorro/gato, nem a ideia de namorar me atraia já bem novinho justamente por desgostar dessa ideia do companheirismo, minha última esperança era transar, mas isso eu acho que nem faço mais questão de concretizar.
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2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
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2020.07.19 06:40 enzobuilder O Anão Melancólico, O Elfo Impetuoso

O Anão Melancólico, O Elfo Impetuoso
"Em Opath, todos temos uma melancolia. Algo que é maior que nós, que nos impede de viver felizes e nos lembra constantemente do nosso passado e nossas dádivas. Anões como eu foram amaldiçoados por um ser que tinha grande poder: um Dragão Vermelho. Agora tudo que produzo, cultivo e construo está fadado a virar pó. Armas quebram, laços se rompem.
Alguns sofrem com Ímpetos. Esse tipo de característica é um vício dado por seres mais fortes que criaram as outras criaturas. O ímpeto é algo maior que aqueles que o possuem, alguns não podem controlar. Outros, se mordem e se destroem procurando impedir que eles se realizem. Mas, já vi muitos elfo, gnomos e até Urodelos se deixando vencer por tão pouco.
A beleza é relativa. Os elfos podem achar belo muitas coisas, mas um tipo de beleza é o que chama mais atenção. Desde belas flores num jardim, até sangue derramado na calçada fazendo padrões e figuras estranhas. Elfos são estranhos, dizem que são aliens que viram para Opath. Não sei se acredito nisso. Sempre me dizem para desafiar o que foi escrito."
"Nos anões não vemos muita beleza nas coisas que acontecem na nossa vida. Somos obrigados a não criar relacionamentos com as coisas. Por isso, eu faço essa diáspora. A barba não pode crescer, o cabelo não pode estar ali. Mas como invejo todos esses Pequeninos, Humanis e Orcs com suas barbas trançadas, cabelos com exuberantes jubas. Queria poder ter cabelos para entrelaçar meus dedos, barba para acariciar quando estivesse em dúvida. Por que não posso nem ter isso?
Já havia cavado o buraco quando percebi que o machado estava sem fio. Tive que voltar até Alberich, comprar um machado furreco de três pilas e continuar a quinta diáspora do mês. Cortei o rosto com a lâmina, abri um corte no topo da cabeça e chorei em mais um diáspora pelas coisas que deixava para trás. Eu sou um péssimo anão."
"Meu pai devia me dizer algo sobre não fazer amigos. Ele não queria me ver desgraçando a vida de alguém, mas não não podia evitar. Qual o sentido de viver uma vida fria assim? Por que não podemos evitar essa certeza de que tudo que fazemos caíra ao pó? Foi por causa dos dizeres dum Dragão Vermelho? Cuspia no chão sempre que pensava na imagem daquela atrocidade. Dragões só acham que podem fazer o que quiser conosco por conta das Deusas não poderem descer aqui de novo. Se eu estou errado, que as quedas caiam em cima de mim!"
"Desde que voltei à Alberich e comprei o machado, tenho esse elfo atrás de mim. Ele me segue, me observa. Dia e noite, dia e noite. Quando ele cansa de me olhar, começa a escrever num livro. Ele não fala, não interage. Apenas fica ali, anotando e observando. Melhor assim. Gosto de companhia agradável e ele é chato. É um sistema de defesa bom. Assim não crio laços com ele e assim eu não me culpo por mais pó que jogo no mundo."
"Caminhava para a Espinha de Vorax. Sodori é a Capital mais próxima e preciso me encontrar com um barco para ir até Huma. Nunca fui para lá, e acho que nunca vou conseguir falar com ninguém de lá, os Sombrios me dão medo.
Enquanto eu andava pela estrada, percebia de canto de olho o elfo. Maldito era ele, que me seguia. Andava de capa que cobria o corpo todo, mas não parecia querer esconder as mãos que anotavam incansavelmente mais sobre o que quer que ele tivesse visto em mim."
"Na última lua comecei a questionar sobre a sanidade dele. Não era possível que ele não percebeu que eu era um anão numa diáspora. O que ele queria de alguém como eu?
Eu não tinha nada, mal tinha roupas costuradas, não tinha mais nenhum pila no bolso, então criminoso ou ladrão ele não era. Pensei se ele podia ser da acadêmia, mas não tinha porte de estudioso. Ele era magro por causa de fome, não tinha mochila, não tinha carroça... Pra falar a verdade, percebi que não tinha nem sombra."
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"Será prudente pedir para ele me explicar o que tanto escrevia nas folhas do livro? Não. Se eu falar com ele, do jeito que sou, posso fadar ele ao pó, como tudo que toco. Será que ele é louco? Ou será que eu sou? Me preocupei com ele e dividi um ensopado de água, terra e vegetais. Metade da panela foi monte a baixo, quando fui servir. O meu companheiro elfo achou engraçado e riu. Nunca fui bom com risadas."
"Durante aquela noite, nós conversamos sobre mim. Quando procurava saber mais sobre ele, desviava o assunto. Ele sabia no que se metia, mas ainda assim continuava a conversar comigo. Não tocou naquele livro pelo resto da noite. Achei que ele ia escrever o que eu dizia, mas não foi isso que ele procurava."
"Na manhã seguinte, partimos eu e o anão. O coitado foi ligeiro pegar a panela no pé da montanha e escrevi o que lembrava da última noite. Sentia medo do dia seguinte, pois criamos um laço enquanto o céu de estrelas nos abrigava."
"Seguimos indo em frente, o caminho não ia se encurtar se ficássemos parados. O elfo ficou a uma distância segura de mim, enquanto escrevia, novamente, naquele livro. Estava começando a nevar e subíamos um caminho estreito. Um ex-amigo Tatsunoko me falou dum caminho que eles faziam pela Espinha para chegar em Sodori, e assim seguimos por lá."
"Os flocos de neve faziam meu corpo tremer de frio. Estava ficando difícil de se mover. O elfo estava com a cara enterrada no livro, escrevendo e não percebeu quando um pedaço do desfiladeiro acima de nós começou a ruir e cair em cima dele.
Enquanto via, lentamente, aquela enorme pedra cair sobre meu companheiro, lembrei da frase que foi impregnada no nosso sangue. 'Agora tudo que vocês cultivam e amam está fadado a se transformar em pó. As armaduras, armas e ferramentas forjadas irão se quebrar. Os laços de amizade e amor irão se romper. Suas casas e lares irão ruir perante o tempo, pois tudo que vocês tocam e tem parte, se tornará pó.'
Não podia deixar aquilo acontecer novamente."
"É salgado sentir isso. Toda vez. Todos dia. Confesso que ao criar um laço com o elfo, prometi a mim mesmo ser como os Urodelos e proteger ao que me fosse importante. Prometi que como um Gnomo, colecionaria amizades. Prometi que como um Elfo, veria a felicidade na vida. Mas tudo isso. As promessas que fiz, viraram pó. Um pó amargo, seco. E como se eu lambesse uma pedra azeda eu chamei ela:
— Sombra.
— Olá, Senhor Anão. Me chamou?
— Sim.
— E o que quer de mim?
— Aquele elfo. Ele deve sair vivo daqui. Continuar vivo e ser feliz.
— E quer que eu tire ele dali? É algo fácil de fazer.
— Eu sei. Mas quem quer ajudá-lo sou eu.
— Não compreendo para que me chamou, então...
— Estou fraco. Não consigo salvá-lo a tempo. Eu dou a minha sombra inteira. Mas preciso ter certeza de que ele esteja à salvo.
— Temos um trato? A segurança dele pela sua sombra?"
"E rapidamente o anão surgiu na minha frente, num enorme salto feito junto às sombras do desfiladeiro. Empurrou-me para trás e caí longe do impacto. O que parecia uma enorme pedra caiu sobre ele e seu corpo sangrou até tingir a neve branca de rubro."
"E me deleitei com aquilo. A sensação era única e num prazer imensurável, usei o que podia para voltar escrevendo essa história."
"Como amo ver esses pobres coitados se esforçando para ser diferente, mas sempre acabando sendo iguais aos demais. São tolos, todos eles. Mas é isso que me deixa repleto de prazer. Pintei um quadro com a inspiração que recebi. Afinal, fui abençoado com esse ímpeto de achar bonito todo o sofrer das dadivas desse mundo de Op. Escrevo essas memórias de Pequeninos presos em Saletas, Anões em seus sofreres por relacionamentos e Kias presos se tornando corais. Escrevo tudo isso, pois sei, que quando eu abrir esse livro, só hei de me deleitar com tanta melancolia."

"Amo o gosto do agridoce"
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2020.04.12 22:56 Pomiwl Ninguém Precisa Saber Capítulo 3

III. O PRIMEIRO PASSO ANTES DA MORTE
Correram entre a grama perfumada pelo orvalho. Suas botas pesavam e afundavam no barro. Suas canelas mergulhavam-se em lodo. Sentiam cada gota de água escorrer de suas costas ao chão. Se aproximavam da casa do outro lado. Já não enxergavam mais a família de patos que ajudaram mais cedo. Agora, já podiam analisar de mais perto; as memórias surgiram na cabeça de Diana como um flash. Tentava lembrar-se do nome do homem que ali vivia. Era um amigo da família, mas não os viam com frequência. Lembrou-se de um verão passado, onde foram acampar naquele mesmo lugar, e suas feições confortantes brotavam à sua mente. Senhor simpático; vivia sozinho com seu cachorro. O ritmo de seus passos diminuiu. Apoiou-se em uma das paredes com sua mão — sentia como se seu coração a qualquer instante saltaria por sua boca. Sua respiração tornava-se mais leve. Não acreditava que esteve tão próxima da praga. Era realmente aquilo que tanto comentavam; e não poderia ser menos do que especulava-se. Olhando sobre os ombros, podia enxergar uma mancha cinza aceleradamente tomar conta da clareira. Sentiu os pelos do braço se arrepiarem. Levou a mão à porta de madeira e bateu levemente, ansiosa por uma resposta. Não demorou muito até que pudesse ouvir passos vindos de dentro. Aliviou-se ao ver o rosto do homem pela primeira vez em tanto tempo, e no momento em que seus olhos se encontraram e percebeu um sorriso surgir-se no rosto do senhor, lembrou de seu nome: August Moore. — Ora! Que surpresa agradável. Entre, entre, Diana. — impressionou-se com o fato de ter lembrado seu nome. Os cabelos grisalhos limitavam-se ao topo de sua cabeça, enrugada e parcialmente corada pela exposição ao sol. As mãos, cobertas por uma grossa luva de couro preto, ainda apoiavam-se na porta. O suéter cafona cobria uma grande barriga, apertada por um cinto à altura do umbigo.
Depois de um refrescante banho, Diana, ainda com seu cabelo molhado, sentou-se ao empoeirado sofá de Moore, bebericando uma xícara de chocolate quente que parecia aquecer seu corpo internamente. Khan também já estava limpo, com seus pelos completamente estufados — ele não parecia aguentar mais aquela massa de lama grudada ao seu corpo. — Então, não sabe onde seus pais estão... — levou o dedo dobrado à boca para limpar o resto da bebida. — eu realmente sinto muito. Queria poder te abrigar por mais tempo... mas esta desgraça já chegou. Referia-se ao vírus de forma desgostosa, largando a xícara sobre a mesa de chá balançando rapidamente a cabeça de um lado ao outro. — Sim. Deve mesmo ser difícil para alguém que sobrevive do plantio, como você. Inclusive, antes de tudo, gostaria de lhe agradecer. Estou perambulando por aí há dias. Mal posso descrever o alívio que foi ao ver sua cabana do outro lado do lago. — Não há de quê, minha filha. Tudo para ajudar uma das netas de Colress. Mas o que uma criança como você está fazendo por aí com um surto desses? — ela incomodou-se levemente com o uso da palavra “criança”. Para o que já tinha passado até então, não era mais uma criança. A citação do nome de seu avô, no entanto, a confortou. — Eu cometi um erro. Pouco antes do início de todo esse surto, não sei se soube, meu irmão desapareceu. — tentava não transparecer o remorso ao falar sobre aquilo. — Ele simplesmente não voltou para casa naquele dia. — Sinto muito em ouvir isso, minha filha. Só Deus sabe o quão boa aquela criança era. — tentava não reparar no quanto estava sendo insensível ao referir-se a Max como um caso perfeito. Ele não “era” uma boa criança. Ele É uma boa criança. Ajeitou-se no sofá, constantemente posicionando seu cabelo sobre a orelha. Khan, ao seu lado, observava com um único olho aberto o cachorro de Moore, Darius, que não se incomodava de dividir um espaço no divã. A luz da lareira aquecia sua pele e o som da lenha crepitando fundia-se à chuva que surrava a janela, coberta por cortinas com um reconfortante tom avermelhado. — Foi quando tudo começou a dar errado. Logo quando os primeiros casos apareciam na capital, a polícia arquivou a investigação sem mais nem menos, e ninguém pareceu ligar. Isso foi o que mais me perturbou. Até meus pais pareciam despreocupados demais com tudo aquilo. — evitou cruzar os olhares com Moore, que tomou um último gole de seu chá. — Deixe-me adivinhar... você, insatisfeita, decidiu fazer justiça com as próprias mãos? — repousou a xícara sobre o pires, provocando um agudo ruído quando as porcelanas se tocaram. Diana nada fez além de concordar, movendo a cabeça de cima para baixo. — Eu tava saindo da escola quando o sinal da evacuação começou a ser acionado. Não foi difícil me esconder em um beco qualquer com toda aquela multidão. Estava inconformada. Eu sabia que ia achar ele, tinha certeza, e eu sei, senhor Moore, que Max está vivo. — seu corpo elevou-se do sofá ao ritmo de sua voz, crescente conforme as lembranças vinham à tona. — E, desde então, não vi mais meus pais. E ainda não encontrei meu irmão. E, toda noite, antes de dormir numa barraca roubada de uma loja qualquer, eu me pergunto se fiz a decisão certa. Repousou de volta ao sofá. A testa suava como o estresse que liberava pelo peso das suas palavras. Moore nada vez além de rir e cobrir sua boca com os dedos. — Decisões são complicadas, não? Mas acho que o principal porquê de nos arrependermos tanto é não saber o que aconteceria se fizéssemos a outra escolha. Não minto que sua decisão pode ter parecido um pouco impulsiva, mas e se você realmente tivesse ido juntamente com seus pais? Será que um dia realmente encontraria seu irmão? Eles estão tão perdidos quanto você, e provavelmente se perguntando o mesmo. — ele respondeu com uma grandiosa segurança. A fez acreditar que não haviam decisões erradas. Nós fazemos nosso próprio destino, e nunca seríamos glorificados com o poder de enxergar além de seus erros, a ponto de ao menos ter a chance de considerá-los erros. Ela fitou a xícara cheia do chocolate quente. Sua mão tremia levemente; adrenalina. — Mas e você? — ela ao menos esperou uma reação por parte do senhor. — O que você teria feito? — Sabe... esse é o desafio da sociedade. A dificuldade de ser empático. Não posso julgar o que teria feito na sua situação, porque nunca passei e nunca passarei por cada simples detalhe que te levou a resistir aos chamados de evacuação. Todos vivem dizendo para nos colocarmos no lugar dos outros, mas cada um tem uma percepção diferente de tudo. Se eu me colocasse no seu lugar, pode ser que minha vivência tivesse me levado à outro destino. Mas será que isso realmente importa? Ela refletiu. Moore era sábio. Era o tipo de pessoa que, para cara pequeno pensamento, tinha grandes palavras — mas a forma que falava só a intrigava cada vez mais. Era como se deixasse um espaço para suas próprias relações. Ela o admirava por isso. Não disseram uma única palavra até o mútuo “boa noite”. Ele ainda mantinha as longas luvas de couro negro cobrindo as mãos. Diana foi à frente, dando as costas à sala e seguindo pelo corredor, até que ouviu Moore dizer algo pela suas costas. — Espere. — ela virou-se para ele, parando seu passo de supetão. Seu silêncio repentino traduzia como um “o quê?”. — Eu teria feito o mesmo que você fez. Ela sorriu de imediato. Ele retribuiu. Aquilo a tranquilizou — se Moore, que provou-se sábio, concordou com sua atitude, então ela podia não estar tão errada quanto achava que estava. Até o quarto de hóspedes, manteve os dentes à mostra. Os lábios secos, o gosto do chocolate ainda na boca. Moore, no entanto, não foi ao seu quarto. Deitada, registrou no diário toda a conversa que teve com o homem. Khan já dormia sobre sua barriga, ronronando levemente até que apagasse a luz do abajur empoeirado sobre a mesa de cabeceira. Pegou o gato e o ajeitou ao seu lado, levantando-se para servir alguma água para si. Com passos leves sobre o assoalho, dirigiu-se pelo corredor até a cozinha. A porta do quarto de Moore estava fechada, mas ali estava ele, de pé apoiado ao balcão. Um estranho sorriso aberto. Os olhos estavam vazios. Não se mostrou em momento algum, apoiando-se na parede do corredor. Ouviu o barulho da gaveta a abrir e, em seguida, de metal batendo contra o granito, quase como um talher caindo sobre o prato de porcelana. Aquilo não lhe parecia comum. Espiava de vez em quando para saber o que o homem fazia, e arrepiou-se ao ver com o que mexia. Tateava um cutelo; a lâmina quase que com o tamanho de sua cabeça. Pela primeira vez, a visão de suas mãos, descobertas pelas pesadas luvas, a assombrou; estavam lívidas. Brancas como o rosto de um cadáver. A pele em putrefação. Arrastava os dedos contra a lâmina, abrindo buracos ao longo das mãos, mas não tinha qualquer reação de dor. O sangue vazava preto e secava rapidamente contra a pele, como uma pedra. As gotas, de tão pesadas, podiam ser ouvidas surrando o assoalho como a chuva caía sobre as janelas, cobertas por cortinas. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas não gostava daquilo. Continuou esfaqueando a própria mão, esbanjando os dentes atrofiados. Pelo nariz, começavam a escorrer gotas de sangue que petrificavam-se imediatamente. As manchas cinzentas das mãos agora já haviam alcançado seus ombros. Era a praga. O coração de Diana quase escapou de seu peito, debatendo-se contra o chão. Fechava os olhos e só podia enxergar aquela mesma cena, como se as mãos ensanguentadas por um elixir de carvão penetrassem sua mente. Ficou tonta, mas não podia ser vista. A praga era ainda pior do que imaginava. Podia ver as veias ao longo de seu braço contra a pele fina, todas negras. Entrou em estado de negação. Forçou o corpo contra as tábuas da parede, sacudindo o rosto e gritando para si mesma. Como tudo de ruim poderia acontecer tão de repente com ela? Há dois minutos, estavam juntos servindo-se de bebidas quentes e conversando sobre suas decisões. “Eu teria feito o mesmo que você fez” soava em sua cabeça ao tempo todo, emergindo na poça de sangue negro que formava-se no chão. Ela não podia o ajudar. Ninguém podia. O único que conseguia fazer era engolir seus soluços de desespero. O cutelo já estava desgastado de ser batido contra os ossos do senhor, atravessando seus músculos em uma chuva de escuridão. Por que ele estava fazendo aquilo? Foi quando lembrou-se de algumas palavras que ouviu do rádio em sua casa, no dia anterior à sua fuga de Lyrion. “...Os principais sintomas já identificados são a presença de manchas pretas na pele e comportamento agressivo e, pouco depois, o indivíduo morre.“ Era isso. Moore estava prestes a matá-la. Em que momento a praga tomou conta de sua lucidez? O vírus já havia dominado seu corpo durante a conversa dos dois? Ela devia seguir os conselhos de uma marionete mortal, ou aquelas foram as últimas palavras de Moore antes de ceder sua mente à alucinação total? O conceito de sua lucidez já havia embaralhado-se na sua cabeça. Ela não queria acreditar que Moore havia sido corrompido completamente, a ponto de afetar sua própria mente e o transformado num psicopata. Foi quando percebeu que a sorte não estava ao seu favor. Era o primeiro lugar em que Diana finalmente se sentiu segura. O que mais a preocupava não era simplesmente que o homem iria tentar os assassinar — mas sim, que ele morreria em pouco tempo. Era apenas um senhor, ele não poderia fazer muito contra a jovem e ativa Diana. Ela sabia que aquele não era o Moore que ela conhecia, ele havia sido corrompido, não era sua culpa. Mas, sem escolhas, ela teria de fugir — novamente. Sentiu a adrenalina no seu sangue, como um sedativo para seu medo. Parou de martelar a faca contra si mesmo e partiu ao corredor, erguendo a lâmina que brilhava à luz da lareira, como um presente de despedida do mundo. Contornou o caminho do balcão. Ele havia a encontrado. Sabia que aconteceria uma hora ou outra. Parou seus passos pesados no instante em que viu a jovem encolhida, mostrando apenas um dos olhos contra os braços. Estava ainda pior de perto. O sangue vazava pela ponta de seus dedos em um gotejar periódico de desespero. O líquido percorria seu caminho desde o alto do antebraço, formando um rio de carvão até a palma das mãos, onde encontravam os ferimentos feitos por si mesmo. Os olhos estavam completamente brancos e vazios, como se estivesse cego. Os dentes estavam manchados pela lágrima escarlate. Por um instante, pareceu tomar um gole de sua sanidade, forçando-se numa batalha interna contra a doença para pronunciar alguns balbucios, quase que inaudíveis: “Corra.” E tomou de volta a sede de sangue. Já não havia mais “Moore”. Era apenas o escravo, uma carcaça vazia, que não partiria de seu corpo até que tirasse outra vida que não a própria, usando as mãos sujas de alguém que soava tão puro. A visão era de um filme de terror. Achava que estaria pronta quando cruzasse contra um dos dominados durante sua jornada, mas não estava. O desespero não era forte para mantê-la de pé, ao menos o suficiente para fugir. Retomou os passos. Podia senti-los dentro de sua cabeça, como se sapateassem em seu cérebro e sugavam sua vitalidade — a mesma que contava para conseguir sair dali o mais rápido que pudesse. As costas apoiadas no chão, encarando o senhor que parecia bem maior e amedrontador com sangue ao invés de café manchando seus lábios. Estava prestes a vomitar — a comida revirava-se no estômago. A primeira facada que disferiu erroneamente contra seu corpo cortou a tensão do ar, como se estivesse cego pela sua própria alma. No fundo de seus globos oculares, enxergou um pedido de ajuda. — S-Senhor Moore, me escute... eu sei que você está em algum lugar aí dentro... — engasgou-se com as palavras, poucas eram para descrever o que sentia. Não sabia o porquê de achar que aquilo funcionaria. — Por favor, acorde. Você não precisa fazer isso. Você é mais forte que a praga. Por favor... Os sentimentos atropelavam-se em uma mescla de medo, desespero, horror e tristeza. Por onde saía o sangue em Moore, em Diana, saíam lágrimas. A marionete não reagiu às súplicas e guinchos da garota, avançando contra seu corpo prensado ao chão como um zumbi. Pensou em fugir. A janela de seu quarto era alta demais; mesmo sem tentasse correr, não daria tempo de escalar. A porta de saída estava logo atrás de Moore, e o corredor estreito não colaborava em facilitar sua passagem rápida. Parecia que tudo estava planejado para que ela fosse atacada. Estava presa em um ciclo de seguidos calafrios; a respiração ofegante se tornava cada vez mais rápida, assim como o palpitar de seu coração. Dizem que, quando você está prestes a morrer, pode enxergar toda a sua vida passando pela frente de seus olhos, como um presente de despedida do destino, para compensar o seu mergulho ao desconhecido. Isso não aconteceu com Diana. Talvez como um prelúdio do que viria a seguir. Do contrário, passou pelos seus olhos uma visão abençoada. A visão de como teria sido sua vida com Max, e sem a praga. Uma troca equivalente; pelo menos para a balança de sua moral. Fechou os olhos por um instante e, no momento seguinte, pôde sentir o calor da lareira de casa acesa. Na televisão, assistiam desenhos animados juntos e comiam marshmallows, enquanto seus pais cozinhavam juntos na cozinha. Sentiu as lágrimas do rosto secarem junto com a brisa refrescante que vinha da janela. Olhou para o lado. Max sorriu para ela. Ela sorriu de volta. Como um balde d’água fria, a realidade trouxe Diana de volta do seu labirinto de devaneios. Não havia mais Moore. Ele já havia morrido há tempo; apenas seu corpo sobrevivia. E, agora, ele também era consumido. Eram apenas os dois. Ela, e a personificação daquilo que tirara toda a possibilidade de não viver em um futuro incerto, em que acordava todos os dias sem saber se haveria comida no dia seguinte; ou se ao menos sobreviveria até lá. Aquilo não podia acabar. Já tinha ido longe demais, mas não o suficiente. E não pararia de lutar pelo seu objetivo até que se visualizasse ali novamente; em um lugar que poderia chamar de lar, sem o medo de ter perdido tudo que construiu no dia seguinte. Era sua chance de mostrar que Diana Evolwood era mais do que uma garota da cidade com uma decisão estúpida e um desejo irreal. Diana Evolwood era bem mais do que a própria sabia. E só poderia fazer isso empunhando uma faca em mãos e expondo-se ao perigo de um confronto, ou sucumbindo em uma eterna ilusão que nunca se concretizaria se não quisesse lutar. O mundo já não era mais o mesmo. Mas não sabia se conhecia o mundo o suficiente para afirmar isso. Levantou-se. As mãos raladas e trêmulas, mas com uma missão. Só precisava achar uma forma de ir até a cozinha e ser rápida o suficiente para achar uma faca. Podia tentar fugir, mas isso não seria honrar todo o caminho que percorreu até aquele momento. De fato, era como se tudo aquilo houvesse sido armado para que fosse atacada; mas, como um sinal do universo para não parar por aí, porque ainda tinha uma lição para mostrar ao mundo e provar seu valor. E não faria isso abrindo aquela porta e correndo para um lugar longe o bastante para que não pudesse ser vista. Dentes cerrados, bem como os punhos. Franziu o cenho e tentou concentrar-se em seu objetivo. A missão era passar pela marionete — não conseguia imaginar “aquilo” ainda como Moore — e arranjar algo afiado o suficiente para fazer com que os ferimentos auto-infringidos por ele parecessem brincadeira de criança. Talvez isso fosse outro ponto a analisar antes de uma investida — ele já não sentia mais dor por conta da adrenalina. Diversos cortes no braço não foram páreos para detê-lo. Se ela, que nunca havia utilizado uma faca para ferir alguém conseguisse ao menos alcançar a cozinha, já estaria de grandessíssimo tamanho. Mas ela não tinha a noite toda. A marionete carregou a mínima força qua ainda potencializava no fundo do organismo do homem, como um parasita, e a desferiu lateralmente contra a garota. Sentiu a lâmina percorrendo o caminho de sua garganta, como se cortasse uma folha de papel; a prova que, mesmo com um ataque errôneo, podia sentir cada músculo de seu corpo em negação à estúpida decisão que havia feito. O vento provocado pelo movimento rápido a deu calafrios, selando o espaço entre seu queixo e seu pescoço com um ataque decisivo e, por pouco, não certeiro. Não era o suficiente para fazê-la desistir. Um passo atrás do outro, alcançou a porta do quarto de hóspedes, onde Khan ainda repousava, como se esperasse seu carinho na nuca habitual antes de dormir. Ingênuo animal. Sua pata repousava sobre o seu caderno; a caneta largada sobre o couro. Se não poderia alcançar a cozinha e arranjar uma faca, talvez uma caneta desse conta. Esticou seu corpo contra a cama, caçando o objeto com as mãos, sem tirar os olhos de Moore. Khan espiou até onde o limite de sua visão alcançava: não o suficiente para notar que estavam em perigo. Finalmente, catou o objeto, a ponta ainda vazando tinta preta, que mal se distinguiria de todo o líquido que vazou de seu corpo. Retomou a posição no confronto. Moore aproximava-se, exibindo seus dentes, sorridente como uma criança num parque de diversões. O cutilo jazia sobre a mão direita; era a mesma posição de ataque das últimas duas vezes. Às vezes, uma qualidade pode ser bem mais útil do que uma faca. Duas facadas errôneas foram o suficiente para notar um padrão, que não faria sentido de alterar-se num terceiro golpe. Erguia a lâmina no ar, mais ou menos na altura do nariz, e atacava de cima para baixo, da direita para a esquerda, de forma que um acerto no pescoço seria suficiente para tirar a vida do oponente. Não era uma doença estúpida. Esperou o momento certo. Viu o homem erguer o cutilo ao ar, a mão mole como a de um defunto; era como se tivesse encontrado uma ruptura — uma brecha — entre seus já previsíveis ataques. O corredor estreito acabou ajudando-a em algo, restringindo o espaço de movimento de Moore e facilitando que desviasse sob seu braço, pronto para desferir um ataque mortal. Mortal seria se Diana estivesse no mesmo lugar em que estava há algumas frações de segundo. Como um esgrimista, pôs-se de pé, à altura da nuca do homem. Esticou seu braço sobre seu ombro e, sem um alvo específico, forçou a caneta em sua própria direção, cravando-a na cavidade ocular de Moore. Ele pôde ao menos não ter sentido dor, mas a força e o ódio com o qual forçou o objeto contra seu olho direito foram o suficiente para levá-lo ao chão por um instante, o cutilo lançado pelo assoalho, deslizando pelas tábuas até o fim do corredor. Finalmente pôde ver o estrago que havia feito. A caneta, ainda presa, estava coberta daquele sangue putrificado; o resto de seu rosto, dividido pelo nariz, tornou-se uma piscina de lágrimas ácidas, pus e uma chuva escarlate, como um chafariz. Ele não manifestou qualquer expressão. Ela, um sorrisinho de canto de boca. Mas não era como se houvesse acabado. E soube perfeitamente disso quando ouviu grunhidos próximos à sua perna e uma dor aguda na panturrilha. Era Darius, o cão — os dentes afiados contra sua pele, atravessando o tecido de sua meia-calça, já completamente rasgada. Quase não sentiu o desconforto até ver seu próprio sangue espalhando-se pelo seu focinho e face, tingindo seus pelos de um tom escarlate. Recuou, tropeçando entre seus próprios passos. Já havia voltado ao seu pequeno e intocável casulo de inquietação e desespero, abraçando as canelas, como se aceitasse seu destino. O cão não desgrudou até que o empurrasse — ainda se preocupava em o machucar o mínimo que podia. Não era culpa dele. Ela havia acabado de cravar uma caneta na porra do olho do melhor amigo dele. Ele só estava sendo leal. Não merecia o maltrato. Afastou-o com chutes contra o assoalho, provocando um incômodo barulho que foi o suficiente para que o animal recuasse e aninhasse entre os braços do dono. Suas patas cobriam-se do sangue negro. Moore levantou-se, a caneta ainda presa ao seu corpo, como se fosse apenas um acessório. Darius rapidamente lambeu suas pernas ensanguentadas, abandando o rabo de um lado para o outro, agradecendo por seu amigo ainda estar “vivo”. Moore chutou-o na costela, jogando-o contra a parede. O animal chorou, mal conseguindo andar. Diana encheu-se de rancor. O ódio que corria em suas veias transformou-se em uma rápida hiperventilação. Gritou o mais alto que pôde. Tentou confortar o animal, que ainda tirou forças para morder sua mão e correr na direção contrária, até a cozinha, driblando a marionete. Ela não pegaria o cutilo; estava coberto de sangue. A chance de acabar se contaminando era grande — talvez aquilo fosse uma estratégia exatamente para isso. Agora, já não tinha mais sua caneta, sua panturrilha não a permitia correr e aquilo que poderia ser sua única saída foi uma armadilha. Não conseguiria sair viva dali sem uma ajuda que fosse. Moore começou a caminhar a caminho da garota, que tinha suas mãos cheias do próprio sangue, tentando estancar desesperadamente seu ferimento. Soluçou em seu canto. O universo tinha dado-lhe uma chance. E ela a desperdiçou tentando provar que poderia lutar por si só. Acima de tudo, sentiu-se incapaz; havia falhado. E Max, em algum canto do mundo, estaria chorando, pedindo por ajuda — isso se ainda estivesse vivo. Qual era a chance de um dia reencontrar sua família? Realmente acreditava que conseguiria sobreviver e ir longe o suficiente para salvar seu irmão? Uma garota da cidade que tinha a vida perfeita; pais que se preocupavam e um irmão atencioso. E agora, seria apenas mais um número para as vítimas da chacina da praga. Podia imaginar seu corpo coberto das manchas pretas que vira no momento em que Moore tirou suas luvas. Tudo aconteceu rápido demais. Sentiu seu corpo sendo coberto pela sombra do corpo da marionete. Esperou o momento. Enganou-se com o pensamento de que não temia a morte. — Senhor Moore... você também? Ouviu o ruído da porta de madeira úmida se abrir com um rangido, a maçaneta se chocando contra a parede. Uma voz desconhecida. Seu coração bateu mais rápido e, por algum motivo, aquilo chamara a atenção do homem, que virou a cabeça em um instante, sem mover o corpo. Eram dois garotos; um maior, empunhando uma espingarda que parecia levemente mais pesada do que aguentava. Ao lado, outro, que aparentava ter a mesma idade de Diana, segurando um estilingue. Aquela estava longe de ser a última visão que a garota teria antes de morrer, e soube disso quando escutou o estampido do disparo e Moore caindo sobre seus joelhos. Em sua testa, um buraco que permitia a visão de seu cérebro negro. Sangue voou contra seu rosto. Estava paralisada, quase como se tivesse se tornado pedra. A boca aberta, os dentes de chocando com a mandíbula trêmula. Ela arrancou a caneta de seu olho direito, ensopada de sangue. O homem ousou levantar seu braço mais uma vez, mas sucumbiu aos braços da morte quando, em um golpe final, Diana cravou a caneta de volta em seu coração. Sentiu o interior de seu corpo retorcendo e desinflando como uma bexiga. Estava viva. E acabara de matar um homem. — Você está bem?! — disse o mais novo, correndo em sua direção, fazendo o assoalho se retorcer a medida de seus passos. — S-Sim... — ela respondeu. Não havia entendido o que acabara de acontecer. Para ela, a qualquer instante, acordaria de um transe em que ainda estaria sentada naquele sofá, agora coberto de sangue. Ele estendeu a mão para ajudá-la a se levantar, notando sua dificuldade e a marca dos dentes de Darius em sua perna. — Puxa, a coisa tá feia. Vamos te ajudar, não se preocupe. Só precisamos que aguente até que cheguemos à nossa vila... não é muito longe daqui. — sua tentativa de fazê-la manter a calma funcionou. Não se preocupava mais. Olhou no fundo de seus olhos, que lembraram a lua cheia que brilhava do lado de fora das janelas cobertas pelo líquido negro que vazara do corpo do senhor. — Eu sou Bruce. E meu irmão mais velho é o David. Precisa confiar na gente. — ele sorriu, levando a cabeça de cima a baixo rapidamente. — Você é...? — Diana. Diana Evolwood. Vim de Lyrion... — Lyrion? Caramba. Você vem de longe. — o nome da cidade chamou a atenção de David, que olhou de relance enquanto examinava o corpo jogado em meio ao corredor estreito. — O que você veio fazer nesse fim de mundo? E, principalmente, no meio do surto? É perigoso. Onde está a sua família? Ela não respondeu. Seu silêncio bastou para que ambos compreendessem o que havia acontecido. — Certo. Diana, não? Não quero te preocupar, mas se não cuidarmos de seu machucado, você pode adoecer. Venha conosco até Mouneet Town. Há comida e medicamentos. — Muito obrigada... mesmo. Se não fosse por vocês, eu estaria morta. — suas palavras pesaram. Seus soluços começaram a transformar-se em lágrimas. — Tudo aconteceu tão rápido... há alguns minutos, estávamos ali, sentados naquele sofá, e de repente ele ficou louco e tentou me matar, e... — Não precisa agradecer. Nós nos oferecemos à comunidade em que vivemos para fazermos pequenas rondas durante a noite. Seu grito nos chamou a atenção... — Foi só uma pena que o Senhor Moore tenha sido contaminado. Era um bom homem. — continuou David. — Você pode nos explicar melhor o que aconteceu no caminho. Levantaram-a, apoiando seus braços nos ombros dos garotos. Darius não se moveu, chorando sobre o corpo de seu dono. Khan correu ao encontro dos rapazes, dando de cara com as paredes ensanguentadas e Diana machucada. — Khan... que bom que está bem... Seus olhos começaram a fechar lentamente. Sua voz atrofiou-se e seus batimentos cardíacos tornaram-se menos recorrentes. — Diana, você está bem?! — Deve ter desmaiado. Já passou por coisas ruins demais em apenas uma noite. Ela deve ter um bom motivo para ter vindo de tão longe para cá. — David pareceu mais calmo, acostumado com situações de tensão como aquela. — Eu posso carregá-la. Pegue seus pertences e leve seu gato. Se ela sobreviveu tempo o suficiente sozinha com um dos dominados, usando apenas uma caneta como arma, então ela aguenta um machucado na panturrilha. Posso dizer que ela é forte. Bruce sorriu, indo em direção ao quarto de hóspedes e levando apenas seu diário — foi o que encontrou. — David! Olha o que eu achei! Um diário... talvez pudéssemos entender o que aconteceu se déssemos uma olhada. — Não, Bruce. Invadir a privacidade de pessoas não é legal. Podemos perguntá-la amanhã, quando já estiver melhor, e só saberemos do que precisamos saber. — Tá bom... — ele fechou a cara, mas compreendeu. — Vamos. Banharam-se à luz do luar, todos em uma fila. E, desde o momento em que trocaram a primeira palavra, Diana soube que tudo estaria bem na manhã seguinte. Não era um sonho. Mas também já não sabia mais se era um pesadelo.
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2020.04.10 08:37 Pomiwl Ninguém Precisa Saber Capítulo 2

II. MUITA COISA MUDOU
A luz da lua banhava, junto das milhares de estrelas que a acompanhavam numa imensidão negra, a copa das árvores da Floresta de Mouneet. Deslizando morro abaixo, por entre árvores e arbustos, uma vasta clareira expandia-se ao centro do local. Diana observava o céu — aquele grande poço de tinta escura, manchado apenas por pintas pontilhadas, com o tom de branco tão puro quanto as asas de um anjo. Algumas nuvens cinzentas voavam acima de sua cabeça, acompanhadas de corujas e corvos que encontravam seu caminho de volta para casa. Era a hora dos predadores atacarem. E, mesmo assim, parecia mais bela do que nunca. A garota tornou a folhear a caderneta que segurava em suas mãos. Apoiava suas costas em uma das pedras que espalhavam-se pela clareira, com tamanhos que variavam com constância. Não era confortável, afinal; mas era o que a natureza a disponibilizara no momento. Estava lá, sozinha, sem rumo, sem caminho. Sem qualquer guia, apenas as estrelas que indicavam o caminho ao distante norte. Ajeitou seus olhos com o dedo indicador, os deslizando por seu nariz até que estivesse na posição adequada, cobrindo suas sobrancelhas ruivas como o seu cabelo, vermelho como ferrugem ou como a chama ardente da pequena lareira que crepitava a sua frente. Esticou as pernas por debaixo do cobertor que carregara de sua barraca até o local, para que ficasse mais próxima de sua única fonte de luz e para que pudesse ler suas anotações antigas. Reluzindo a capa de couro negra, as indicações “este diário pertence a Diana Evolwood”, em auto-relevo. Ela inclinava sua cabeça levemente para frente para que pudesse ler o título de cada dia que passara em sua vida, onde registrara tudo que havia acontecido. Às vezes, gostava de relembrar o tempo quando ainda tinha alguma companhia além de Khan, seu fiel gato, que no momento descansava dentro da barraca. Passava os olhos sobre o título de cada dia do diário. “O dia em que fomos acampar”, “o dia em que fomos ao parque de diversões” eram algumas das diversas memórias que vinham a sua cabeça, vívidas como se houvessem acontecido no dia anterior, apesar dos diversos meses que haviam passado desde que tudo aconteceu. Continuava folheando até que deparou-se com uma página em branco, apenas com um largo título no topo da página amarelada. “O dia em que tudo acabou” diziam as letras marcadas por uma tinta preta que manchou levemente o papel. Rapidamente, tornou-se insegura, como se tivesse sido emergida em pura tensão e horror repentinas, seguidos de alguns soluços breves. Por algum motivo, mesmo relembrando todos os dias daquela vazia página, não esperava a encontrar folheando aleatoriamente a caderneta em busca de algumas memórias agradáveis que a fizesse se sentir um pouco mais segura. O coração da jovem acelerou, e ainda mais lembranças vieram à tona. Dessa vez, não era aquele mesmo bom sentimento de nostalgia ou conforto. Era dor. Dor, angústia e desespero. Seus olhos arregalaram-se e, por mais que tentasse lutar contra aqueles pensamentos, não pôde evitar que algumas lágrimas se acumulassem por detrás de seus óculos. Diana encolheu-se, deixando a caderneta cair no chão, levantando uma poeira momentânea e provocando um curto ruído — o suficiente para despertar Khan, que levantou sua cabeça dentro da barraca. Ao menos, era o que sua silhueta através do tecido da tenda mostrava. Lembrou-se do conselho que recebera há algum tempo. “Deve lutar contra seus traumas, mesmo que pensar neles já seja doloroso.” Inspirando um pouco de ar pelo nariz e fungando, recolheu as lágrimas e ergueu novamente seu corpo contra a pedra. Este era o motivo pelo qual estava lá. Não poderia deixar que tudo fosse em vão. Olhou para o céu novamente, que não havia mudado nem por um instante. Qual era o propósito daquilo tudo? Uma garota de sua idade deveria estar na escola, como qualquer outra adolescente. A escuridão costumava a assustar, mas, após conviver com ela por tanto tempo, passou a se sentir segura emergida em um poço sem fundo, onde nada podia ver além de um abismo de incerteza. Este era seu futuro. “Um abismo de incerteza”. Recuperando seu fôlego, pegou seu diário e limpou sua capa de couro com a outra mão. Agora, era sua mão que estava coberta de poeira. Deixando apenas uma única lágrima cair sobre a folha, leu em voz alta um anexo preso à página — uma passagem de jornal, que exibia a imagem de um garoto que se parecia muito com a própria Diana. — “O desaparecimento de Max Evolwood”. Sua voz estava ainda mais rouca do que antes, e suas pálpebras quase caíram sobre os olhos do peso de várias noites mal dormidas que carregavam. Fitou a clareira onde se encontrava. Assegurou-se de que estavam completamente sozinhos. Catou o primeiro graveto que viu a sua frente e jogou sobre o fogo, fazendo com que resquícios de brasas passadas voassem ao alto por um instante e, em pouco tempo, irrompeu-se em chamas, bem como as demais lenhas. Ajoelhou-se na terra, guiando seu corpo pelos seus braços, que encontraram o zíper que fechava a entrada da barraca. Abriu-o, deixando a claridade da lareira invadir o local, que estava bem mais quente do que o lado de fora. Khan estava lá, encolhido, mas ela mal prestou atenção em seu amigo. Carregando seu cobertor que arrastava-se completamente pelo chão, acumulando certa quantidade de poeira e sujeira — fato com o qual ela não parecia se importar — em sua ponta. Levava a caderneta abaixo de seu braço, coberto por inteiro por uma blusa de manga comprida com um delicado tom de escarlate, roupa que já usava há dias desde que havia deixado Lyrion. O teto da barraca era baixo, fazendo com que ela não pudesse se estabelecer de forma tão confortável mas, definitivamente, era bem melhor do que dormir lá fora. O tecido da tenda era esverdeado, camuflando-se entre as cores da floresta. Quando deitava no chão, podia sentir a grama e as pedras espetando seu corpo, logo abaixo daquela fajuta camada de pano. Mas, mesmo assim, o sono da garota era tanto que ela simplesmente repousou a cabeça sobre um amontoado de roupas velhas — que improvisaram como sendo um travesseiro — e fechou seus olhos, mergulhando em um sono profundo.
As luzes da sirene policial brilhavam sobre a parede branca da sua sala, irrompendo pela larga janela de sua casa com força. Diana havia acabado de acordar — o poderoso som provocado pela viatura parecia não ter perturbado somente à ela, mas a todo o bairro, que se reuniu na frente de sua cara para saber o que houve. Mas, a primeira coisa que notou quando abriu seus olhos foi a cama de Max, seu irmão, estava completamente vazia — os lençóis bagunçados, bem como os travesseiros brancos. A partir daí, já tinha um mal pressentimento sobre o que veria a seguir. Seguiu com os pés descalços até o corredor, provocando um irritante ruído quando abriu a porta. Ainda não estava completamente dispersa, esfregando os olhos com o punho fechado e bocejando. Passou por duas portas — o banheiro e o quarto de seus pais. Caminhou em direção à sala. À medida que se aproximava, começou a escutar algumas palavras soltas, interrompidas por soluços vindos de outra pessoa — sua mãe. — Nós daremos o máximo para encontrarmos Max, mas não garantimos nada — comentou um homem desconhecido, vestido com trajes policiais. Se deparou com dois homens que nunca havia visto na vida sentados nas poltronas da sala de estar, enquanto seus pais estavam sentados no divã. Rachel cobria seu rosto, com os cotovelos apoiados sobre as coxas, deixando escorrer lágrimas por seu antebraço. Ed a consolava, passando a mão por seu pescoço, mas também aparentava estar extremamente preocupado. — Acho melhor darmos um tempo para vocês conversarem. Continuaremos com as perguntas depois — finalizou, suspirando ao perceber a presença de Diana que, apesar de não saber exatamente o que acontecia, tinha suas suspeitas. Rachel levantou o rosto. Seu rosto estava inchado e vermelho, com lágrimas queimando em sua face. Estava claramente fraca, os olhos profundos de uma noite mal dormida. Parecia estar prestes a desmaiar a qualquer instante. Diana nunca havia visto sua mãe desta forma. Ela ainda utilizava seu pijama, molhado por pequenos pontos mais escuros que destacavam-se sobre sua blusa branca. Estava trêmula. Ed parecia tentar disfarçar seu choro, piscando frequentemente para livrar-se de suas lágrimas. Diana nunca entendeu, já que a sua vida inteira foi ensinada que você sempre deve demonstrar seus sentimentos, e que guardar tudo para você te faz mal. De uma forma ou de outra, também estava claro o quão preocupado estava. — Ah, minha filha... Mal conseguiu completar sua frase. O piso da sala, gelado, cobria o corpo da garota como um balde de água fria derramado sobre seus cabelos castanhos. Em pouco tempo, já soube o que havia acontecido. Sentiu como se seu coração parasse e saltasse pela sua boca, talvez em busca de um lugar distante onde não precisasse encarar o que estava por vir. E aquelas mesmas palavras ressoaram à sua cabeça, como um eco distante vindo do fundo dos seus pensamentos, claras como um trauma que carregava, e obscuras como o medo e a desconfiança que sentiu naquele mesmo instante, quando viu a boca de sua mãe repetir lentamente, tremendo os lábios: — Max está desaparecido. Em seguida, desabou-se sobre os braços do marido, que a reconfortou. Rachel, depois de gritar sem êxito por ter sua voz abafada por suas próprias mãos, levantou seu rosto contra a garota novamente. Porém, não era tristeza que expressava. Era raiva. Suas sobrancelhas franzidas e seus dentes cerravam denunciavam suas emoções. — Como pôde deixar que isso acontecesse, Diana? Max era seu irmão. Como não pôde o proteger? — disse ela, a ponto de berrar a qualquer instante. Seu rosto estava vermelho como um tomate. — Diana, como é imprestável. Seu próprio irmão... como pôde deixar que isso acontecesse? Você é a culpada aqui. Você falhou. — completou seu pai, que também a encarava subitamente, com os olhos sedentos. — M-Mas, eu... — ela estava confusa. O que estava acontecendo? Como poderia ser sua culpa? Sua mente carregou-se com um turbilhão de emoções em instantes. Ela havia... falhado? — Sem “mas”, garotinha. Você já tem idade o suficiente para ter consciência sobre seus atos. Você foi inútil. Não conseguiu fazer nada para salvá-lo. Max confiava em você, e agora? Está provavelmente morto. Você sabe que está errada, não ouse negar sua culpa. — se intrometeu o policial, tendo uma estranha energia, como se ele já a conhecesse. Levou a mão direita ao olho direito. Uma lágrima escorria pela sua face. Elevou sua mão esquerda ao olho esquerdo. Uma gota de sangue escarlate vazava de sua bochecha. Era como se uma entidade mexesse com a cabeça de todos ao mesmo tempo. Levantaram-se e foram-se em sua direção, esbanjando a mesma cara séria e de olhos arregalados, como num filme de terror. Se aproximavam lentamente, repetindo críticas ao comportamento de Diana em um tom aterrorizante, como se fossem a atacar. A cada passo que davam em sua direção, a encurralando contra a parede, o ritmo de seu coração também aumentava. Seus olhos demoravam a abrir novamente quando piscava. Não havia caminho. De repente, sentiu algo como um arranhão em sua face, seguido por um forte miado em seu ouvido. Piscou, mas não acordara dentro da sala de sua casa. Ainda estava dentro da barraca, e Khan cutucava seu rosto para que acordasse. Ela resmungou algo sobre ainda estar dormindo, mas ainda assim levantou-se.
Muita coisa havia mudado desde que saíram de Lyrion após a declaração da situação de extremo risco que sofria. Os feixes da luz do sol atravessavam o tecido da barraca. Sentiu o calor irradiar seu rosto em instantes. Seus olhos arderam com a brusca diferença de luminosidade. Catou sua caderneta antes de sair e começou a rabiscar o papel, formando alguns garranchos que, se apertasse bem os olhos, seriam legíveis. Sentiu o cheiro da tinta fresca da caneta quando começou a escrever. “Olá. Faz um tempo desde que não nos falamos, não é? Eu sei que eu meio que te abandonei, mas é que as coisas estiveram me ocupando bastante desde que a gente veio pra cá. Vou tentar te atualizar de tudo que rolou desde então. Depois daquela tarde em que nós colocamos o rádio para funcionar pela primeira vez, nós começamos a arrumar umas malas (aparentemente, não coloquei roupas o suficiente, já que to usando a mesma roupa há alguns dias). No dia seguinte, nós fomos em uma loja no centro da cidade que costumava vender equipamentos para acampar. Espero que me perdoe, mãe, mas nós meio que levamos algumas coisas sem pagar. Era uma situação de vida ou morte, tá legal? Um azar que eu não peguei uma daquelas barracas super chiques com espaço para oito pessoas. A essa altura, a que pegamos já tá toda rasgada. Triste. Nós decidimos vir para a Floresta de Mouneet, onde a gente costumava vir para passar alguns finais de semana. Era legal. Estamos estabelecidos nessa clareira há alguns dias. O alimento ainda tá meio longe de acabar, mas nós já estamos providenciando mais. Lembro de algumas frutinhas comestíveis que nós provávamos quando vínhamos acampar. Bons momentos.” A partir daí, sua caneta começou a falhar. Pegou a caderneta e a arremessou de volta para dentro da barraca. Estava mal-humorada. Calçou suas botas jogadas ao canto. Seu couro estava quase mofado e seu interior estava úmido — mas era melhor do que nada. Estava partindo em direção a um lago próximo da clareira, onde poderiam fazer sua higiene pessoal. Não negava que era uma situação completamente diferente de qualquer outra que já esteve. Era garota criada em apartamento, vida perfeita, família feliz. Mas estava disposta a fazer qualquer coisa se seu irmão dependesse de si. E era nessa situação em se encontrava. Então, enquanto não encontrasse seu irmão... Continuaria escovando seus dentes com a água do lago. Khan a seguiu, adentrando o mato. Suas patas estavam cobertas por uma mistura de lama com folhas secas. Era nojento. Cada vez mais, se aproximavam da grande concentração de água. O ar que respiravam era diferente do da cidade — era puro, leve, como se fosse libertador. Além das árvores, já podia ver o grande espelho d’água refletindo a margem do lago. Um milagre da natureza, de beleza indescritível. Uma família de patos cambaleavam até a borda, preparando-se para molharem suas penas. A mãe ia na frente, enquanto os sete pequenininhos oscilavam seus passos em uma fila. Era de longe a coisa mais bonita que já havia presenciado. Estampava essa emoção com sua boca aberta, mas ainda mostrando os dentes, sorrindo. Porém, algo lhe chamou a atenção. Algo se mexia por detrás dos arbustos, da onde saíam guinchos e choros. O barulho a causou comoção, que procurou saber da onde vinha. — Khan! Tá ouvindo isso? — ela deu um breve silêncio para que pudesse ouvir melhor. O som do vento chacoalhando os galhos das árvores a trouxe paz. O choro se repetiu. — Vamos! O gato pulou em meio ao amontoado de plantas e raízes, abrindo um rombo entre as folhas com suas garras. Diana impressionou-se com sua capacidade. Em meio às folhas caídas, surgiu o oitavo patinho perdido, que continuou a chorar. Algumas gotas de chuva começaram a cair contra o chão, levantando a lama que repousava, endurecida, sob seus pés. Seu coração se amoleceu ao ver que tinha sua pata presa à uma das raízes da planta, que parecia o machucar com força a cada movimento que fazia. Ele a encarava como se implorasse por socorro, mas ainda assustado com a presença dos dois. As gotas de água começaram a se tornar cada vez mais frequentes. — Ah, coitadinho... — ela acariciou sua cabeça com o dedo indicador, sentindo as penas amarelas como a gema do ovo em suas mãos. Seu bico achatado e rosado abria uma hora ou outra para continuar guinchando de dor. — calma, calma. Khan, você não pode cortar a raiz com sua garra. Vai acabar machucando ele. Vem, fica aqui bem atrás de mim. Eu tenho algo melhor para ajudá-lo. Do seu bolso de trás, catou a caneta que esquecera de jogar de volta à barraca quando começou a falhar. Com cuidado, a encravou entre a raiz e a patinha do animal, e começou a puxá-la para trás, lentamente rompendo as fibras. Finalmente, a raiz se partiu no meio, lançando uma seiva amarelada para toda a parte e quebrando o acrílico da caneta. Agora sim precisaria de uma nova. Sua camisa estava completamente ensopada e pesada, enquanto os pelos de Khan estavam caídos com a água. Ela catou o filhote em seus braços, o confortando e envolvendo seu machucado com uma parte de sua blusa para estancar um pequeno sangramento que se surgiu. Tomando cuidado com seus passos, o carregou até perto da sua mãe, que parecia mesmo procurar por algo enquanto os filhotes de refrescavam na água. Ela grasnou e chorou, até que Diana adentrou a clareira que cercava o lago, com Khan colado à sua perna. Um forte vento acompanhou as gotas de chuva, que começaram a atingi-los quase que na horizontal. Pelo amontoado de árvores e arbustos, pode ver além da clareira sua barraca, que chacoalhava fortemente. O pequeno pato alegrou-se em ver sua mãe. Com seu pequeno conhecimento sobre a lógica animal, não se aproximou da mãe, pois poderia a encarar como uma ameaça; apenas o deixou ao chão e, derrapando por não conseguir utilizar uma de suas pernas, voltou para sua família. — Sabe, Khan... — ela finalmente desviou o olhar do grupo de animais, que continuavam a se banhar no lago, felizes — acho que eu gosto de ajudar as pessoas. Nesse pequeno tempo... eu não pensei em Max, ou em meus pais em momento algum. Eu costumava só me preocupar com isso. Eu até sonhei com eles. Mas, eu não me sinto preocupada, ao mesmo tempo que eu acho que deveria estar, e... O companheiro olhava diretamente em seus olhos. Ele, geralmente, não gostava de estar sujo, mas não parecia se incomodar nem um pouco naquele momento. — Acho que é isso. — O olhar de Khan demonstrava sua confusão, mas ao mesmo tempo uma leve curiosidade. — É isso que eu quero fazer. Ajudar as pessoas. Ele abriu um longo sorriso e ronronou. — Mas... é hora de voltar à realidade. Olhando em volta, ela podia ver um pedaço danificado da barraca, carregado e destruída pela chuva. Ela se aproximou e segurou o grande pedaço de lona rasgada e suja de lama, presa a um grande tronco de árvore, cortado pela metade. O tecido era azul, e se desfazia quando Diana esfregava seus dedos entre o pano. Agarrado a ele, sua caderneta, completamente ensopada e suja. Pelo menos, isso conseguiu ser salvo. — Acho que teremos de achar outro lugar para dormir... Ela continuava examinando os pedaços arrancados da barraca, enquanto o pequeno gato olhava à sua volta. Tentou livrar-se com sua pata de algumas folhas que grudaram-se ao seu corpo com a aderência da lama já seca, que permanecia endurecendo seu pelo, cinza como as nuvens que pairavam o céu, e que ainda descarregavam uma massiva quantidade de água. Caminhou ao redor, desviando de pequenas plantas que nasciam por entre a terra, constantemente recebendo umidade daquele clima extremamente chuvoso. Subiu em uma grande pedra, que se alongava até as proximidades do lago. Já em sua ponta dura e afiada, Khan avistou, do outro lado do grande espelho d’água, uma pequena casa de madeira, iluminada pelo sol que ainda escalava dificilmente o céu, erguendo seu brilho em direção ao meio-dia. Parecia um lugar caloroso na percepção limitada do gato. Diana, acompanhando o amigo com o olhar, enxergou também a casa, onde poderiam pedir abrigo. Ela se sentou. Suas pernas ainda estavam cansadas e em constante dor. Seu coração permanecia acelerado. A menina observou o chão, onde algumas flores pareciam sofrer as reações do fim do outono e a chegada do inverno. Era uma rosa — um pouco desbotada, mas era como um símbolo de resistência. Ela arrancou a flor da terra, tomando cuidado para não se furar com os espinhos — ela deslizou para fora da lama lubrificada sem insistência. Ergueu suas pétalas. Seu rosto ficou lívido quando percebeu um pequeno detalhe, que a fez largar a rosa no chão — ela rapidamente se desfez em poeira. O caule estava cinzento. — Khan... — ela se afastou o mais rápido que pôde da flor que, no momento que tocou o chão, fez com que a pouca grama à sua volta também se tornasse cinzenta e podre. O forte cheiro de estrume também incomodou o olfato de Diana. — precisamos ir... rápido! O felino saltou do topo da grande pedra até o chão, caindo de pé. Parecia confuso, mas não hesitava em seguir sua fiel companheira. Deixou todos os seus pertences para trás, conseguindo levar consigo apenas sua caderneta, em que registrava cada dia que passava. Suas pegadas foram deixadas pela última vez naquela lama, que nunca mais seria tocada por uma alma viva. Estava trêmula, assustada. Em um segundo, todos os seus sentimentos de preocupação e ansiedade voltaram ao seu corpo, um por um. A assassina havia os alcançado.
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2020.03.28 03:40 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 5

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

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Novamente, eu ergo montanhas sobre montículos nesta parte e na próxima, presumindo que tudo o que fazem os homens do norte em Winterfell, especialmente Lorde Manderly, é suspeito.

O Norte: Homens Stark

Wyman Manderly, um Operador Sutil

Anteriormente, eu teorizei que Manderly poderia saber sobre Robb ter escolhido Jon para sucedê-lo como Rei do Norte de Robett Glover, que por sua vez ouve as notícias de seu irmão mais velho Galbart, desapareceu no Gargalo com Maege Mormont, ambos testemunhas do decreto de Robb (ASOS, Catelyn V). No entanto, Manderly jurou se declarar por Stannis caso Davos traga Rickon e Cão Felpudo de volta de Skagos? Rickon não seria redundante se Manderly pretendesse reconhecer Jon como seu rei?
A promessa de Manderly a Davos não é tão hermética quanto parece, para começar.
– [Wex] sabe para onde [Osha e Rickon] foram – Lorde Wyman disse.
Davos entendeu.
– Você quer o menino.
– Roose Bolton tem a filha de Lorde Eddard. Para impedi-lo, Porto Branco precisa ter o filho de Ned... e o lobo gigante. O lobo provará que o menino é quem dizemos que é, se Forte do Pavor tentar negar. Este é meu prêmio, Lorde Davos. Contrabandeie-me meu senhor suserano, e eu tomarei Stannis Baratheon como meu rei.
(ADWD, Davos IV)
Em primeiro lugar, observe que Manderly não especifica Rickon pelo nome, mas diz "suserano", deixando Davos concluir pelo contexto qual dos filhos de Ned ele quer dizer. Mesmo que ele não saiba nada sobre Jon, ele fica sabendo por Wex que Bran também sobreviveu ao saque de Winterfell. Sendo irmão mais novo, Rickon não pode ser Lorde de Winterfell antes de Bran, que não é desqualificado por sua deficiência (ou ser uma árvore!) E, até onde sabemos, não abdicou ou morreu. Então, com essas complicações, quem é o suserano de Manderly?
Em segundo lugar, Manderly não fala em nome de Porto Branco, mas em seu próprio nome. O que acontecerá com seu acordo com Davos, que não foi jurado aos deuses antigos ou aos novos, se Manderly morrer e seu filho, Wylis, o suceder como senhor? Manderly deliberadamente provoca os Freys em Winterfell às vias de fato durante o último POV de Theon. Sobre a morte de Pequeno Walder, ele comenta: “Embora talvez isso tenha sido uma bênção. Se vivesse, teria crescido para ser um Frey”. Especula-se que Manderly não espera voltar de Winterfell vivo, assim como os homens do clã que marcham com Stannis preferem morrer banhados em sangue Bolton do que para as adversidades do inverno (ADWD, O Prêmio do Rei). A palavra que Lorde Wyman deu a Davos, sobre a qual Wylis pode negar conhecimento com sinceridade, é nula e sem efeito?
O Norte está prestes a enfrentar o pior inverno de muitas gerações, com um gelado apocalipse zumbi pra completar, após a morte de milhares de homens na Guerra dos Cinco Reis, fortalezas e colheitas arruinadas pela ocupação inimiga, sem expectativas de ajuda do Trono de Ferro, absortos como os sulistas estão em seus jogos de poder. Não é hora para os garotos-senhores, que são a ruína de qualquer casa, mesmo segundo Roose Bolton (ADWD, Fedor III). No entanto, se Jon for rei, certamente não faria mal para ele ter um herdeiro, já que é improvável que ele traga o seu próprio, pois jurou não tomar esposa ou ter filhos.
Manderly é capaz de tais truques? De tal traição? Todo o incidente das tortas de Frey sugere isso, em minha opinião.
[Davos] esperava ouvir Lorde Wyman falar, E agora eu me declaro pelo Rei Stannis, mas, em vez disso, o homem gordo sorriu um estranho sorriso cintilante e disse:
– Agora tenho um casamento para assistir. Sou gordo demais para subir em um cavalo, como qualquer homem com olhos pode ver claramente. [...]. Meu corpo tornou-se uma prisão mais lúgubre do que a Toca do Lobo. Mesmo assim, preciso ir para Winterfell. Roose Bolton me quer de joelhos, e sob o veludo da cortesia mostra a cota de malha de ferro. Preciso ir de barcaça e de liteira, cercado por uma centena de cavaleiros e por meus bons amigos das Gêmeas. Os Frey vieram pelo mar. Não têm cavalos com eles, então devo presentear cada um deles com um palafrém como presente de convidado. Os anfitriões ainda dão presentes de convidados no Sul?
– Alguns dão, meu senhor. No dia da partida dos convidados.
– Talvez você entenda, então.
(ADWD, Davos IV)
Manderly não tem escrúpulos em observar cuidadosamente a literalidade das leis da hospitalidade, mas violar seu espírito. Ele faz gestos amigáveis aos Freys e os mata assim que seus presentes de convidado o libertam de suas obrigações de anfitrião.
O Senhor de Porto Branco fornecera a comida e a bebida, [...]. Os convidados do casamento se fartaram em [...] três grandes tortas de casamento [...]. Ramsay cortou as fatias com sua cimitarra, e Wyman Manderly serviu pessoalmente, oferecendo as primeiras porções fumegantes para Roose Bolton e sua gorda esposa Frey, as seguintes para Sor Hosteen e Sor Aenys, filhos de Walder Frey.
– A melhor torta que já provaram, meus senhores – o gordo senhor declarou. – Empurrem tudo para baixo com um dourado da Árvore e apreciem cada pedaço. Eu sei que vou.
Fiel à sua palavra, Manderly devorou seis porções, duas de cada uma das três tortas […]
O Senhor de Porto Branco era a imagem perfeita do gordo feliz, gargalhando, sorrindo, brincando com os outros senhores e batendo em suas costas, pedindo aos músicos esta ou aquela canção.
– Nos dê A noite que terminou, cantor – gritou. – A noiva gostará desta, eu sei. Ou cante para nós os feitos do bravo jovem Danny Flint, e nos faça chorar. – Ao olhá-lo, era possível pensar que era ele o recém-casado.
– Está bêbado – disse Theon. [...] Lorde Manderly estava tão bêbado que pediu quatro homens fortes para ajudá-lo a sair do salão.
– Devíamos ouvir uma canção sobre o Rato Cozinheiro – ele murmurou, enquanto passava cambaleando por Theon, apoiado em seus cavaleiros. – Cantor, dê-nos uma canção sobre o Rato Cozinheiro.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
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O Cozinheiro Ratazana tinha feito com o filho do rei ândalo um grande empadão com cebolas, cenouras, cogumelos, montes de pimenta e sal, uma fatia de bacon e um escuro vinho tinto de Dorne. Depois, serviu-o ao pai dele, que elogiou o sabor e pediu para repetir. Mais tarde, os deuses transformaram o cozinheiro numa monstruosa ratazana branca que só podia comer os próprios filhos. Desde então, vagueava por Fortenoite, devorando os filhos, mas sua fome ainda não estava saciada.
– Não foi por assassinato que os deuses o amaldiçoaram – dizia a Velha Ama – nem por servir ao rei ândalo o filho num empadão. Um homem tem direito à vingança. Mas matou um hóspede sob o seu teto, e isso os deuses não podem perdoar.
(ASOS, Bran IV)
No banquete de casamento, Manderly zomba maliciosamente de seus inimigos bem diante de suas caras, brincando com a ignorância do que ele fez. Além disso, ao fornecer a comida e a bebida, Lorde Wyman garante que ele e seus co-conspiradores não violem o direito de hóspede, que é uma forma de confiança mútua entre anfitrião e hóspede. De qualquer forma, ele tem alguma margem de manobra, porque provavelmente ainda considera Winterfell a casa dos Starks. Os deuses não puniriam mais intensamente Manderly por matar Boltons e Freys do que a Roose por enforcar as duas dúzias de posseiros encontrados no castelo, quando ali chegaram (ADWD, O Príncipe de Winterfell).
No entanto, o subterfúgio de Manderly não para por aí. Ele faz conluio com Mance Rayder e suas esposas de lança. Eles se encontraram na estrada, e Mance diz a Manderly que ele procura um caminho para Winterfell para roubar a noiva de Ramsay em nome de Jon Snow, o irmão dela. Sendo os vassalos mais meridionais dos Stark, tanto geográfica quanto historicamente, os Manderlys não sofrem tanto com ataques selvagens quanto, por exemplo, os Umbers e estariam melhor dispostos a ter o Povo Livre como aliados.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão. Lorde Manderly trouxera músicos de Porto Branco, mas nenhum era cantor, então, quando Abel apareceu nos portões com um alaúde e seis mulheres, fora mais do que bem-vindo.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Que coincidência que Lorde Manderly, que sempre pensa em tudo, não trouxe cantores para as festividades! Estranho, porque no banquete da colheita em Winterfell, alguns livros atrás, ele tem músicos e um cantor em sua procissão, com um malabarista para completar.
Os músicos de Lorde Wyman tocavam com bravura e bem, mas a harpa, a rabeca e a trompa foram em breve afogadas por uma maré de conversas e risos, o tinir de taças e pratos, e os rosnados de cães que lutavam pelos restos. O cantor cantava boas canções, Lanças de Ferro, O Incêndio dos Navios e O Urso e a Bela Donzela, mas só Hodor parecia estar ouvindo. [...]
(ACOK, Bran III)
Eu não acredito em tais coincidências. Manderly – que já decidiu assassinar Jared, Symond e Rhaegar Frey no momento em que conversa com Davos – provavelmente planeja prepará-los em tortas, servi-los aos seus parentes e pedir uma música sobre o Rato Cozinheiro. O que – a menos que ele queira cantar a música – exigiria um ou dois bardos.
Mance não é o único em Winterfell com quem Manderly tem um acordo prévio. Antes do mesmo banquete da colheita, Manderly levanta a idéia de construir uma frota de navios de guerra para Bran, Ser Rodrik e Meistre Luwin.
Além de uma casa de cunhagem, Lorde Manderly também propôs construir uma frota de guerra para Robb.
– Há centenas de anos que não temos força no mar, desde que Brandon, o Incendiário, tocou fogo nos navios do pai. Concedam-me o ouro necessário, e ainda este ano porei para flutuar galés em número suficiente para tomar tanto Pedra do Dragão como Porto Real.
(ACOK, Bran II)
Sor Rodrik e Meistre Luwin não se comprometem inicialmente, prometendo apenas conversar com Robb sobre o assunto, mas Sor Rodrik logo tem uma idéia.
Hother [Umber, Terror das Rameiras] queria navios. [...]
Sor Rodrik puxou as suíças:
– Vocês têm florestas de pinheiros altos e velhos carvalhos. Lorde Manderly tem construtores navais e marinheiros com fartura. Juntos, deveriam ser capazes de pôr na água dracares em número suficiente para defender as costas de ambos.
– Manderly? – Mors Umber [Papa Corvos] fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? [...]
– Ele é gordo – admitiu Sor Rodrik –, mas não é bobo. Irá trabalhar com ele, caso contrário o rei ficará sabendo o por quê. E , para espanto de Bran, os truculentos Umber concordaram em fazer o que ele ordenava, embora não sem resmungos.
(ACOK, Bran II)
Em A Dança dos Dragões, a frota está construída.
Passo do Castelo era uma rua com degraus, um largo caminho de pedra branca que levava da Toca do Lobo, pela água, até Castelo Novo, em sua colina. Sereias de mármore, com vasilhames de óleo de baleia queimando aninhados nos braços, iluminavam o percurso enquanto Davos subia. Quando alcançou o topo, virou-se para olhar para trás. De onde estava, podia ver os portos. Ambos. Atrás do quebra-mar, o porto interno estava repleto de galés de guerra. Davos contou vinte e três. Lorde Wyman era gordo, mas não era negligente, ao que parecia.
(ADWD, Davos II)
E não há a menor sugestão de que Roose saiba alguma coisa sobre isso. Ou seja, Terror das Rameiras ainda não lhe disse: “Fico pensando o que o Lorde Lampréia fez com toda a madeira que cortamos para ele. Deveríamos ter construído galés de guerra juntos”. Uma explicação seria que, apesar de Terror das Rameiras ter tomado partido dos Boltons e Papa Corvos o de Stannis, os Umbers ainda estão de fato trabalhando com Manderly.
Uma vez em Winterfell, Manderly tem nova oportunidade de conspirar.
[Roose:] "Alguém está matando meus homens." [...]
– Temos que olhar para Manderly – murmurou Sor Aeny s Frey. – Lorde Wyman não tem amor por nenhum de nós.
[Roger] Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
– Não afirmo que Lorde Wyman agiu por conta.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Ah- ha! Lord Manderly tem feito reuniões secretas pró-Stark sob o disfarce de visitar a privada? XD
Bem, talvez não (risadas). Falando sério, nessa mesma cena, Frey ressalta que Manderly chegou a Winterfell com trezentos homens, um terço dos quais são cavaleiros. Ele pode empregar seus funcionários de confiança para passar mensagens, bem como usar suas conexões já estabelecidas com os selvagens e os Umbers (embora os primeiros tenham quase certeza de ter segundas intenções). A lista completa de Casas que compareceram ao casamento, excluindo-se a Senhora Dustin e seu séquito, é a seguinte:
Estandartes estavam pendurados nas torres quadradas, batendo com o vento; o homem esfolado de Forte do Pavor, o machado de batalha dos Cerwyn, os pinheiros dos Tallhart, o tritão dos Manderly, as chaves cruzadas do velho Lorde Locke, o gigante dos Umber, a mão de pedra dos Flint e o alce dos Hornwood. Dos Stout, listras bifurcadas castanhoavermelhadas e douradas; dos Slate, um campo cinza com duas bordas estreitas brancas. Quatro cabeças de cavalo proclamavam os quatro Ryswell dos Regatos; uma cinza, uma negra, uma dourada e uma marrom. A brincadeira era que os Ryswell não conseguiam concordar nem sobre as cores de suas armas. Acima deles, pairava o veado-e-leão do garoto que se sentava no Trono de Ferro, a milhares de quilômetros de distância.
(ADWD, Fedor III)
Manderly e os Lockes estão em contato desde antes da chegada de Davos em White Harbor. Há um Locke na corte de Manderly, identificável por seu brasão, embora não tenha nome e, portanto, tenha parentesco incerto com Lorde Locke. Esse homem não está contra Roose, mas acha que Ramsay é um psicopata e prefere não vê-lo governar o norte. Mais uma vez, Ramsay é um grande fardo para a Casa Bolton. Um que Manderly e sua facção podem explorar:
[Frey:] Qualquer que seja o nome, ele logo estará casado com Arya Stark. Se você quer ser fiel à promessa, faça aliança com ele, pois ele será o Senhor de Winterfell.
[Wylla:] – Ele jamais será meu senhor! Ele obrigou a Senhora Hornwood a se casar com ele, então a trancou em um calabouço e a fez comer seus dedos.
Um murmúrio tomou conta da Corte do Tritão.
– A donzela diz a verdade – declarou um homem atarracado, em branco e púrpura, cujo manto era preso por um par de chaves de bronze cruzadas. – Roose Bolton é frio e astuto, sim, mas um homem pode lidar com Roose. Todos conhecemos piores. Mas esse filho bastardo dele... dizem que é louco e cruel, um monstro.
(Davos III, ADWD)
Os Hornwoods, é claro, têm boas razões para odiar Ramsay por ter torturado e assassinado sua Senhora viúva. Eles, assim como os Cerwyns e Tallharts, têm outros pontos para acertar com pai e filho, no entanto. Ramsay traiçoeiramente matou seus homens junto com Sor Rodrik no saque a Winterfell. Entre os mortos apresentados a Theon estão o herdeiro de Lord Cerwyn, Cley, e o irmão de lorde Tallhart, Leobald. Como se isso não bastasse, foram novamente homens de Hornwood, Cerwyn e Tallhart que Roose entregou aos Lannisters e Tyrells em Valdocaso. Sor Helman Tallhart, mestre da Praça de Torrhen, foi morto nessa batalha.
Por fim, uma coluna de homens a cavalo apareceu, saída da fumaça que pairava no ar. À cabeça vinha um cavaleiro com uma armadura escura. Seu elmo arredondado brilhava num vermelho lúgubre, e um manto rosa-claro caía de seus ombros. Parou o cavalo junto ao portão principal, e um de seus homens gritou para que o castelo se abrisse.
– São amigos ou inimigos? – berrou-lhes Lorren Negro.
– Traria um inimigo tão bons presentes? – O Elmo Vermelho fez um sinal com a mão, e três cadáveres foram despejados à frente dos portões. Um archote foi brandido por cima dos corpos, para que os defensores no topo das muralhas pudessem ver o rosto dos mortos.
– O velho castelão – disse Lorren Negro.
– Com Leobald Tallhart e Cley Cerwyn – o jovem senhor fora atingido no olho por uma flecha, e Sor Rodrik perdera o braço esquerdo, do cotovelo para baixo.
(Theon VI, ACOK)
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[Varys:] Ontem de madrugada, o nosso bravo Lorde Randyll apanhou Robett Glover nos arredores de Valdocaso e encurralou-o contra o mar. As perdas foram pesadas de ambos os lados, mas no fim os nossos leais homens prevaleceram. Dizem que Sor Helman Tallhart está morto, bem como mais de mil homens. Robett Glover volta a Harrenhal comos sobreviventes, em sangrenta desordem, sem sonhar que irá encontrar atravessados no caminho o valente Sor Gregor e seus bravos.
(Tyrion III, ASOS)
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Os portões de Valdocaso estavam fechados e trancados. [...]Quando a aurora rebentou, os guardas apareceram nos baluartes. Os agricultores subiram para seus carros e sacudiram as rédeas. Brienne também montou […]
Os guardas mandavam as carroças passar quase sem olhar [...] [O capitão] fez um gesto para os guardas. – Deixem-na passar, rapazes. É uma garota.
O portão abria-se para uma praça de mercado, onde aqueles que tinham entrado antes dela descarregavam [...] Outros vendiam armas e armaduras, e muito barato, a julgar pelos preços que gritavam quando ela passava. Os saqueadores chegaram com as gralhas pretas depois de todas as batalhas. [...]Também se arranjava roupa: botas de couro, mantos de peles, sobretudos manchados com rasgões suspeitos. Conhecia muitos dos símbolos. O punho coberto de cota de malha [Glover], o alce [Hornwood], o sol branco [Karstark], o machado de lâmina dupla [Cerwyn], todos eram símbolos do Norte.
(AFFC, Brienne II)
Infelizmente para os Boltons, se os Hornwoods, Cerwyns e Tallharts ainda não perceberam quem é responsável por seus infortúnios, Manderly pode informa-los (e certamente o fará).
Davos tentou se lembrar das histórias que ouvira.
– Winterfell foi capturado por Theon Greyjoy, que fora protegido de Lorde Stark. Ele condenou os dois filhos mais jovens de Stark à morte e colocou suas cabeças sobre as muralhas do castelo. Quando os nortenhos vieram derrubá-lo, passou o castelo inteiro pela espada, até a última criança, antes de ser morto pelo bastardo de Lorde Bolton.
– Não morto – disse Glover. – Capturado e levado para Forte do Pavor. O Bastardo vem esfolando-o.
Lorde Wyman assentiu.
– A história que você ouviu é a que todos nós escutamos, tão cheia de mentiras quanto um pudim de passas. Foi o Bastardo de Bolton quem passou Winterfell pela espada... Ramsay Snow, ele se chamava então, antes do rei menino torná-lo um Bolton. [...], não verdadeiramente, mas pensam que precisamos fingir acreditar, ou morreremos. Roose Bolton mente sobre sua participação no Casamento Vermelho, e seu bastardo mente sobre a queda de Winterfell.
(Davos IV, ADWD)
Até os pequenos habitantes de Porto Real não têm problemas em apontar os culpados por trás do Casamento Vermelho. Não é preciso ser um gênio para descobrir que Roose e Tywin estavam em conluio quando Roose milagrosamente sobreviveu ao massacre nas Gêmeas para ser nomeado Protetor do Norte pelo Trono de Ferro, com uma nova esposa de Frey ao seu lado. E então os Bolton têm a ousadia de trazer dois mil Freys para o norte, hospedando-os em Winterfell.
– Os senhores podem não saber – disse Qyburn –, mas nas tabernas e casas de pasto da cidade, há quem sugira que a coroa pode ter sido de algum modo cúmplice do crime de Lorde Walder.
Os outros conselheiros fitaram-no com incerteza.
– Refere-se ao Casamento Vermelho? – perguntou Aurane Waters.
– Crime? – disse Sor Harys. Pycelle pigarreou ruidosamente. Lorde Gyles tossiu.
– Aqueles pardais são particularmente diretos – preveniu Qyburn. – O Casamento Vermelho foi uma afronta a todas as leis dos deuses e dos homens, ela dizem, e os que tiveram uma participação no caso estão condenados.
(Cersei IV, AFFC)
Manderly provavelmente ouve a verdade sobre o saque de Winterfell via Wex, mas um jovem homem de ferro mudo não é a única testemunha viva do delito de Ramsay. Sobreviventes da batalha que ocorreu do lado de fora dos portões de Winterfell se juntaram à marcha de Stannis (ADWD, Jon VII), possivelmente a mando dos Mormonts. Da mesma forma, Robett Glover é um sobrevivente de Valdocaso e poderia facilmente alegar que Roose fora responsável por essa farsa, haja vista a indiferença deste último pela captura de Bosque Profundo.
No Vau Rubi, o atraso de Roose em atravessar o rio custa ao Norte outros dois mil homens – incluindo Norreys, Lockes e Wylis Manderly, que foram capturados – quando Gregor Clegane o alcança (ASOS, Catelyn VI). Com a traição dos Bolton exposta, Valdocaso e o Vau Rubi parecem repentinamente movimentos calculados da parte de Roose para sangrar seus companheiros nortenhos.
Mais importante ainda, Manderly traz para Winterfell boas novas dos Starks. Qualquer que seja o filho de Ned, Manderly pode fazer a única coisa que Roose sabe que fará as casas do norte o abandonarem em massa.
[Roose to Ramsay:] Parecemos fortes neste momento, sim. Temos amigos poderosos nos Lannister e nos Frey e o apoio relutante de grande parte do Norte... mas imagine o que vai acontecer quando um dos filhos de Ned Stark aparecer?
(ADWD, Fedor III)
A Senhora Dustin também.
No palanque, Lorde Wy man Manderly sentava-se entre dois de seus cavaleiros de Porto Branco, levando mingau com uma colher até seu rosto gordo. Não parecia estar apreciando nem um décimo do que saboreara comendo as tortas de porco no casamento. Em outro canto, Harwood Stout, de um braço só, conversava calmamente com o cadavérico Terrordas-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Segundo a teoria, Terror das Rameiras retransmite as palavras de Manderly, iniciando uma nova rodada no telefone sem fio. Stout é juramentado à Senhora Dustin e hospeda desde cedo Ramsay em sua fortaleza, sem dúvida infeliz ao ver as preciosas reservas de inverno de seu povo esvaziadas para apaziguar a vaidade mesquinha de Ramsay. Sem falar que Ramsay não faz nada para impedir que suas cadelas matem um dos cães de caça de Stout. (ADWD, Fedor III)
O poder dos Bolton no norte repousa sobre um leito de mentiras e ardis, que mal flutua no mar de ressentimento nortenho, e Manderly tem os meios e a vontade de perfurar essa frágil fundação. O que Manderly tem a dizer a Senhora Dustin? E qual a reação dela? Bem, isso é assunto para outro dia.
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2020.02.15 02:28 carretinha O padre e A Baronesa

Em uma aldeia havia um padre conhecido pela sua piedade com os monstros. Possuídos de todos os lugares viajavam até a pequena aldeia para serem curados de seus demônios. O padre atendia em uma pequena igreja, sem bancos, feita de madeira, pintada de branco, que era quente demais no verão e fria demais no inverno. A simplicidade das instalações não incomodava aquele sujeito humilde, porém a Baronesa se contorcia de ver um servo de Deus trabalhar num lugar tão mal cuidado. Claro, isso não seria um problema se Ela não tivesse que ‘visitá-lo’ toda dia de missa.
A Baronesa, dona daquelas terras e outras na região, tentava emplacar seus novos produtos no mercado. Máquinas como o mundo nunca tinha visto, criaturas metálicas espertas, programadas para todo tipo de tarefas: limpeza, construção, cuidado com as crianças, vigilância dos escravos, mordomos e tudo mais que o cliente pudesse imaginar. Mas o povo, pobre de conhecimento e ainda mais pobre de dinheiro, olhava para as máquinas com desconfiança, viam em seus olhos amarelos e iluminados motivações ocultas e sombrias. A Baronesa, sabia o que o povo pensava de suas construções e se surpreenderia se fosse diferente.
“Esses ignorantes e imbecis, não compreendem os avanços da tecnologia! Mas de que adianta? Ainda que entendessem, nada poderiam fazer! Essa gentalha não consegue manter uma moeda no bolso. Oh, imagine! Nem que juntassem todos os pobretões de todas as aldeias da região, não conseguiram comprar um peça das minhas maravilhosas máquinas.”
O que a surpreendia era a reação dos seus pares, os sofisticados baroneses, duques e nobres, que rejeitavam com igual força suas ideias sobre a modernidade.
“Minha querida Baronesa, a senhora possui tantas terras boas, devia focar em cultivá-las ao invés de construir essas criaturas de metal.”
Para impressionar a nobreza, encontrar possíveis compradores ou pelo menos alguém que a apoiasse, a Baronesa gastava partes enormes da sua interminável fortuna com festas e mais festas. Onde as máquinas serviam, cozinhavam, faziam segurança e entretinham os convidados, sem parar, sem reclamar e sem se cansar.
No entanto os barões, duques e nobres não pareciam impressionados e tratavam com profunda indiferença as maravilhas da tecnologia. Num mundo iluminado por velas, onde moinhos de água tinham acabado de ser inventados, tais criaturas metálicas pareciam apenas uma alegoria festiva, um enfeite, algo que está ali por estar e ao mesmo tempo não existe, uma mistura estranha entre personagens bizarros de circo e mendigos de rua.
Foi durante uma missa, num dia extraordinariamente quente, agravado pelas instalações da igreja; no meio da aglomeração do povo, que se agregava mais próximo do altar para acompanhar mais um exorcismo e cura de um monstro; onde a nossa querida Baronesa se sentia absolutamente desconfortável; que Ela teve a ideia de que
“Se meus pares fecham os olhos para as modernidades, a igreja há de abri-los.”
Foi assim que irrompeu um grito pedindo atenção. O povo, até então atento a cura, voltou-se para Ela. Até o monstro sobre o altar se virou. O único que não se mexeu foi o padre, pois aquele era o momento mais crucial do exorcismo, se ele saísse do transe a alma daquela pessoa poderia se perder para sempre.
“Senhoras e senhores, desculpe-me interromper o espetáculo que é a cura divina! Todavia preciso anunciar para todos vocês, que depois de tantos anos que passamos neste lugar caindo aos pedaços, finalmente teremos uma nova igreja! A doação, claro, será feita do meu próprio bolso e construída com minhas próprias máquinas, de modo que todos só tem a ganhar.”
O povo que desconfiava no começo da fala, sorriu ao ouvir ‘do meu próprio bolso’. Mas logo fechou a cara novamente, ao ouvir ‘com minhas próprias máquinas’. Afinal, se não fossem por essas malditas criaturas de metal, os pedreiros teriam algum trabalho e receberiam o suficiente pra gastar no bar, no verdureiro e na peixaria; que faria com que a dona do bar, a moça das verduras e os pescadores tivessem mais dinheiro pra gastar no padeiro, no alfaiate e no ferreiro; e assim, sucessivamente. De modo que o pouco dinheiro pago aos pedreiros passasse pela mão de todos na aldeia, em seguida na mão de todos das aldeias vizinhas, até enfim ser pego por cobradores de impostos e finalmente se perder dentro do cofre de algum nobre.
Apesar da decepção, o ânimo geral foi positivo. Afinal uma igreja nova ainda era melhor que nada. E embora duvidassem das intenções da Baronesa e de suas criações, jamais duvidariam de sua Fé, que alegavam ser a maior entre todo povo comum. Boatos passados de boca em boca diziam até que Ela era capaz de realizar milagres, mas claro que não passavam de boatos.
Entretanto por mais fervorosa que fosse a Baronesa, a ponto de sair da sua confortável mansão no topo do Monte; descer a pé todo o morro; atravessar o rio; subir a colina onde estava a igreja; e fazer o caminho de volta todas as vezes que ia à missa, Ela ainda questionava certas ações do padre. A Baronesa, assim como todos ‘cidadãos de bem’, defendia que os monstros não deveriam ser curados, muito pelo contrário, deveriam ser caçados e mortos pelos crimes que cometeram contra Deus, pois ‘os crimes contra Deus’ eram a única explicação para tem se transformado. Isso se não tiverem matado gado, ou estripado alguém depois que assumiram a sua forma monstruosa.
Após o anúncio ninguém mais assistia o exorcismo e para o padre isso não fazia diferença, na verdade era até melhor. Não gostava de fazer os exorcismos em cima do altar ou em público, se o fazia daquela forma era por dois motivos: O primeiro, era literalmente por pressão popular, porque uma vez o povo quase quebrou a porta dos fundos da igreja enquanto tentavam espiar um ritual. E o segundo, porque aquela era uma boa forma de divulgar seu trabalho e atrair aqueles que precisam de cura. Portanto apenas um exorcismo era feito em público e só no final da missa, se ainda houvesse outros possuídos a serem curados eles seriam atendidos na parte de trás da igreja, quase em segredo.
Só depois que o demônio foi expurgado e finalmente o monstro pode olhar no espelho e ver a pessoa que era, que o padre abandonou o transe e a concentração no trabalho. E não demorou muito a saber da novidade através dos cochichos e conversas que corriam por toda assembléia:
“Onde ficará a nova igreja?”
“Será que vão derrubar essa daqui?”
“Tomara que tenha uma torre do sino!”
“Espero que não seja em cima do morro.”
“Ia ser lindo se fosse em cima do rio!”
Assim que pescou informação o suficiente sobre a construção da nova igreja, foi imediatamente contra. Jamais um único fiel deveria ser responsável pelo dinheiro e construção do templo, porque
“Um templo, assim como a Fé, deve ser uma construção conjunta. Feita pela dedicação e amor das pessoas e não por ganhos materiais ou glória pessoal. O marceneiro deveria trabalhar a madeira que o lenhador cortou e doou, para que os ajudantes usem os pregos que sobraram da construção de suas casas, para pregar juntas as tábuas. Todos trabalhando juntos, sem ninguém cobrar a ninguém, cada um fazendo e doando de acordo com o que pode e tem!”
“É assim que deveria ser construído um templo! E foi assim que foi feita essa capela.”
Esperou a multidão se dispersar e foi conversar com a Baronesa, que por sua vez estava ansiosa para contar os detalhes da obra.
“Eu agradeço sua oferta minha querida, mas um templo assim como a Fé deve ser uma constr...”
“Desculpe senhor padre, porém acredito que alguém mais competente deveria tomar a decisão. Passados mais alguns anos ou uma praga de cupins e esse lugar vem abaixo! Além disso o povo clama por um lugar mais confortável! Já lhe aviso: se o senhor insistir em recusar minha proposta, enviarei a oferta ao bispo.”
“QUE ENVIE ENTÃO! Mas saiba que nunca estarei de acordo com um templo feito tão mundanamente!”
Foi uma discussão acalorada, contudo não foi nem a primeira, nem a mais tensa delas. O padre e a Baronesa tiveram várias discussões em torno da Fé, da organização da aldeia, das leis e de outros vários assuntos. Mantinham ao mesmo tempo um profundo respeito e um certo desafeto um pelo outro, mas nunca rancor.
O padre achava que as ideias da Baronesa eram afastadas demais da comunidade e pouco preocupadas com a benevolência, apesar de estarem de acordo com as palavras de Deus. Para a Baronesa, as ideias do padre eram sempre ideológicas demais e pouco práticas, apesar de estarem de acordo com as palavras de Deus. E como era a concordância com as palavras de Deus que decidia quais eram as melhores ideias, eles não tinham critério de desempate. Costumeiramente, o padre ganhava as discussões, por ter uma posição mais próxima de Deus, mas as coisas costumavam ser feitas ao modo da Baronesa, por ter uma posição mais próxima do Governador.
No fim, o projeto foi enviado ao bispo que o aceitou imediatamente, formando uma comissão de bispos para abençoar o local da nova igreja e os objetos santos.
A planta da igreja, também incluía uma área no subsolo que seria a nova casa do padre. Ele, até então, morava num pequeno quartinho de teto baixo, na parte de trás da capela, dormia num colchão fino colocado sobre o chão, que fora presente do pescador. O cômodo também possuía ainda um fogão a lenha, montado pelo ferreiro. O banco e a mesinha onde o padre realizava seus estudos, ambos bambos, eram peças defeituosas doadas pelo marceneiro e um pouco mais afastado havia uma fossa com cabine, feitas pelo próprio padre, onde ele fazia suas necessidades.
A Baronesa foi rápida para mostrar serviço, e assim que abençoaram o local as máquinas deram início a construção. Os bispos ficaram encantados com a forma que aquelas criaturinhas de metal trabalhavam, tão encantados que se sentaram num ‘acampamento de obras’, montado pela Baronesa, para assistir a construção. Quando anoiteceu, a casa do padre já tinha o piso e todas as paredes. Logo antes de se retirarem para dormir os bispos perguntaram a Baronesa:
“Suas construções não vão descansar?”
“Ah, senhor bispo, não se preocupe, elas não precisam disso, podem trabalhar por dias seguidos. Inclusive, garanto aos senhores que a igreja estará de pé e decorada antes do dia de missa.”
Os bispos se surpreenderam com a promessa. Uma igreja como aquela demoraria ao menos três meses para ser construída por mãos humanas, se essas fossem mãos de pedreiros experientes talvez dois e meio. Porque a Baronesa falou muito bem delas, os bispos esperavam que as máquinas fizessem em um mês, tanto que a maioria deles tinha planejado ir embora no dia seguinte, menos o bispo responsável pela região que faria a primeira missa e o batismo da igreja. Contudo já que a Baronesa prometeu uma entrega tão rápida, todos resolveram esperar para realizar uma grande missa de batismo.
***
As máquinas trabalharam durante toda a noite. Elas têm a forma que melhor condiz com o seu trabalho. Sim, porque diferente das obras feitas por pedreiros, onde cada um faz um pouco de tudo, as máquinas possuem uma função específica, então necessitam de um corpo específico. Enquanto uma passa o cimento, a outra coloca os tijolos; uma ajuda a secar o cimento e, ao mesmo tempo, outra passa a massa onde o cimento já secou; uma é responsável por ajudar a secar a massa e a outra por pintar onde a massa já secou; algumas ajudam a levantar aquelas que trabalham em andares mais altos; sem falar na batedora de pregos, nas carregadoras, nas colocadoras de móveis e decoração, etc. Tudo isso é perfeitamente sincronizado, para que não se pinte onde a massa está molhada; não se pise onde o piso ainda não assentou; ou para não secar o cimento antes de colocar os tijolos.
Todavia diferente de um relógio, que para funcionar depende de todas suas engrenagens perfeitamente encaixadas, nos lugares e tempos específicos, tais criaturas trabalham de modo tão sincronizado porque se comunicam. Sim, e se comunicam de uma forma parecida, mas ao mesmo tempo muito diferente daquela dos humanos. Sua precisa e avançada ‘fala’ é composta por vários sons de *beep*, e cada máquina tem um *beep* de tom e altura diferentes. Durante a execução de uma tarefa elas ‘falam’ de forma incessante, para alertar umas às outras de suas ações, logo todas precisam conhecer a ‘voz’ uma das outras, a fim de ter uma noção sobre ‘o que ocorre onde’ na execução da tarefa.
Contudo não só na linguagem elas lembram os humanos, elas pensam, tem sentimentos, personalidades, gostam de certas máquinas e desgostam de outras. Apesar de serem fisicamente iguais e pintadas do mesmo jeito, o colocador de tijolos 36579 é alegre e festivo, enquanto o 85479 é introspectivo e silencioso, isso fica evidente em seus movimentos e também no tom e frequência de seus *beeps*. Um humano até poderia perceber isso, se pudesse observá-los atentamente durante dias, no entanto para as máquinas a diferença de personalidade entre eles é gritante. Claro, a personalidade deles pode até fazer com que ajam de forma diferente, mas de modo algum isso afeta seu trabalho, pois apesar de mover o braço um pouco mais e se agitar de vez em quando, o 36579 precisou colocar os tijolos da mesma forma e ao mesmo tempo que o 85479, para que as paredes ficassem prontas juntas.
Um humano provavelmente se sentiria desconfortável de ter que trabalhar de forma tão mecânica, sem poder imprimir sua personalidade, sua ‘marca’ no trabalho. Só que essa é a beleza para as máquinas, elas adoram ser todas diferentes e ainda assim trabalhar de jeito igual. O sincronismo as deixam felizes. Trabalhar para elas não é muito diferente de uma dança, uma dança num mundo onde todos são exímios dançarinos.
E naquele dia participaram de seu grande baile, que se estendeu por toda noite, quando tiveram de cochichar, mantendo seus *beeps* baixinhos para não acordar as pessoas humanas. Com a chegada da manhã seguinte, dançaram novamente sob o dia, cantando *beeps* mais altos, porque os humanos faziam muito barulho. E dançaram, trabalham, cantaram e cochicharam durante os dias que vieram, até que…
***
Na manhã do ‘dia “antes do dia de missa”’ a igreja estava pronta. Era grande, definitivamente maior que a velha capela. Ainda não chegava aos pés de uma catedral, porém tinha os tijolos mais bem colocados, as paredes mais bem niveladas, os únicos bancos posicionados com precisão milimétrica e um altar perfeitamente arrumado, com os todos utensílios alinhados, prontos para o início da missa.
As máquinas, orgulhosas do seu trabalho, se retiraram e aguardaram, ao lado da igreja, o despertar da Baronesa. Dispuseram-se em fileiras organizadas por função e aproveitaram o tempo de espera para conversar. Demoraram apenas 12 segundos para discutir profundamente sobre os mais variados assuntos, a comunicação delas era realmente muito eficaz. Nesse pequeno intervalo de tempo conversaram sobre: como os humanos eram estranhos, como gostaram de finalmente fazer um trabalho fora da mansão, teorizaram sobre os pássaros que cantavam na manhã, flertaram, fizeram novas amizades, planos para os próximos trabalhos, etc. Depois ficaram paradas. As mais afobadas tremiam de levinho, ansiosas para que sua Mestra dessem-lhes mais ordens, afinal gostavam muito de trabalhar.
A aldeia inteira, e boa parte das vizinhas, estava presente para a missa, que foi coordenada sobretudo pelo bispo regional, contando com as participações pontuais e diversas bênçãos dos bispos das outras regiões. Finalmente, depois de anos à frente do altar, o padre podia assistir uma missa como simples fiel e isso trazia-o boas lembranças.
Ao final da missa, e antes de conhecer sua nova casa, o padre perguntou a Baronesa se Ela havia construído um lugar para realizar a cura dos possuídos. Ela disse que não, que havia esquecido, mas os dois sabiam que o ‘esquecimento’ era proposital. Era mais provável que ela tivesse construído um abatedouro do que um lugar de cura.
“Se não construiu não há problema, eu os receberei na minha casa então.”
Em sinal de respeito, a Baronesa presenteou o padre com uma máquina ajudante, que ele só aceitou depois de muita relutância.
“Senhor padre, faça o favor de aceitá-lo, o senhor bem sabe é um tremendo desrespeito cometer a desfeita de rejeitar um presente.”
O ajudante foi instruído por sua Mestra a apresentar a casa ao padre, que levou alguns amigos e o bispo da região consigo. Desceram a escada atrás do altar, que levava à casa. Tudo tinha sido construído e organizado nos padrões mais modernos, o padre, que era um sujeito simples, não gostou da casa de primeira, desconfiava do estranho vaso de porcelana com água dentro, que ficava onde o ajudante disse ser o banheiro. Julgava que aquilo tinha intenções malignas.
Na verdade várias coisas na casa pareciam ‘erradas’, as velas nos candelabros nunca apagavam, a casa estava fresca demais para uma casa no subsolo e havia sempre uma brisa vinda de algum lugar. No final da visita, encontraram várias escotilhas bem discretas, por onde entravam ar e luz. A Baronesa podia não gostar do padre, mas queria que a casa fosse o mais funcional possível. Porém foi só depois de abençoar a casa mais de 15 vezes e finalmente descobrir como funcionava o vaso de porcelana que o padre se livrou de um certo ‘sentimento ruim’.
O ajudante era muito útil. Ele ajudava a preparar a missa, limpava a casa e a igreja, preparava comida e fazia companhia pro padre nas madrugadas. E apesar de achar estranho no começo, o padre foi, aos poucos, se acostumando com a natureza daquele ser flutuante com uma grande lâmpada amarela no meio do rosto. A máquina se auto denominava ‘Ajudante 2047’, tinha uma personalidade extrovertida e adorava falar. Isso incomodava a Baronesa que estava prestes a tirar-lhe o modulador de voz, quando teve a ideia de dá-lo ao padre. Nada poderia tê-lo deixado mais feliz! O padre era quieto e gostava de ouvir as pessoas, então tratava o ajudante com paciência, até quando ele falava demais, o que na opinião do padre não acontecia com tanta frequência, afinal a comunicação dele era estranhamente… eficaz. A maior parte das conversas eram sobre as pessoas. Apesar de nunca falar diretamente com elas, o Ajudante 2047 adorava ver seu comportamento estranho e ficava sempre ansioso para interagir, contudo toda vez que se aproximava de alguém a pessoa se afastava, às vezes com um olhar de repúdio, às vezes com um olhar de medo, mas na maior parte das vezes com uma mistura dos dois. No dia seguinte, o padre teria que encontrar e explicar para a pessoa que o ajudante não faria-lhe nenhum mal. Todavia mesmo com tantas explicações as pessoas ainda evitavam-no, então contentava-se em observá-las.
Agora que não precisava fazer todo trabalho da casa e igreja sozinho, o padre era mais visto do lado de fora, onde ajudava qualquer um que precisasse e não cobrava nada em troca, pedia apenas que comparecessem à missa. Vivendo assim, o padre e o Ajudante ajudaram-se mutuamente e logo isso virou a vida ‘normal’.
Com a reforma a igreja ficou mais famosa e a fila de possuídos cresceu, indo muitas vezes da sala da casa do padre até a entrada da igreja. Ao atender um enfermo, primeiro ele tinha de escutar suas confissões, em seguida concedia-lhes perdão e só depois fazia a oração de expurgo, para livrar-lhes. Alguns viam os sintomas da possessão desaparecem imediatamente, deixando cair qualquer escama, pêlo ou pedaço de pedra que, porventura, vieram a crescer; outros só melhoravam com o passar dos dias, mas seus sintomas iam embora sem deixar qualquer evidência. Os primeiros a serem atendidos eram aqueles que estavam em situação mais grave, ou seja, aqueles prestes a completar a transformação e perder o controle. Destes, alguns eram atendidos antes do final da missa, outros no lugar que estavam assim que fila se formava. Licantropia, glutanismo, petrificação, harpeismo e duplicismo eram os casos mais comuns, mas havia uma infinidade de outras possessões.
Um dia houve uma discussão sobre quem construiria a nova ponte sobre o rio, a Baronesa logo ofereceu suas máquinas, em troca, claro, de uma pequena contribuição da população. Já o povo queria que o marceneiro e o pedreiro fizessem a ponte. O padre, como sempre, tomou o lado do povo, pois sabia que se deixasse a construção nas mãos da Baronesa e suas máquinas o dinheiro jamais sairia dos cofres dela. Quando mandaram o impasse para o Governador, todos temiam que a Baronesa fosse ganhar, então o padre arquitetou um plano: avisou todos na aldeia, de modo que a Baronesa não ficasse sabendo, que seria feita uma missa importante no ‘dia depois do próximo dia de missa’. Durante essa missa ‘escondida’ eles arrecadariam os fundos para a ponte, que deveria ser construída antes que chegasse a ordem do governador. Assim, quando a Baronesa descesse de sua mansão no ‘dia de missa’ a ponte estaria pronta e o dinheiro continuaria entre o povo.
“Sei, senhor bispo, que este não é o plano mais honesto, mas o povo não aguenta mais entregar suas moedas à quem nunca às retorna.”
Confessou o padre, em lágrimas. O bispo apiedou-se do homem e respondeu-lhe que aquela devia ser a vontade de Deus, portanto não haveria castigo.
A Baronesa trabalhava em suas máquinas na varanda da mansão quando viu uma aglomeração na frente da igreja. Era normal que houvesse ‘missas depois do dia de missa’, Ela própria ia às vezes, o estranho era estar tão cheia. Pensou um tempo sobre o assunto, perguntou-se se havia esquecido alguma data especial, até que se lembrou da discussão e conjecturou que aquilo só poderia ser um plano do padre. Com pressa, desceu pela primeira vez o morro com suas roupas de trabalho, tomaria-a muito tempo colocar as roupas chiques, que costumava usar quando descia ao povoado. Andava rápido, porém o caminho era longo e ela só chegaria ao final da missa, mas talvez, a tempo de frustrar os planos do padre.
O padre que havia organizado a missa do lado de fora, exatamente para que pudesse ver o abrir e fechar do portão da mansão, acelerou a missa e conseguiu recolher o dinheiro antes que ela atravessasse o rio. Aflito, disse que não haveriam exorcismos públicos e que aqueles que necessitassem de ajuda deveriam procurá-lo em sua residência.
Neste dia havia um homem, que estava acompanhado de uma enorme criatura envolta num manto negro. O povo sabia que aquilo só podia ser um monstro em estágio final de transformação. A criatura era a esposa do homem e tinha sido possuída por um demônio glutão. Ao ouvir que deveria esperar ainda mais para ser curada, ela perdeu o controle, deixando-se levar pelos pensamentos sombrios que a atormentavam. Ficou furiosa, arrancou a capa que cobria o corpo e o rosto, e respondendo respondendo aos protestos do marido, que implorava para ela colocar o pano de volta , vociferou:
“Estou cansada! Estou com fome!”
O monstro era terrível, gordo, sem pelos ou cabelo, tinha horríveis bolas de pus amarelado, que se espalhavam como furúnculos por todo o corpo. Seu rosto era completamente deformado, a ausência de lábios fazia com que seus dentes e gengiva ficassem totalmente expostos. Porém a pior parte era a carne e pele que faltavam na lateral direita do torço, fazendo com que as costelas ficassem de fora e que fosse possível ver alguns dos órgão internos da criatura, mas o pedaço não parecia ter sido arrancado, não, pelo contrário, estava em formação. A carne borbulhava e parecia crescer muito lentamente, desejando cobrir as vísceras e formar o braço que faltava.
A criatura começou a andar em direção ao altar. As pessoas assistiam a cena paralisadas, em choque, horrorizadas. Ao dar o segundo passo, ela esbarrou no homem do casal à frente. O resultado fez com que o pânico tomasse conta do público, que finalmente disparou a correr em todas as direções. Primeiro, o homem ficou preso, depois seu corpo foi sendo pouco a pouco absorvido pela carne do monstro, e na medida que ia sendo ‘incorporado’ o lado direito do monstro enchia-se de carne, pele e bolhas de pus. A esposa do homem até fez um esforço para salvá-lo, mas ao ver a carne sendo derretida e sugada, vomitou e caiu para trás, para, em seguida, sair se arrastando de costas pro chão, incapaz de desgrudar o olhar do horror que acontecia em sua frente. Por sorte, o monstro a ignorou, seu olhar, faminto e furioso, dirigia-se para o padre, que preparava uma oração desde que este havia tirado o manto. Precisava do exorcismo pronto quando tocasse no monstro, do contrário seria absorvido.
Nesse momento a Baronesa já estava chegando e pode ver tudo com seus próprios olhos, furiosa, ela cerrou os punhos e começou a rezar. A criatura encarou o padre até que o corpo do homem fosse totalmente absorvido, aquela ‘refeição’ tinha sido o suficiente para formar um braço grotesco, mas não para preenchê-lo de carne, sobrara então por todo lado direito do monstro buracos, por onde se via os ossos e partes internas. Isso deu ao padre tempo para terminar o exorcismo. Semi-acabada, a criatura avançou correndo aos tropeções, como as criaturas infernais normalmente fazem, o padre só precisava tocar na criatura e fazer a segunda oração para a salvação das duas almas. O homem absorvido já estava morto, porém sua alma precisaria ser libertada e a possuída, exorcizada. Fazer isso em tão pouco tempo não seria tarefa fácil, mas tinha de tentar.
O monstro já estava perto. O padre sentia o cheiro podre, ouvia as passadas pesadas, os grunhidos inumanos, mas manteve os olhos fechados e o coração sem medo. Calculou a posição do monstro e no momento certo esticou o braço. Ouviu um grito, mas não sentiu o toque. Abriu os olhos. Sua mão estava a centímetros da criatura.
Algo estranho havia acontecido. A Baronesa tocava o monstro pelo lado, que congelado como uma estátua, tinha uma expressão de terror e tristeza nos olhos, um terror que só um possuído poderia sentir. O terror de ter seu corpo mudando a composição de carne, ossos e órgãos para cinzas, o que causava uma dor alucinante, o terror de ter sua alma sendo desmembrada, estraçalhada e destruída, o terror de saber que não vai nem para o céu ou para o inferno e sim para o vazio da inexistência, o terror de sentir tudo isso e não poder gritar.
Do lugar onde a Baronesa tocou, espalhou-se uma cor cinza por todo corpo do monstro, com uma textura que não lembrava pedra, mas, sim, pó acumulado. O padre teve tempo de ver o efeito tomando o corpo da criatura, que apesar dos pecados e da morte, possuía ainda um resquício de humanidade e tinha salvação. Também teve tempo de reparar em uma lágrima, que escorria do olho ainda não transformado em cinza da possuída. Quando foi finalmente inteira afetada pelo toque, ela se desfez e suas cinzas levadas pelo vento. A alma das duas pessoas, assim como a do demônio haviam sido completamente destruídas. O padre sabia que aquilo não era um exorcismo, era uma outra coisa, mais antiga, mais cruel, mais perigosa…
“Ela... ela lançou um sortilégio?”
Foi o que pensou, enquanto encarava a Baronesa, que estava pingando suor, cansada, ofegante, suja de terra e graxa. Ela olhou em seus olhos, mas não disse nada, apenas se virou voltando para a mansão.
Durante a noite, máquinas de limpeza desceram, para limpar o que sobrou das cinzas.
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2020.02.13 17:55 -Oda- A História da tal mulher difícil

A história da tal mulher difícil kkkkkkk
A mídia costuma retratar a mulher difícil como um troféu, como uma mulher super-especial, que apenas o melhor dos homens conseguirá ter. Tem até um clássico circulando na internet há alguns anos, intitulado “a maçã do topo”.
Na verdade, ao contrário da crença popular, a mulher difícil está longe de ser uma pessoa especial. Ela, inclusive, pode ser muito mais perigosa que as ditas “fáceis” da vida. É bom estar atento com as tais “difíceis”.
O que faz uma mulher ficar “difícil”? A resposta é óbvia: uma mulher se torna difícil porque não foi com a cara do sujeito em um primeiro momento! Sim: ela só está sendo difícil de pegar porque, no fundo, ela NÃO GOSTA de VOCÊ! E ela não gostou de você, também, por razões óbvias: você está abaixo das exigências insanas dela! Ou você NÃO tem grana, ou é baixo, ou é feio, ou não tem a tal “pegada”.
Resumindo, para ela, você é um beta!
Além disso, tem outro fator que torna a mulher “difícil”: a fila de homens que querem sexo com ela. Se, na fila de homens, algum for melhor que você (segundo os critérios dela), com certeza, ela ficará te enrolando enquanto tenta fisgar aquele outro homem. A intenção dela é manter você próximo; no caso do rolo com o outro não der certo, ela, simplesmente, “não resistirá mais aos seus encantos e se renderá”. Em outras palavras: a mulher difícil costuma fazer os homens de estepes emocionais.
Por último, aumentar a própria auto-estima. Mulheres adoram estar rodeadas de caras apaixonados. Ela gosta de ver seus encantos femininos dominando fracotes e cabaços emocionais. O engraçado é que o sujeito que “infla o ego” de uma mulher com sua paixonite é visto como um macho inferior, um fraco, e terá nojo de qualquer investida sexual de um cara destes!
O mais engraçado é que a mulher que se faz de difícil para você é a mesma que deixa um playboy enfiar a língua na garganta dela em menos de trinta segundos de conversa mole na balada e depois esta fazendo garganta profunda com o mesmo. Sim: ela só é tímida sexualmente com você porque, na visão dela, você é um macho inferior.
Se ela te classificou como um beta, aí caiu a casa: ela irá ser cheia de não-me-toques, vai te fazer esperar meses para aceitar namorar, vai te obrigar a se apresentar aos pais e vai fazer exigências intermináveis durante o relacionamento! Se você não fizer alguma demonstração absurda de romantismo todos os dias, ela sempre estará de cara emburrada, e sempre estará de má vontade com tudo!
E, se pintar um cafa destacado na história, meu amigo... ela vai colocar a galhada na sua cabeça sem o menor remorso!!!
Grave bem o que vou escrever aqui: mulher nenhuma é difícil com homens poderosos! Mesmo as mais conservadoras, mesmo as mais religiosas caem fácil diante do poder! Diante de um homem poderoso, elas passam por cima dos próprios valores morais, passam por cima da família e até do orgulho próprio! São capazes, inclusive, de colocar a própria segurança em risco para ficar junto do sujeito! O poder masculino é capaz de desarmar qualquer uma, e só pode ser sobreposto por outro poder masculino superior!
Sabe aquela gostosa lá do seu trabalho, da sua faculdade? Aquela sua vizinha rabuda? Se você está tentando dobrá-la sem sucesso, é muito provável que tenha algum outro homem poderoso na jogada. Mulheres muito bonitas, normalmente, só ficam com caras muito poderosos! E, enquanto ela não consegue fisgar o sujeito, você está sendo deixado em banho-maria, na punheta, sonhando em dar uns amassos nela...
Outro mito muito comum na cabeça dos homens, também pregado pela mídia, é o mito da “conquista”. Por este mito, se você não conseguiu pegar uma mina, foi porque você falhou na hora da “conquista”, ou não usou uma “técnica mágica de sedução”, enfim. Este mito é derivado do mito da mulher difícil.
A REAL é que quem decide se haverá ou não um relacionamento são elas! Não é você! São elas que escolhem com quem vão namorar, com quem vão casar, com quem vão ter um caso e com quem vão ter só amizade! Você está aí, gastando uma energia mental tentando encontrar uma forma de “dominá-la”, enquanto outros homens mais poderosos simplesmente chegam junto, falam meia dúzia de merdas no ouvido dela, pegam na cintura e arrastam a vadia para o motel a faz anal giratório.
Pergunte aos maiores pegadores qual o segredo de pegar tanta mulher. Você vai ouvir merda atrás de merda, coisas desconexas, fórmulas falsas e teorias furadas que não funcionam com você! Na verdade, nem eles próprios sabem como conseguem pegar. E não sabem porque eles não escolheram quem pegar; elas é que escolheram ser pegas por eles! E escolheram baseadas em critérios instintivos, envolvendo poder e destaque social.
Qualquer merda que esse sujeito fizer irá “funcionar”, no final das contas! DEIXEM DE SER IMBECIS QUE ACREDITAM NESSE PAPO DE SEDUÇÃO.
Mais uma vez, a mensagem do texto é: o segredo é buscar seu desenvolvimento pessoal. GRANA, MÚSCULOS, APARÊNCIA e postura dominante. Se você quer tanto uma “fórmula mágica” para o sucesso, o caminho é esse aí, e não tem outro jeito! Foco em si mesmo, e que se dane o resto.
E, pelo amor de Deus: pára de acreditar em mentiras do tipo “conquista”, “mulher difícil”, “sedução”. ACORDA PRA VIDA RAPAZ!
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2019.12.30 04:05 M18H7 Higurashi é bom sim, e eu lhe explico o porquê!

Spoilers da Primeira Temporada do anime "Higurashi no Naku Koro ni"!
Primeiramente, agradecia que o caro leitor lesse primeiro o meu post anterior, visto que é necessário para ajudar entender melhor aquilo que escreverei neste post: https://www.reddit.com/useM18H7/comments/egl5vi/o_porqu%C3%AA_de_animesfilmess%C3%A9ries_que_incluem/
A primeira vez que me apresentaram Higurashi, eu fiquei com um hype enorme! Tinha acabado de ver Neon Genesis Evangelion, outro grande anime psicológico, e por isso fiquei com muito hype para ver outro anime que abordasse bem o psicológico dos personagens. Para além disso, quando vi pela primeira vez a imagem de Higurashi, me fez lembrar Madoka Magica! Quando vi aquelas crianças aparentemente felizes e inocentes pensei "Hmm, onde será que eu já vi isto aqui?" xD
Higurashi é um show e uma chapada na cara de todos aqueles que desprezam ou ignoram os efeitos da esquizofrenia! Isso mesmo, estamos a falar sobre um dos transtornos mais conhecidos, mas ao mesmo tempo mais desconhecidos dos últimos tempos! Vocês até já podem ter ouvido falar sobre este transtorno, mas se eu vos perguntar se sabem do que é que se trata, a maioria das respostas será não!
Ver Higurashi sem saber o básico sobre esquizofrenia é como ver o filme "Avengers: Endgame" sem nunca ter visto outro filme da Marvel!
Por isso, tendo isso em mente, veremos primeiro as definições sobre este transtorno e as suas variantes:
Esquizofrenia: Esquizofrenia é uma perturbação mental caracterizada por comportamento social fora do normal e incapacidade de distinguir o que é ou não real. Entre os sintomas mais comuns estão delírios, pensamento confuso ou pouco claro, alucinações auditivas, diminuição da interação social e da expressão de emoções e falta de motivação.
Paranoia: Paranoia é um instinto ou processo de pensamento que se acredita ser fortemente influenciado pela ansiedade ou medo, muitas vezes ao ponto de delírio ou irracionalidade. O pensamento paranoico geralmente consiste na crença de que a pessoa está a ser alvo de perseguição ou de uma conspiração. A paranoia é frequentemente acompanhada de acusações falsas e falta de confiança na generalidade das pessoas.
Podemos concluir então que estas duas perturbações mentais nos conectam a um único transtorno, que define aquilo que Higurashi é: PSICOSE!
Psicose: Psicose é uma perturbação da mente que causa dificuldades em determinar o que é ou não real. Os sintomas mais comuns são delírios (convicção em falsas crenças) e alucinações (ver ou ouvir coisas que outras pessoas não vêem ou ouvem). Entre outros possíveis sintomas estão discurso incoerente e comportamento inapropriado para a situação. Entre as causas mais comuns, temos a esquizofrenia, e alguns transtornos como o de bipolaridade. Um dos principais sintomas da Psicose é a Paranoia!
Analisemos então a definição de Psicose: ."Psicose é uma perturbação da mente que causa dificuldades em determinar o que é ou não real" -> Só esta frase já define aquilo que Higurashi é: Um anime onde nós, que estamos a assistir, temos de estar sempre a tentar perceber se o que estamos a ver é ou não a realidade! E, tal como eu falei no outro post, o facto de o anime ter de nos fazer pensar se o que estamos a assistir é ou não real, leva ao mesmo a ter de ser confuso algumas vezes (leiam o meu outro post, está la tudo!) ."Entre outros possíveis sintomas estão discurso incoerente e comportamento inapropriado para a situação" -> "discurso incoerente" justifica todas as vezes que parece que os personagens estão a dizer coisas sem sentido ou pouco normais, bem como pode justificar a "reação" meio "meh" deles ao verem que um/a amigo/a matou alguém!; "comportamento inapropriado para a situação" justifica todas as vezes que os personagens agiram agressivamente ou mataram alguém... Quem não ficou meio incomodado com aquela cena da Shion (disfarçada de Mion) a atirar e bater na Satoko, porque ela fazia "sofrer o irmão", no penúltimo arco do anime? E se olharem para essa cena com esta característica da psicose... Não fica meio diferente? Não fica um pouco menos artificial e um bocado mais realista? Ou todas as vez que um personagem matou alguém, como quando o Keichi matou a Rena e a Mion no primeiro arco do anime, ou quando a Shion matou um monte de amigos e familiares também no penúltimo arco do anime, ou quando a Rena fez todos de refém no último arco do anime... Só esta característica da Psicose, juntamente com a característica da Paranoia que diz "crença de que a pessoa está a ser alvo de perseguição ou de uma conspiração", que leva a pessoa a naturalmente querer defender-se de tais "perseguições ou conspirações"... Só estas duas características justificam todas as ações dos personagens ao longo do anime (E por isso. para toda gente que diz que o anime é forçado nesse aspecto, está aqui a prova que talvez não seja bem assim)
Mas claro, para justificar estas ações dos personagens temos primeiro de justificar que estes mesmos personagens possuem estes transtornos... Para isso eu já falei no outro post, mas falarei neste outra vez: Todo o conceito da "Maldição de Oyashiro-Sama" (estou a falar da "maldição" que faz os personagens ouvirem passos, vozes, e sentirem que estão a ser perseguidos ou vigiados)* não passa de uma grande metáfora sobre a esquizofrenia e, consequentemente, psicose! Pensem comigo: .Os personagens ouvirem passos, vozes e sentirem que estão a ser perseguidos e vigiados correspondem ás "aluçinações e delírios" que são referidos na definição de esquizofrenia, bem como as "alucinações auditivas" também presentes nesta mesma definição (ou ainda na definição de psicose que diz "alucinações (ver ou ouvir coisas que outras pessoas não vêem ou ouvem)")! .As inúmeras vezes em que os personagens acham que estão a ser perseguidos ou que alguém está a conspirar contra eles, está também presente na definição de Paranoia: "O pensamento paranoico geralmente consiste na crença de que a pessoa está a ser alvo de perseguição ou de uma conspiração"! -> Nós podemos ver isso quando o Keichi começa a ser perseguido pela Rena e pela Mion quando "descobre" que elas estão por detrás de vários assassinatos que ocorreram, quando mais tarde no anime é provado que afinal aquilo foi tudo das alucinações do Keichi (eu já volto a falar sobre esta cena tão importante), ou quando a Rena acha que a família Shonozaki está por detrás de um plano maligno que vai afetar toda a aldeia, quando isso n passava da paranoia dela, etc...
Agora que está provado que estes personagens possuem estes transtornos, podemos justificar várias coisas: Primeiro, que estão justificadas todas as ações dos personagens que o pessoal achou "Forçado"... Segundo, sabemos agora que não só os personagens estão na posse de esquizofrenia, como também NÓS estamos! "Ai, como assim Mágico? Não estou a perceber..." calma, amigo, que eu já explico!
O grande diferencial em Higurashi, o GRANDE fator que levou muita gente a não perceber o anime e, consequentemente, não gostar do anime, foi exatamente o facto do anime ter esse problema de ser """"Confuso""""! Confuso entre muitas aspas, porque o anime não é confuso! -> Eu já expliquei isto no meu outro post, mas eu explico aqui outra vez: Tal como eu já disse, nós, o pessoal que está a ver o anime, estamos sobre o efeito de esquizofrenia! Tal e qual! Há cenas que nos parecem extremamente absurdas para serem verdade, mas ninguém nos diz se é ou não... Há cenas que parecem que não fazem sentido, e por isso parecem "mal feitas", quando na verdade elas foram propositalmente assim feitas... E isto é algo que eu quero que vocês percebam: Qualquer show que aborde a Esquizofrenia, qualquer mesmo, vai ser um show no mínimo "confuso" para muitas pessoas... Já com o novo filme "Joker", que saiu em 2019 foi a mesma coisa, pois tive vários amigos meus que disseram que não gostaram do filme porque o acharam confuso, e outros que gostaram pois perceberam aquilo que o filme queria dizer... O problema é que a esquizofrenia no filme "Joker" é extremamente fácil de se perceber, visto que está colocada de forma bem óbvia no filme! O problema é que "Joker" é como um gatinho perto do leão que é Higurashi, no que diz respeito à esquizofrenia! Em Higurashi é tudo feito de maneira a que nós fiquemos propositalmente confusos, indecisos, e curiosos pois tudo parece mistério, tudo parece que vai ser revelado no fim, quando na verdade tudo não passava de uma alucinação... Não é genial? Ser enganado assim, levar-nos a crer que a Rena era uma demônio e serial-killer como ela aparentava ser no primeiro arco do anime, quando na verdade ela era dócil e bondosa, tal e qual ela parecia ser... "AI O QUê QUE MENTIRA MI MI MI A RENA É UMA ASSASSINA OLHA O QUE ELA FEZ NO FINAL LALALA" Calma, calma rapaz, eu vou falar sobre isso agora! Então senta-te na cadeira e lê atentamente:
Primeiro Arco do Anime: Ai, ai como eu adoro este primeiro arco! A primeira vez que o vemos ficamos com a cabeça a andar à roda... e depois que vários arcos vão passando, começa a parecer que afinal o primeiro arco foi esquecido, ou então tinha pouca importância na história... Até que chega aquela cena do último episódio onde o Keichi se lembra de tudo, e nos é mostrado que afinal nada daquilo tinha ACONTECIDO!!! : A Rena e a Mion nunca tinham ameaçado o Keichi! A Rena nunca tinha tentado assustar o Keichi! A Mion nunca tinha tentado matar o Keichi injetando algo nele (se repararem, é nos mostrado que afinal ela nem tinha usado uma agulha mas sim uma caneta!)! E aquela cena da Rena a dizer "Por favor acredita em mim"... Mano, eu não estou a chorar, tu é que estás... XD
Essa pequena cena do FlashBack do Keichi prova tudo o que eu escrevi neste post: Todos os Personagens de Higurashi sofrem de Esquizofrenia, Psicose e Paranoia! O Keichi lembrar-se que todas as ameaças e tentativas de homicídio das amigas n passavam de ilusões e alucinações criadas pela cabeça dele comprova exatamente que ele tem esquizofrenia: "comportamento social fora do normal", "incapacidade de distinguir o que é ou não real", "delírios" e "alucinações"... A razão destas alucinações? A paranoia do Keichi, por pensar que a Rena tinha realmente matado alguém e que agora andava a persegui-lo: "O pensamento paranoico geralmente consiste na crença de que a pessoa está a ser alvo de perseguição ou de uma conspiração"!
A Rena, por outro lado, ela acreditava que um grande desastre que incluía uma doença iria eclodir em Hinamizawa! E, para além disso, ela acreditava que a família da Mion, a família Shonozaki, estava por detrás deste futuro desastre, visto que era uma das 3 grandes famílias e a principal que governava a aldeia... Por isso, a Rena começou a ficar paranoica, visto que, para além desta conspiração toda, acreditava que ela mesma possuía esta "maldição"... Porque? Bem, isso vocês devem ter percebido: Para além de também ouvir passos e sentir-se perseguida e vigiada, quando a Takano Miyo lhe empresta o livro de anotações dela, ela lê uma parte lá que falava sobre uns "bixos", ou insetos, tipo uns parasitas,cujas pessoas que tinham a "maldição" possuíam... Bem, isso era uma das teorias da Takano: um tipo de vírus alienígena residia em Hinamizawa e era o grande responsável por tudo relacionado à "maldição de oyashiro-sama" (ouvir passos, etc...)! Agora chegamos a um possível "furo"... Sim, possível! Visto que a Rena ela já "via" este parasita a sair do corpo dela quando coçava as feridas que ela tinha! Agora vocês me perguntam: "Então como é que a Takano acertou uma coisa que podia ser uma possível alucinação da Rena?"... E agora eu respondo: 4 de 1: Ou vocês escolhem por pensar que é uma simples conveniência do plot, o que pode ser um possível ponto negativo a mais para que os haters ainda odeiem mais o anime (Enfim...); Mas eu não gosto de pensar por esse lado, aliás até acho que seja o lado mais incorreto! Por isso, se quiserem podem pensar que é apenas mais uma alucinação da Rena, e que na verdade nada disso estava lá escrito no livro de anotações (também não é o que eu escolho, mas também é possível, visto que o anime nos deixa em branco quanto a isso...); Ou podem ainda pensar que a Takano foi analisando todas as pessoas com a "maldição de oyashiro-sama" (e se vocês acham que a maldição de oyashiro-sama é outra conveniência, por ser algo sobrenatural posto no anime só para fazer andar o plot, então estão bem enganados... Não quero dar spoiler, visto que este post é só sobre a 1ª temporada, mas esta "maldição" está explicada na segunda, n se preocupem), e foi percebendo que o avistamento de parasitas no sangue era uma das alucinações que as pessoas tinham (no 1º episódio da segunda temporada é revelado que a Takano tinha inúmeros livros, com várias teorias, por isso não é impossível que ela tenha pegado em todos os tipos de paranoias e alucinações e depois escreveu sobre cada um); Ou então podem ainda esperar e ver se o anime dá alguma explicação no futuro, nomeadamente na segunda temporada (eu ainda n terminei a segunda temporada, então quando terminar analiso se tem alguma explicação e completo melhor este post)! Terminando, a Rena ter feito o sequestro na escola no último arco do anime é justificado visto que ela tinha em posse a "maldição de oyashiro-sama", e por isso ela ficou paranoica em relação a tudo e todos, chegando ao ponto de desconfiar dos próprios amigos! Pois se repararem, teve um momento em que o Keichi, a Satoko, a Rika e a Mion disseram à Rena que ela não precisava de esconder segredos deles pois eles eram amigos e os amigos serviam para se ajudarem uns aos outros... Mas depois foi simplesmente preciso a Rena desconfiar um pouquinho que seja da familia Sonozaki, e depois a Mion ter movido os cadáveres (aqueles dois que a Rena tinha assassinado) de local sem autorização da Rena, para ela perder totalmente a confiança em toda a gente, até mesmo dos próprios amigos! Pois por mais que a Mion estivesse a dizer a verdade quando ao facto de ela ter movido os cadáveres sem qualquer má intenção, a Rena n iria acreditar nela visto que a paranoia dela já estava em um estado tão avançado! Para além disso, lembram-se da Rena ter pedido ajuda à polícia para a proteger dos Sonozaki? Pois, é depois aí mais tarde que descobrimos que os Sonozaki não tinham qualquer má intenção com a Rena, e que afinal ela é que estava a delirar (Mais uma vez, a Paranoia representada em Higurashi é de topo de gama, a melhor que já vi!)!
Até mais e obrigado por ter lido tudo até aqui... E lembre-se: Confie em mim, pois somos amigos, certo? :p
Notas (spoiler da segunda temporada de Higurashi):
*Mais tarde descobrimos que essa maldição é na verdade uma doença/síndrome que todos os habitantes de Hinamizawa têm... Apanharam? Doença que faz os personagens ficarem paranoicos e terem alucinações --------> Esquizofrenia meus caros...
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2019.12.23 13:02 MuchoGuerra Balanço da década: De novo no topo

Boa tarde/noite/manhã dependendo de onde estiverem que sei que temos benfiquistas em todo o mundo.
Com o último jogo do ano e da década do Benfica terminado acho que seria muito pertinente fazer um balanço destes 10 anos, já vi muitos artigos, vídeos de youtube, etc a fazerem isto e inspirei-me a fazer um para o Benfica quando vi o twitter Profeta do Benfica fazer um balanço do ano. Primeiro vou tentar falar da década no geral e depois tenho umas categorias especificas que quero abordar. Atenção que isto é a minha opinião e estão todos convidados nos comentários a falar sobre o que concordam e discordam.
Um aviso, tentem não dar mais importância ao que se passou mais recentemente (o chamado recency bias), estamos a falar dos acontecimentos desde 2010 até ao fim deste ano e tudo vai contar.
Para começar penso que o título é um bom resumo, esta década o Benfica conquistou 6 campeonatos, 2 Taças de Portugal, 4 Supertaças e 6 Taças da Liga sendo a equipa portuguesa com mais troféus neste período. Nas competições europeias temos duas finais da Liga Europa que acabaram em derrota e dois quartos de final na Liga dos Campeões como as nossas melhores prestações. O Benfica chegou a estar em 6º lugar no ranking da UEFA e acaba a década em 20º. O Benfica é a segunda equipa que mais vendeu esta década com quase mil milhões de euros, apenas um bocado atrás do Mónaco.
Só há uma escolha para melhor equipa portuguesa durante este período e é o Benfica, e não digo que é de longe porque o Porto tem 4 campeonatos e uma Liga Europa, logo estamos de facto de novo no topo.
A década foi uma autentica montanha russa, o Benfica entra em 2010 em alta visto que estava em primeiro no campeonato (que não vencia desde 2005) a praticar um futebol avassalador sobre o novo treinador Jorge Jesus. O Benfica acaba mesmo vencedor nas costas nos novos craques Di Maria, David Luiz, Fábio Coentrão e de veteranos como Luisao, Maxi Pereira, Quim, entre outros. O início da década é marcado pela transformação do Benfica num verdadeiro candidato ao título (ás vezes até favorito) e num clube com fama de ir buscar jovens a campeonatos periféricos e torná-los em craques para os colossos europeus.
O meio da década é tanto um período de transição como o melhor período do Benfica nestes 10 anos. A mania exagerada da aposta na formação ainda não tinha começado, estávamos bem financeiramente, investiu-se bem no plantel e foi por aqui que se praticou o melhor futebol visto pelo Benfica esta década e onde se teve mais sucesso europeu. A transição dá-se em 2015 com a saída de Jorge Jesus e a muito mais intensa aposta na formação sobre Rui Vitória. Neste período o Benfica ganha 4 campeonatos seguidos o que nunca tinha acontecido antes na sua história.
O meio/fim da década fica marcado pela maior aposta na formação, menos sucesso europeu e qualidade de futebol o que levou à saída de Rui Vitória e entrada de Bruno Lage . O foco já não é o scouting de jovens estrangeiros, a prioridade é sempre apostar em alguém da formação primeiro.
Antes de passar às categorias ficam aqui alguns dados estatísticos desta década:
Primeiro 11 da década:
3 de Janeiro de 2010 Benfica 1 - 0 Nacional Taça da Liga
Quim Maxi Pereira Luisao David Luiz Coentrão Javi Garcia Carlos Martins César Peixoto Urreta Saviola Cardozo
Último 11 da década:
21 de Dezembro 2019 Setúbal 2 - 2 Benfica Taça da Liga
Zlobin Tomás Tavares Jardel Morato Nuno Tavares Florentino Gedson Caio Lucas Jota De Tomás Seferovic
Jogador com mais jogos: Luisao (313)
Jogador com mais golos: Jonas (137)
Contratação mais cara: Raúl Jiménez Atlético de Madrid ----> Benfica (22 milhões)
Transferência mais cara: João Félix Benfica ---> Atlético de Madrid (126 milhões)
Maior Vitória: Benfica 10 - 0 Nacional
Pior Derrota: Porto 5 - 0 Benfica, Basileia 5 - 0 Benfica
Treinador com mais jogos: Jorge Jesus (297)
Treinador com melhor % de vitórias: Bruno Lage (75%)
Época com mais golos marcados: 2018/19 (140)
Marcador mais velho: Luisao a 13/12/2017 vs Rio Ave (36 anos)
Marcador mais novo: Renato Sanches a 4/12/2015 vs Académica (18 anos)
Balanço total:
537 jogos
375 vitórias
82 empates
80 derrotas
1128 golos marcados
441 golos sofridos
69,83% de vitórias
2,1 golos por jogo
Passamos então às categorias:
Jogador da década:
Jonas- Chegou ao Benfica a custo zero em 2014 já depois de ter feito 30 anos e ainda de foi a tempo de ser de longe o melhor marcador do Benfica esta década com 137 golos em 183 jogos. Ganhou o campeonato de 2016 praticamente com sozinho com 29 golos em 34 jogos onde foi o melhor jogador, o seu melhor momento para mim é o golo no fim no Bessa frente ao Boavista para manter o Benfica na frente na luta pelo campeonato.Foi por duas vezes melhor marcador da liga e por duas vezes melhor jogador, a sua melhor época foi em 2017/18 com 37 golos em 41 jogos. Penso que não há discussão, Jonas é o nosso melhor jogador da década.
Luisao- Jogou desde o inicio da década até 2017, 313 jogos sempre a capitão, 5 campeonatos nacionais.
Penso que Jonas ganha destacado e o outro verdadeiro candidato seria Luisao, não vejo outro jogador que seja um verdadeiro candidato mas tenho umas menções honrosas:
Gaitan, Cardozo, Pizzi, Garay, Ederson, Matic, Enzo Perez, Salvio
Golo da década:
Cardozo vs Fenerbache- Golo que carimba a passagem à primeira final europeia do Benfica desde 1990 e que confirma a reviravolta na eliminatória. É a minha escolha, o ambiente no estádio foi do melhor que vi na Luz, mas esta categoria é das mais difíceis, é muito subjectivo e há muitos golos.
Mitroglou vs Sporting- Jorge Jesus foi treinador do Benfica durante 5 anos e troca-nos rival da cidade, entre muita bazófia e gozo o Sporting ganha uma vantagem considerável na luta pelo título. Mas o Benfica recupera e passa para a frente no terreno do rival com este golo de Mitroglou
Jonas vs Boavista- Depois de ganhar o primeiro lugar Benfica luta com o Sporting pelo título vencendo os últimos 9 jogos seguidos entre eles este, aos 93 um chuto para a frente acaba nos pés de Jonas que não desperdiça
Menções honrosas:
Rodrigo e Garay vs Porto, Lima vs Juventus, Matic vs Porto, Lima vs Sporting, Markovic vs Sporting, André Gomes vs Porto, Rafa vs Porto
Treinador da década:
Jorge Jesus.
Jogo da década:
Benfica-Porto 2014: Jogo grande que vem logo a seguir à morte do melhor jogador de sempre do Benfica, Eusébio, jogo muito emocional que acaba com uma vitória convincente por 2-0. É a minha escolha.
Benfica-Fenerbache 2013: Pelos motivos que disse acima, ambiente infernal e confirmação da primeira final europeia desde 1990.
Juventus Benfica 2014: Mais uma final europeia eliminando o campeão italiano no seu estádio, Juve foi à final da Liga dos Campeões um ano a seguir. Quando fazíamos frente a colossos.
Menções honrosas:
Benfica-Porto 2013 (2-2), Sporting-Benfica 2016, Benfica Porto 2014 (3-1), Benfica-Bayern 2016, Porto-Benfica 2019
Época da década:
Aqui penso não haver discussão, em 2013/2014 o Benfica ganha tudo o que havia para ganhar em Portugal, elimina o Tottenham e Juve na Liga Europa e não a vence devido a lesões e árbitros. O 11 titular não tinha falhas e havia imensas alternativas. O Benfica nunca jogou tão bom futebol este século como jogou nesta época.
O 11 esse ano:
Oblak Maxi Pereira Luisao Garay Siqueira Matic Enzo Gaitan Markovic Rodrigo Lima
11 da década:
Na minha opinião:
Ederson Maxi Pereira Luisao Garay Grimaldo Matic Aimar Gaitan Salvio Jonas Cardozo
Banco: Oblak, Semedo, Lindelof, David Luiz, Coentrão, Fejsa, Enzo, Renato, Pizzi, Rodrigo, Lima, João Félix, Mitroglou
Esta é das mais controversas de certeza, é muito difícil para mim meter jogadores com uma época de Benfica esta década, porque em termos de talento há jogadores no banco que estariam no 11 de certeza.
Momento da década:
Neste caso alguns dos momentos são golos e jogos logo vou apenas adicionar momentos que ainda não foram mencionados deixo a vencedor à vossa escolha:
Vencer campeonato 2016: O tri campeonato depois de perder o nosso melhor treinador este século para o rival do lado, recuperar 7 pontos de atraso e alcançar a liderança no estádio desse rival.
Fim de época 2012/2013: Ás vezes precisamos de pontos baixos para nos motivar a ser melhores e este fim de época com 3 troféus perdidos todos no fim foi o momento antes do melhor período de 4 anos da história do clube desde os anos 60.
Benfica 10-0 Nacional: Penso que a maior vitória esta década merece algum destaque
Penso que estas são as categorias mais importantes mas se alguém tiver outras estão à vontade para falar disso nos comentários.
Bem, com o balanço feito, o que esperar do próxima década? Penso que será uma década com menos transições extrema e seria mais polir as arestas em certos pontos menos bons. A importância dada ao scouting e investimentos na equipa do meio da década perdeu-se um bocado e com isso o nível do futebol jogado, plantel e sucesso europeu desceram.
Já se falou muito disto aqui, somos o único clube que acha que pode viver quase exclusivamente da formação, só esta época fomos buscar 5 jogadores aos escalões jovens para o plantel, Nuno Tavares, Tomás Tavares, David Tavares, Jota e Zlobin. A contar com o ano passado juntam-se Ferro, Florentino, Gedson e João Félix, isto são 9 jogadores, nem o Ajax aposta tanto na formação.
O campeonato português e os outros candidatos ao título desceram de nível logo os títulos vão aparecendo (o Porto e Benfica do meio da década limpavam o campeonato português em 2019 nas calmas) mas a nossa descida de nível nota-se e bem na Europa. O Benfica está bem financeiramente e o projeto devia ser investir bem na equipa a não ser que haja alguém na formação com REAL VALOR, não apostar só porque sim. Não há motivo para o Benfica não ter um domínio ao nível da Juve em termos de campeonato e ser uma equipa que passa quase sempre o grupo da Champions, temos recursos para isso.
Se é isso que vai acontecer? Duvido, continuamos a ganhar campeonatos e os desaires europeus não têm influencia na direção porque o prémio do grupo continua a entrar e para eles isso é suficiente, todas as contratações são com visão de vender no futuro (quando foi a última vez que contratámos alguém sem ter o aspecto financeiro em conta e apenas com o objetivo de melhorar a equipa?). É rezar que algo mude mas pelo menos o inicio da década vai ser mais do mesmo.
Muito obrigado por lerem este post tão longo e a 10 anos melhores que estes!
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2019.11.07 03:25 Mustafasustenido Completei 30 anos, virei mago e isso me abalou profundamente

Caros colegas redditors.
Buscarei a melhor forma de contar essa história aqui e farei um TL;DR no fim, mas tentarei não deixá-la massiva.
Então... venho de uma família classe média alta onde o que mais tive foi amor e carinho.
Em minha adolescência viajei bastante pelo mundo com minha família, estudei em uma escola excelente, fiz muitos amigos (alguns hoje são meus irmãos de vida) e posso dizer que foi o melhor período de minha vida.
Porém nunca consegui me relacionar com nenhuma mulher. Terminei o ensino médio sem nunca ter dado um beijo. Só tendo encostado na mão de uma menina 1x e passando por dezenas de rejeições (perdi as contas da quantidade de vezes que me apaixonei e não fui correspondido).
Sei que isso, em partes, se explica pelo fato de eu ter sido o ser humano mais magro (com saúde) que já conheci. Sem entrar em muitos detalhes meu IMC era por volta 13, eu era literalmente só o osso. Mais de 1,80m e menos de 50 kg (muito tempo depois descobri que é simplesmente a genética, mesmo malhando existe uma barreira pra meu peso e cada segundo de sedentarismo me faz emagrecer), exames perfeitos. No fim da adolescência entrei pra academia e consegui um corpo magro normal, porém o estrago na minha autoestima já estava feito (apesar de eu ter convicção que a qualquer momento, naturalmente, as coisas aconteceriam e eu acharia alguma menina pra me relacionar).
Passei em uma das melhores faculdades do país, no curso que eu queria, saí de casa pra morar sozinho e estudar, tinha tudo pra minha vida continuar as mil maravilhas, mas encontrei meu primeiro problema. O local de estudo só tinha homens e, como eu não era muito de sair, me bateu um grande desespero de continuar BV por muito tempo, já que não teria contato com mulheres... Enfim, uma depressão apareceu e fiquei quase 2 anos praticamente na rotina casa-faculdade-casa (além de minha família ter colocado quase uma babá em minha casa, pra que eu pudesse ficar mais relaxado). Foi com sobras o pior período de minha vida, em momentos de crise não conseguia comer praticamente nada, em momentos normais eu tinha que empurrar cada refeição. Voltei pra um estado de muita magreza (IMC 14,5), parei de fazer atividades físicas... minha família percebia pouco porque, além da distância, meu desempenho continuou excelente. Meus amigos de infância estavam em outras cidades e meus amigos da faculdade não pareciam notar nada (até porque já me conheceram nesse estado).
Consegui começar a superar essa situação depois de um grave problema de saúde na família. Entendi que nada do que eu sentia se justificava com tanto sofrimento que eu estava vendo daquele ente querido próximo a partir. Tanto que, depois da sua morte meus pensamentos voltaram a funcionar quase que normalmente (algumas recaídas de vez em quando) e voltei a ter aquela certeza adolescente que a qualquer momento naturalmente eu ia encontrar uma parceira.
Resumindo bastante, terminei a faculdade e comecei a trabalhar numa das maiores empresas do país, em uma cidade média do Brasil. Em pouco tempo eu assumi uma função de gestão e hoje estou quase no topo da carreira. Além disso dou palestras periodicamente para centenas de pessoas e ministro um curso noturno na área em que sou referência. Minha remuneração é o equivalente a 1 carro popular a cada 2 meses.
Ah... não possuo redes sociais
O que vou falar agora pode ficar parecendo querer me "gabar", mas é só pra enaltecer a gravidade da situação e o quanto tudo pesa em mim.
Meu modelo de gestão virou referência na empresa (e no mercado em geral), por criar uma equipe "família" (tenho muita facilidade em analisar perfis de pessoas e criar ambientes de trabalho que funcionam de maneira leve), os funcionários da empresa simplesmente me vangloriam pela forma como eu levo as coisas e resolvo as situações. Um dia desses um antigo auxiliar de serviços gerais (o qual sempre incentivei [verbalmente e financeiramente] a terminar o curso que estava fazendo) que conseguiu vaga de assistente administrativo em outra empresa veio pessoalmente me agradecer (até uma lembrança me deu, que guardo com bastante carinho) por conta dos ensinamentos que passei pra ele, que, segundo o mesmo, "foram de grande importância para o crescimento na carreira dele".
Dou palestra pra centenas de pessoas por mês, pra falar sobre a área que domino e está em ascensão em todo o mundo. As palestras tem sido um sucesso, e a plateia aumenta a cada ciclo. Sempre tive muita facilidade pra falar (e prender a atenção das pessoas) em público.
Minhas aulas noturnas também correm de maneira bastante positiva. Sempre tive prazer em ensinar e ver o aprendizado de cada estudante (principalmente os que mais tem dificuldades) me dá uma sensação de dever cumprido muito grande.
Além disso tudo sou multi-instrumentista. A música é parte de mim e sempre quis compartilhar com o máximo de pessoas possível. Dessa forma, sou um dos fundadores (e professor) de um projeto comunitário com objetivo de transformar a vida das pessoas de uma maneira efetiva.
Dito isso, volto pra o ponto do desabafo do tópico.
Completei 30 anos, sou BV e, obviamente, virgem e isso vem me destruindo a cada dia que passa. Todas as pessoas próximas a mim já tem família, ou pelo menos namoradas sérias/noivas e eu mal encostei na mão de uma mulher.
Analisando friamente (uma das minhas maiores virtudes são as autocríticas) sou um homem nota 7 de rosto (sei que nos achamos mais bonito do que o que somos, mas já descontei uns pontos, risos) e 3 de corpo. (recentemente estava melhor de corpo mas ansiedade que venho sentindo nos últimos meses vem me corroendo, e tenho total consciência que não posso por a desculpa dos meus insucessos integralmente no meu corpo)
Ninguém sabe que sou BV e meus dois amigos mais próximos sabem que sou virgem.
Mensalmente recebo a sugestão de procurar uma prostituta, mas meu EU me diz que isso seria a maior prova que sou incapaz de conseguir um primeiro beijo com uma moça que gostasse de mim de verdade (e nem sei se é recomendado beijar prostitutas, risos).
Meus amigos já tentaram me "armar" com conhecidas em festas, mas nas duas vezes que isso aconteceu notei que as moças não queriam e nem tentei forçar a barra. Acabei saindo das situações muito pior do que antes, sentindo a rejeição na pele mais uma vez. Sabe aquela facilidade pra falar em público? Isso desaparece integralmente em contatos sociais diretos com muitas pessoas do sexo feminino (principalmente em festas, que nunca gostei e hoje em dia mal vou, a não ser as do trabalho ou quando faço parte da banda). Na verdade ir em festas no geral me cansa MUITO, vou uma vez por ano, depois de muita insistência dos amigos, porque sei que vou ficar lá 5-6h com cara de paisagem, sem despertar o interesse de nenhuma mulher random por conta de não conseguir ter a mínima postura e não ter um corpo tão legal pra gerar interesse numa numa festa.
Tenho total convicção que, se eu fosse uma mulher, jamais pegaria um cara inibido como eu num ambiente de festa, eu simplesmente me reduzo a um pedacinho de nada, sei que isso é muito por conta da baixa autoestima devido ao meu corpo e às rejeições femininas que sofri na adolescência.
Minha rotina hoje em dia se resume basicamente a:
Trabalhar de segunda à sexta o dia todo (e noite), tento ler algo pra relaxar;
Sexta à noite (pelo menos a cada 15 dias) saio com meus amigos (e suas esposas) pra um barzinho;
Sábado trabalho mais um pouco, assisto futebol e vou dar aula de música para o pessoal no projeto;
Domingo passo o dia feliz com minha família, à noite vou à missa pra relaxar um pouco o espírito e me preparar para a semana.
Sinto um pouco de tristeza principalmente ao escrever que passo o "domingo feliz" com minha família, com um toque de desdém. Porque realmente tinha tudo pra ser algo perfeito, mas meu EU interno já passa cada minuto, em cada uma dessas atividades, pensando no quanto de vida eu perdi por chegar aos 30 anos sem ter me relacionado com uma mulher e saber que esse tempo não volta atrás nunca.
Saber que jamais vou ter uma namoradinha aos 15 anos, conhecer aos poucos e sem maiores pressões como um relacionamento funciona. Ir de mãos dadas ao shopping, assistir um filme, trocar palavras, olhares... Cada vez que penso nisso parece que uma parte de mim fica pra trás, não consigo exprimir com palavras o vazio que isso me faz sentir.
O estopim para que eu resolvesse desabafar e (com fé em Deus) procurar ajuda profissional foi o seguinte:
A empresa é composta majoritariamente por homens e mulheres de mais idade, mas possui algumas estagiárias e o pessoal sempre me fala na resenha (não sei até que ponto é resenha [na verdade eu sei que não é resenha]) que elas fazem de tudo pra se envolverem comigo (lembra aquela história de que sou bom pra traçar perfis de pessoas e montar equipes? Pois é, quando o assunto é relacionamento com mulheres eu não sei interpretar os sinais mais básicos). Obviamente eu jamais me envolveria com uma estagiária (até mesmo uma ex-estagiária), por razões profissionais, mas já recebi muitos "convites" via Whatsapp, que acabo levando na brincadeira pra não queimar minha reputação.
Enfim, recentemente chegou o ponto que resolvi que meu psicológico era mais importante do que meu medo de "me queimar" e comecei a conversar com uma estagiária (10 anos mais nova e de família humilde[claro que não ligo pra isso, só estou dizendo aqui pra que você me ajudem a interpretar a situação depois]) que já estava terminando o contrato e ia ser efetivada em outra cidade. A iniciativa foi minha (e isso me fez ter ainda mais vontade de que desse certo), mas, mesmo sendo um poste, eu sempre notei a forma que ela me olhava, sorria e nas conversas que tivemos nossas ideias se batiam muito, além de ela me atrair fisicamente e ser bastante inteligente.
Começamos a conversar diariamente via Whatsapp (evitávamos contato pessoal por conta do ambiente da empresa). Pouco antes do contrato dela acabar surgiu o momento e falamos mutuamente do que sentíamos, dos problemas que isso podia trazer pra vida profissional, mas acabamos concordando que valeria a pena tentar algo. Um tempo depois resolvi chamá-la pra sair e ela aceitou, mas veio com uma conversa que não era pra eu criar expectativas e que ela "não era fácil" (com outras palavras mas em resumo era isso). Confesso que achei meio estranho, há pouco tempo havíamos nos aberto um para o outro, mas não entendo nada de mulheres mesmo, então vamos seguir a história.
Tive o primeiro encontro da minha vida (sim, aos 30 anos, repito) levei ela pra jantar em um local que não fosse o mais caro da cidade (pensei que ela se sentiria mais confortável caso pudesse pagar o que havia consumido, se desejasse).
Saí de casa bastante nervoso, mas seguindo à risca tudo que os tutoriais on-line tinham me ensinado. Asseado, perfumado, bem vestido (como se eu já não vivesse assim...) e tentando o máximo possível ser simplesmente eu.
Chegamos ao local (um pouco preocupados que algum conhecido nos visse), mas a coisa fluiu tão naturalmente que, aos poucos o nervosismo foi passando. Aproveitamos o momento "livres" e conversamos sobre muita coisa ao longo de quase 3 horas (sem nenhuma forçação de barra, a coisa realmente acontecia de maneira espontânea), falamos um pouco sobre nossas vidas, nossos anseios, falamos mal das pessoas das mesas vizinhas... isso tudo com intensas trocas de olhares. Chegou um ponto que tomei coragem, segurei na mão dela e, pasmem, ela deixou. Fiquei ali de mãos dadas com ela (foi uma das melhores sensações que já tive na vida), trocando carícias e conversando por mais alguns minutos, quando decidi que era hora de sair e tentar algo.
Como já disse, antes do encontro eu estava muito nervoso, mas depois de todo aquele tempo com ela eu percebi que as coisas realmente iam acontecer de forma bastante natural.
Saí do restaurante abraçado com ela, fomos em direção ao carro (estava num local isolado), fiquei de frente com ela, falei 2 palavras e fui em direção ao meu primeiro beijo.
Ela simplesmente se virou e disse "na-não" (foi mais em forma de ruído de negação, mas achei melhor escrever assim), nesse momento não entendi mais nada (teria interpretado algum sinal de forma errada? Deveria insistir?).
Dei um abraço nela falei algumas palavras, tentei novamente e recebi mais uma rejeição.
Não soube o motivo (até agora não sei), mas preferi não insistir, demos um abraço demorado e levei ela pra casa, conversando sobre outras coisas.
Faz pouco tempo que isso aconteceu e ainda trocamos algumas palavras via Whatsapp. O que me deixa tranquilo é que eu pelo menos tirei a bunda da cadeira e tentei. Mas a frustração de mais uma rejeição é algo incomensurável pra mim. Não sei quando terei contato com outra mulher a esse ponto (estatisticamente eu tenho contato, com chances de dar algo, com uma mulher a cada 2 anos, e, é claro, nunca deu certo)
Com relação a esse encontro (eu queria até a opinião dos colegas redditores) eu trabalho com 3 hipóteses:
1 - Ela quer algo, mas não quis se mostrar fácil/interesseira (como as outras estagiárias que mandam mensagens diretas pra mim por Whatsapp) e está esperando outro convite meu para que possamos sair novamente e finalmente ocorra algo;
2 - Ela não quer mais nada por conta de uma das milhares de coisas que podem estar se passando na mente dela;
3 - Isso foi a prova de que meu corpo possui alguma substância não identificada, incolor, inodora e insípida, que cria uma barreira contra mulheres.
Não sei se vale a pena insistir, estou tão frustrado que não consigo ter forças pra um contato mais direto (apesar de sentir muita falta das conversas com ela);
Pra finalizar, meu desespero hoje é tão grande que penso até em fazer uma rede social (coisa que nunca tive) só pra me "amostrar" (algo que é totalmente contra meu perfil). Mostrar meus carros, minha casa na praia, minhas viagens semanais, meus momentos com os amigos, sei lá, qualquer coisa que pudesse gerar alguma curiosidade sobre mim para as mulheres.Mas aí me olho no espelho e percebo que quando chegar a esse ponto eu realmente não estarei mais sendo eu e algo de muito errado (além do que já está se passando) estará acontecendo.
TL;DR: Homem, 30 anos, família perfeita, muitos amigos (alguns verdadeiros irmãos), trabalho dos sonhos, ótima situação financeira, porém BV e virgem.
Fazendo um resumo desde a adolescência:
Comecei a aprender sobre música achando que com isso um relacionamento viria naturalmente (ao menos a música virou uma paixão real em minha vida);
Comecei a fazer academia achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a cursar um dos cursos mais concorridos do Brasil achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a trabalhar e hoje ganho mais do que 99% da população brasileira achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
E não veio. Hoje não sei mais o que buscar ou a quem recorrer... A ansiedade (ou seria depressão?) está chegando a tal ponto que me vejo totalmente refém de alguns pensamentos que me atrasam bastante. Eu não consigo, por exemplo, passar mais de 15 dias (ou ir pra um lugar distante) longe da minha família/amigos próximos. Começa a bater um desespero (tipo os que eu sentia na depressão quando tinha 20 anos) e começo a pensar que eu poderia estar ali com uma companheira, aproveitando cada segundo. Já desisti de diversas viagens para fora do Brasil por conta disso. Coisa que fazia naturalmente na adolescência.
Sinto que a cada dia a bolha vai aumentando, a ponto de começar a atrapalhar nos meus trabalhos e vida pessoal, viagens a trabalho para fora do estado estão se tornando um sofrimento (as consequências de todos meus medos recaem sobre meu sistema digestivo), acordo à noite desesperado com medo do dia de amanhã, comecei a procrastinar algumas coisas e perder o tesão em diversas situações de prazer do dia a dia (não consigo mais jogar videogame por achar que isso me torna ainda mais virgem e inútil. A própria masturbação se tornou um momento de tristeza. Tocar piano, violino, violão, etc sozinho muitas vezes só me traz dor).
Cada elogio que recebo na empresa, palestras, aulas, crianças no projeto de música, família, amigos, parece aumentar o vazio que sinto.
Gostaria de simplesmente arrumar uma companheira e viver a vida a dois, viajar, compartilhar momentos, beijar, quem sabe, caso a coisa desse certo, ter filhos, criar uma família...

De qualquer forma, me sinto um pouco mais leve por ter passado 2 horas escrevendo e tendo exprimido todos esses sentimentos pela primeira vez (pra o lado de fora de minha cabeça).
Estou pensando em procurar um psicólogo (creio que já devia ter feito isso desde a minha primeira depressão lá nos 20 anos). Como garantir que eu, sendo uma figura conhecida na cidade não terei todas as minhas histórias íntimas divulgadas (sei que psicólogo é uma profissão muito séria, peço até desculpas de antemão caso essa pergunta ofenda alguém, mas uma pessoa má intencionada poderia destruir toda minha reputação externalizando minha intimidade). Na verdade a pergunta é "como escolher um psicólogo?". Caso não dê certo é normal trocar de psicólogo?
Obrigado a todos pela atenção.
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2019.10.21 20:01 altovaliriano Pergunta de BryndenBFish e NPR de novo (out/2019) e Entrevista a OMNI (nov/1996)

Mais recente: Chicago Humanities Festival (11 out 2019)
Link no arquivo: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/16170
O SSM consiste em um vídeo de 5 minutos carregado no youtube em que Martin responde à pergunta selecionada no twitter pela entrevistadora Eve L. Elewig. "Coincidentemente", foi a elaborada por Jeff Hartline (mais conhecido como BryndenBFish). Que marmelada...
Brincadeiras à parte, a pergunta foi "Ele acredita que Robert, Ned e Jon Arryn estavam certos em se rebelar contra Aerys? Ou ele teria permanecido leal a Aerys e os Targaryens?". Martin se desviou da pergunta e enrolou. Veja no vídeo.
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Mais recente (2): Entrevista à NPR Chicago (19 out 2019)
Link no arquivo: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/16176
Na verdade, este artigo foi uma compilação da entrevista de Martin à WGN Radio e do bate-papo ocorrido na Chicago Public Library Foundation (CPLF), ambos já relatados aqui (vide aqui e aqui)
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Mais antigo: Transcrição de uma entrevista à OMNI Magazine (21-22 nov 1996)
Link no arquivo: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/1425
A entrevista parece ter sido feita no formato de chat da internet, como vários códigos de hora, data e IPs. Eu suprimi tudo isso, deixando apenas nickname e mensagem, em ordem cronológica (a entrevista começou no dia 21 e terminou no dia 22). A tradução segue abaixo:
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Ed_Bryant_Mod : Boa noite, Sr. e Sra. América, e todos as naves no espaço! Esta é outra edição do Omni Visions Prime Time com Ed Bryant. Meu convidado esta noite é aquele escritor estelar de ficção científica, fantasia, romances, contos, filmes e TV, George RR Martin. Boa noite, George!
GeoRR : Para constar, deixe-me dizer que nunca trabalhei em ST:TNG [Star Trek: The New Generation], apesar do crédito que Ellen me deu quando ela estava divulgando isso. Portanto, sem perguntas sobre Data, por favor. Com Vincent eu posso lidar... bem, tanto quanto qualquer pessoa pode lidar com Vincent.
GeoRR : Perdemos contato com Ed?
Ellendat : Enquanto Ed tenta voltar para nós, eu gostaria de me desculpar com George por me enganar quanto a sua participação no ST:TNG.
GeoRR : Acho que Ed caiu de vez. Ele me avisou que isso poderia acontecer.
Ed_Bryant_Mod : Opa, desculpe pessoal! Minha introdução fantástica para George desapareceu repentinamente e eu fui interrompido por uma mensagem de "erro no servidor". Eu estou de volta, então eu vou aumenta-la (mais).
ellendat : Eu sei que posso falar por muitos de seus leitores (e provavelmente membros da platéia aqui) que é bom você voltou a escrever ficção em prosa depois de vários anos concentrando-se em TV.
GeoRR : Há dias em que estou muito satisfeito por estar "de volta" (embora nunca tenha realmente ido embora, sabe - durante todos os meus anos em Hollywood, escrevi e editei WILD CARDS). Há outros dias em que sinto falta da TV. Certamente sinto falta dos grandes carrinhos de mão de dinheiro que costumavam rolar no meu escritório.
Ed_Bryant_Mod : Para aqueles que possam ser novos na SF [Ficção Científica], George Richard Raymond Martin começou a publicar profissionalmente em 1971, com uma curta história para GALAXY. Seus livros subsequentes incluem A MORTE DA LUZ, TUF VOYAGING, SONHO FEBRIL, ARMAGEDDON RAG, a série WILD CARDS (como participante e editor), SANTUÁRIO DOS VENTOS (com Lisa Tuttle) e, entre muitas outras coisas, A GUERRA DOS TRONOS, o primeiro volume enorme em uma série de fantasia épica maciça. *ufa* Além disso, ele passou uma estada em Hollywood trabalhando com A BELA E A FERA e a renascida ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Então, George. Quando você dorme e quanto tempo antes de terminar a série de fantasia?
GeoRR : Eu pretendo dormir entre o terceiro e o quarto volumes, ed. Eu dormia um pouco entre o segundo e o terceiro, mas agora é a hora de escrever um roteiro de SONHO FEBRIL que devo à Hollywood Pictures. Hollywood Pictures não existe mais, com certeza, mas eu ainda devo o roteiro. Se eu permanecer dentro do cronograma, devo terminar AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO até o final de 1998, mas não prenda a respiração. Esses livros têm três vezes o tamanho de romances comuns, até grandes romances como SONHO FEBRIL, e estou aprendendo da maneira mais difícil quanto tempo leva para escrever um.
Ed_Bryant_Mod : Talvez você seja um viciado em adrenalina, George. Sobre a série de fantasia: Por quê? (sendo franco). Esta não é fantasia como avô, com certeza. É difícil, mas romântico. O que o intrigou em embarcar em um projeto tão grande?
GeoRR : Pudera eu saber. Na verdade, comecei o livro no verão de 1991. Eu estava entre os projetos de Hollywood, então decidi começar um novo romance, ver até onde chegava. O romance que comecei era um livro de SF chamado AVALON, ambientado na mesma "história futura" de DYING OF THE LIGHT e de muitos de meus contos. Na verdade, eu escrevi três capítulos. Mas então um dia o capítulo inicial de A GAME OF THRONES me veio tão vividamente que eu tive que escrevê-lo. Não é o prólogo, lembre-se, mas os primeiros capítulos, onde Bran vê o homem decapitado e encontra os lobos gigantes na neve. A próxima coisa que eu sabia era que AVALON havia sido colocado em uma gaveta e a fantasia tomara conta de mim completamente. Eu sabia que estava perdido quando comecei a desenhar mapas. Porém, é claro, DOORWAYS foi selecionado e fui convocado de volta a Hollywood, mas o livro nunca esteve longe de meus pensamentos.
Ed_Bryant_Mod : Intrigante... voltando um pouco. Quando você era mais jovem, antes de começar a escrever, qual o papel da fantasia em sua vida? O que você leu? Você jogou jogos com dragão e lobo gigante? E onde o seu gosto nesse sentido se desenvolveu como leitor e escritor adulto?
GeoRR : Acho que estou tendo alguns problemas aqui. O sistema comeu minha resposta.
Visitante (Gdozois) : Ellen, Gardner Dozois aqui. Quando George e Ed voltarem, pergunte se ele tem planos de publicar Turtle Castle um dia desses.
ellendat : Gardner, sua pergunta está aqui para que todos vejam :) shhh.
GeoRR : Estou de volta, acho. Eu desloguei e voltei. Todo o sistema parou aqui e nenhum dos comandos parecia funcionar.
GeoRR : Deixe-me tentar essa resposta novamente. Quando criança, eu lia principalmente SF e quadrinhos... não =havia= nenhuma fantasia sendo publicada naquela época. Eu descobri JRR Tolkien no colégio, quando Ace publicou sem autorização o Senhor dos Anéis. Fiquei Maravilhado. Também li Robert E. Howard, provavelmente antes de Tolkien. Conan era divertido, mas a Terra Média era mágica e maravilhosa. O =lugar= era tão importante quanto o enredo ou os personagens, acredito. É assim em toda grande fantasia. Estou tentando tornar meu mundo, meus sete reinos, tão vividamente real quanto JRR fez com o dele.
GeoRR : Olá, Gargy. Ninguém liga para TURTLE CASTLE.
Visitante (Gdozois) : Eu imagino isso como uma obra-prima perdida que será descoberta após sua morte e o catapultará para a fama mundial.
Visitante (169.197.15.29) : E quanto a Burroughs e Wells?
GeoRR : Eu tentei um Edgar Rice Burroughs. Um dos livros "Moon", eu acho. Eu devia estar velho demais, porque odiei e nunca tentei outra até Melinda Snodgrass e eu sermos contratados para fazer o roteiro de A PRINCESA DE MARTE. Eu li HG Wells, é claro. A MÁQUINA DO TEMPO em particular foi == e é == um dos meus favoritos.
Ed_Bryant_mod : George, junto com a fantasia, você parece ter muitos interesses em escrever. Nos interstícios entre mega-fantasias e trabalhos de Hollywood, alguma esperança de mais SF ou horror? Há aqueles de nós que se lembram de SONHO FEBRIL e ARMAGEDDON RAG com carinho indisfarçável.
Visitante (169.197.15.29) : Acho que eu tinha 10 ou 12 anos quando peguei Burroughs. É o que me fez começar, eu acho.
GeoRR : Oh, definitivamente farei outras coisas eventualmente, se a fantasia terminar. Tenho anotações para duas sequências de SONHO FEBRIL, tenho duzentas páginas do romance de Jack, o Estripador, que comecei em 1985 e nunca consegui vender, e quero fazer um livro com um dos meus pilotos de televisão não filmados. Aquele lá é pura SF.
Visitante (Gdozois) : Aproveitando que você o está importunando, Ed. Eu gostaria que ele escrevesse algumas novas histórias de ficção científica. --Gardner
ellendat : Sim. Eu também.
GeoRR : Na verdade, Gargy, é por isso que eu estava ligando para você no outro dia. Eu tinha essa noção ... bem, é muito complicado falar disso aqui, e não devemos falar disso em público de qualquer maneira, mas é uma ideia que eu gostaria de explorar com você quando você tiver meia hora ou mais .
Ed_Bryant_mod : A menção da PRINCESA DE MARTE me obriga a perguntar... Além das cargas de dinheiro em carrinhos de mão, qual é o apelo em Hollywood ? Você viu sua história "Reis da Areia" se tornar o piloto da renascida A QUINTA DIMENSÃO - Melinda Snodgrass (a escritora) e os produtores / diretores / atores visualizaram sua história de uma maneira que você a reconheceria?
Visitante (Gdozois) : Você sabe como se apossar de mim, George. Qualquer hora. --Gardner
GeoRR : Além disso, há esta novela chamada "Shadow Twin" na qual um certo Sr. Dozois e eu estávamos colaborando. Ellen, quer comprar uma novela Dozois / Martin?
Visitante (Gdozois) : Talvez possamos mesclar SHADOW TWIN com TURTLE CASTLE. --Gardner
ellendat : Estou certamente interessada. Está terminada?
Visitante (169.197.15.29) : Escritor iniciante fica [mais] verde.
GeoRR : Hollywood ... bem, essa é uma resposta complicada. Você realmente precisa subdividir Hollywood em duas arenas separadas, TV e Cinema. Eu trabalhei em ambos. TV foi muito emocionante, estressante, mas gratificante. Trabalhei em alguns bons shows, escrevi roteiros dos quais me orgulhava, os vi filmados, subi de um humilde redator para um exaltado produtor supervisor e quase consegui meu próprio show. Eu odiava morar em Los Angeles, mas gostava muito de trabalhar na TV.
Filme, por outro lado, cheguei ao ódio. O escritor é rei na TV; no filme, o escritor é uma merda. Passei três ou quatro anos da minha vida fazendo roteiros, vários deles com Melinda, e não tenho um punhado de filme para mostrar. De fato, ninguém nunca viu os roteiros, exceto alguns executivos de desenvolvimento. Adoro ir ao cinema, mas se tiver sorte, nunca mais precisarei "desenvolver" um filme.
Ed_Bryant_mod : Com algo parecido com o seu próprio show ... DOORWAYS. Esse era um conceito adorável e sofisticado de SF com boa reflexão sobre transitar em um mundo paralelo. Que tipo de forças foram necessárias para matá-lo?
GeoRR : Nunca terminei, Ellen ... mas um dia desses. Primeiro, preciso digitalizá-lo e colocá-lo em um disco. As páginas que temos (um bocado bastante grande) foram realmente escritas em uma = máquina de escrever =. Lembra-se delas? Eu tive uma máquina de escrever elétrica, já Gardner...
Visitante (169.197.15.29) : Eu pensei que ele se transformou (sem a sua influência) em Sliders. (não é um show muito bom, por acaso) -- David Felts
GeoRR : O que matou DOORWAYS foi principalmente foi uma sincronia ruim. Em agosto de 1992, quando exibimos o piloto para a emissora pela primeira vez, a ABC estava salivando para encomendá-la e, de fato, encomendou seis scripts de backup, um número muito alto. Mas estávamos muito atrasados ​​para a temporada do outono de 1992, então tivemos que esperar até maio do próximo ano. Entre agosto e maio, os dois maiores campeões da rede, os executivos que haviam trabalhado no programa conosco, partiram para outros empregos. Seus sucessores nos consideravam algo que restava do antigo regime. Quando chegou a hora da crise, a ABC decidiu que eles queriam apenas um único novo programa de SF em sua programação e seguiram com LOIS & CLARK, que havia sido desenvolvido pelo regime seguinte. E para quem não sabe o que foi o DOORWAYS ... bem, foi SLIDERS. Só que bom.
Visitante (Gdozois) : George, vamos sair agora. Tenha uma boa entrevista e diga Olá para Parris por nós. Boa noite Ellen, Ed e os demais. --Gardner
Ed_Bryant_mod : Uma pergunta em outra área. WILD CARDS, aquela longa série de livros de Bantam e Baen sobre supercaras e supermocinhas, vivos e às vezes bem, em um mundo que eles realmente criaram - alguma chance de continuar de alguma forma? Ainda parece haver público.
GeoRR : Gostaria muito de continuar com WILD CARDS, mas agora há muitas outras coisas no meu cardápio. Além disso, não temos um editor. Em retrospecto, mudar para a Baen foi um grande erro. Eles nos pagaram mais dinheiro, mas não venderam os livros com a mesma eficácia que a Bantam e depois nos culparam pelas vendas fracas. Suspeito que os WILD CARDS retornarão eventualmente, de alguma forma, embora possa haver um hiato de alguns anos. Alguns dos escritores estão fazendo barulho sobre como fazer histórias independentes sobre seus personagens e vendê-los para as revistas. Se algum dia eu encontrar tempo, provavelmente eu mesmo farei algumas histórias de Tartaruga e Popinjay.
Ed_Bryant_mod : Falando em WILD CARDS, apenas no caso de um de nossos sistemas travar novamente, eu queria fazer uma pergunta que assombra a maioria de nós, escritores. À medida que os livros esgotam com grande velocidade, eles se tornam o desespero do leitor lento demais para pegá-los durante as oito horas em que estavam à venda... Você é um dos escritores ativistas que se esforçou para manter seus livros disponíveis com seus próprios esforços. Isso está funcionando? E como os leitores podem aproveitar o seu serviço nessa área?
GeoRR : Sim, eu realmente mantenho estoques de meus livros esgotados e sobressalentes, tanto de capa dura quanto de brochura. De WILD CARDS, tenho volumes 1,2,6,7,9 e 11. Também tenho livros de bolso britânicos de REIS DA AREIA e TUF VOYAGING, a adorável edição limitada numerada e assinada do ARAMGEDDON RAG com slipcase e as primeiras edições do SONHO FEBRIL, SANTUÁRIO DOS VENTOS E RETRATOS DE SEUS FILHOS. Qualquer pessoa que queira alguma dessas informações pode me enviar um e-mail para [[email protected]](mailto:[email protected]) ou [[email protected]](mailto:[email protected]). Os preços são muito razoáveis ​​e os autógrafos são gratuitos. Você não apenas receberá um livro lindo e assinado, como também ajudará a apoiar meu mania com soldados de brinquedo. Desde que comecei a fantasia, fiquei viciado em colecionar cavaleiros em miniatura.
Ed_Bryant_mod : Ótimo. Lembrarei às pessoas que livros assinados e personalizados são ótimos presentes de fim de ano. Voltando a WILD CARDS momentaneamente. Uma enorme quantidade de material foi publicada ao longo de alguns anos de trabalho duro e febril. O que você acha que foi o maior apelo?
GeoRR : Bem, tivemos alguns escritores muito bons e algumas histórias fantásticas, mas acho que foi mais do que isso. O que notei no WILD CARDS foi o intenso interesse que os leitores desenvolveram nos personagens. Eles não eram apenas fãs do Wild Cards, eram fãs do Turtle, ou do Tachyon, ou do Fortunato. Cada leitor tinha personagens que amava e outros que odiava com a mesma paixão, e eles queriam acompanhar suas vidas. Eu sustento que é a mesma coisa que faz as pessoas acompanharem novelas de TV.
Marilee : George, eu sempre leio todas as histórias em Asimov, até mesmo as fantasias, mas frequentemente não estou interessado em comprar um livro relacionado a uma história de fantasia. Eu li "Blood of the Dragon" na edição de julho e imediatamente encomendei A GUERRA DOS TRONOS (que está abrindo caminho ao topo da pilha de leitura). O que fez você decidir escrever uma fantasia agora?
GeoRR : Marilee, eu respondi sobre esse assunto, talvez antes de você entrar. Não sei se há como retroceder, mas ... resumidamente, o livro não me deu escolha. Eu estava trabalhando em um romance completamente diferente, mas A GUERRA DOS TRONOS acabou de me tomar. Estou feliz que você tenha gostado de "Blood of the Dragon". Eu estava trabalhando em um capítulo de Daenerys hoje, por incrível que pareça.
Estranhamente, acho que nunca poderia ter escrito A GUERRA DOS TRONOS, a menos que eu tivesse feito WILD CARDS primeiro. O grande elenco de personagens de GOT é muito diferente dos meus romances anteriores, que se concentram muito em um único protagonista (A MORTE DA LUZ, SANTUÁRIO DOS VENTOS, ARMAGEDDON RAG) ou no máximo dois (SONHO FEBRIL). WILD CARDS, por outro lado, é =repleta= de personagens, e editar esses livros, especialmente os romances-mosaico, me deu muita prática no malabarismo com vários pontos de vista. Estruturalmente, A GUERRA DOS TRONOS é um romance-mosaico de WILD CARDS, só que comigo escrevendo todas as partes.
Ed_Bryant_mod : George, agora que você é um veterano em Hollywood, você acha que algumas das mesmas forças estão começando a deformar a publicação impressa também? Os novos autores com romances não seriados estão perdidos? E a publicação na web? Sinta-se à vontade para abordar qualquer um desses...
GeoRR : Uma pergunta deprimente, e uma resposta ainda mais deprimente ... mas sim, devo dizer, acho que as publicações estão sendo Hollywoodizada e tenho muita empatia por novos escritores que tentam entrar no ramo. Acho que ainda é será possível fazer um bom trabalho, mas muito menos possível ganhar a vida com isso. Quem ganhará a vida com isso serão as pessoas trabalhando em franquias e atendendo a gostos já estabelecidos, como [Star] Trek e Star Wars. É uma imagem sombria para alguém que realmente quer ser escritor em tempo integral. Por outro lado, antes de 1970 havia pouquíssimos escritores de SF em tempo integral, então talvez estejamos voltando ao que havia na Era de Ouro.
Ed_Bryant_mod : Deprimente, de fato. E o admirável mundo novo da publicação on-line? Alguma área brilhante que você possa enxergar?
GeoRR : Ainda não estou convencido de que a publicação on-line possa funcionar. Quero dizer, não vejo como alguém faria dinheiro com isso. Além disso, devo admitir, adoro livros, a sensação deles, a aparência deles, a conveniência. Leio-os na banheira, na cama e sentado ao ar livre. Não posso fazer isso com um leitor on-line, e também não gosto de imprimir romances e ter que lutar com pilhas de papel pesadas.
Marilee : Li todas as novelas OMNI no meu HP200LX - um computador de bolso que é mais leve e menor que a maioria dos livros, e pode ser segurado como um. Eu os li em consultórios médicos, restaurantes ou em qualquer lugar que eu tivesse que esperar. Ainda assim, ele seria muito caro se fosse apenas para ler livros.
Visitante (206.113.120.25) : Quais são suas próximas aparições na Whimpy Zone? --Keith
GeoRR : Não há muitas viagens nos meus planos atuais. Eu fiz uma turnê de quinze cidades pelo A GUERRA DOS TRONOS em setembro e outubro, além de Worldcon, Archon e World Fantasy Con, então agora estou feliz por estar em casa. Estarei em Archon novamente em outubro próximo e, claro, na worldcon em San Antonio, e em fevereiro vou a Nova Orleans para o Mardi Gras. Além disso, eu não sei. Eu posso ir ao Neulas [Nebula] em Kansas City.
Marilee : O que você fará com os cavaleiros de brinquedo quando os adquirir? Eu tenho muitos spaceguys de Lego, mas eles geralmente ficam na prateleira e são reorganizados de vez em quando.
Ed_Bryant_mod : Hmm, George. Talvez você possa se tornar um fazedor de pacotes e iniciar linhas de romances que exploram o mundo dos ônibus espaciais e cavaleiros de brinquedos Lego. Publique-os como Ron Goulart costumava escrever quando estava na publicidade... na parte de trás dos pacotes...
Talvez uma ou duas perguntas finais à medida que o tempo diminui. Onde você se vê como escritor em dez ou vinte anos, George? Ainda fazendo o mesmo reconhecidamente amplo leque de ficção? Ou há novas fronteiras que você deseja encarar?
GeoRR : Quanto aos cavaleiros, sim, eu os coloco nas prateleiras, arrumo os dioramas, os reorganizo e compro vitrines cada vez maiores e mais caras. Porém, eu não lido com Lego. Tenho Britain, Pings, Timpos, Banners Forward, Arsenyevs, Hornungs, Tiffany Soldiers, Staddens, Wyvern Standards, Traditions e uma dúzia de outros fabricantes, e também compro as remodelagens baratas de plástico e as pinto. Essas não são miniaturas de jogos, entenda. Estes são do tamanho tradicional de soldado de brinquedo, de 54 a 70 mm. As miniaturas de jogos são de 15 ou 25 mm, pequenas em comparação. Minha grande fantasia é encontrar o veio-principal da Courtenays sendo vendido em um mercado de rua por três dólares cada. Sorriso.
Ed, para dizer a verdade, não sei ao certo o que vou escrever daqui a cinco anos, muito menos vinte. Livros, TV, contos... Eu gostaria de fazer de tudo, mas nunca há tempo suficiente. Especialmente porque tenho o vago desejo de tentar ter uma vida também. Na verdade, não me saí tão bem nessa última parte; às vezes, olho para trás sombriamente ao longo de todos os anos passados ​​sentados em frente aos vários tipos de teclado, escrevendo sobre paixão, aventuras e maravilhas, quando o que realmente quero é =vivenciar= alguma delas. Mas talvez essa seja a maldição de todos os escritores. A maioria das biografias de escritores é mortalmente monótona, exceto para outros escritores - páginas e páginas de "E então ele escreveu". Ah, ok.
O que eu desejo para você, George, é que talvez você possa dividir seu tempo entre o teclado e o mundo. Nunca é tarde demais para ter uma aventura genuína. Então, boa sorte. E não leve nenhum soldados de brinquedo de madeira. Muito obrigado por participar do Omni Visions Prime Time hoje à noite. E para o resto de vocês, obrigado por participar. Boa noite a todos.
Marilee : Obrigado por aparecer, George!
GeoRR : Feliz de ter vindo aqui. Ed, Ellen, obrigado por me convidar. Depois que resolvemos os problemas, foi divertido.
GeoRR : Boa noite, Pessoal.
ellendat : Boa noite, George, e obrigado por ter vindo.
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2019.09.15 04:06 triplico Don L [ARTISTAS]

Contexto
Estamos aqui para mais um post dessa série chamada "artistas". Desde o início eu tenho tentado colocar Flairs nos posts mas não sei mexer direito nessa porra, então deixa por assim por enquanto. Para quem não viu o primeiro, o link está aqui e foi sobre o Diomedes Chinaski.
Dessa vez vamos falar sobre o Don L, também conhecido como "o favorito do seu favorito" ou "o último bom malandro". Don L é um rapper de Fortaleza, que teve sua primeira notoriedade com a Mixtape "Dinheiro, Sexo, Drogas e Violência de Costa a Costa". Essa MixTape me atrai muito, primeiro pelo conceito de continuidade das músicas. Ela não para uma track para puxar a próxima, elas vão fluindo e os interlúdios ligam isso muito bem. Isso só realça a importância de ouvir tudo em ordem.. As alternações entre o Don L e o Nego Gallo são excelentes também. Não sei nem o nome de todos os integrantes, mas essa mixtape é muito boa. Só Função e Necessário tem excelentes samples, e nem preciso falar de Vive Agora, né? ... Outro motivo para eu gostar muito dessa mixtape é que eles realçam muito a proposta deles. O Don L já usou o conceito de "música motivacional" em outras tracks, e é bem essa a ideia da mixtape. Eles falam para caralho nos versos, mas sempre tem um refrãozinho guiando a porra toda e passando uma mensagem good vibes. O terceiro motivo para eu gostar tanto é a duração. 1h16m e 23 sons não é para qualquer um.
Trocando de trampo, tem o Caro Vapor, Vida e Veneno de Don L. Essa Mixtape me atrai muito, de novo, pela quantidade de sons. Muitos hits, muita variação. Muito tempo (1h03m de som) e muitos clássicos. Só não gosto muito que não há tantas participações assim, mas não diminui em nada a qualidade desse trampo.
Já o trampo mais recente dele (de 2017) é o Roteiro para Ainöuz Volume 3... Uma obra prima. Não consigo elencar melhor sequência dentro de um álbum do que 1. Eu não te amo 2. Fazia sentido e 3. Aquela fé. Esse CD tem um diferencial em relação aos anteriores, que tem metade do tempo (uns 36m), mas é lindo igual. Geralmente eu boto ele para tocar e vou lavar louça, tomar banho e arrumar o quarto, dá um tempo bom para fazer tudo e eu vou cantando durante todo o tempo. Muito conceito bom, muita rima boa. E a ideia desse CD é ter também o volume 2 e o volume 1, já que ele planejou ser uma trilogia em reverso...
Fora isso, algumas músicas que foram lançadas em singles também me atraem muito, como é o caso das 3 "verso livre" Don L - Verso Livre Nº. 1 ( Giramundo ), Don L - Verso Livre Nº. 2 (018) e Don L - Verso Livre O Mundo é Nosso Part.2 - Ep. 149...
Não é difícil encontrar outras singles boas, como a maravilhosa (e recente descoberta para mim) Essência, ou a Ipanema B, Não escute meus raps ou até mesmo a "love song" Chapei.
Falando de participações, dou um destaque para: Poetas no Topo, Poesia Acústica 5 (ele salva a track, na boa) e a Lei Rua Neles (essa é política, importante e muito boa. Não tenho coragem de linkar só a parte dele).. para terminar, Blogueira que ele participou com o Froid é uma das melhores rimas dele (na minha opinião).
No mais, não sei se esqueci algo dele. Ele tem muita letra foda... O flow dele é sensacional. Sei que sou suspeito para falar, mas o cara é foda. Tenho uma playlist no spotify com todas as tracks dele que tem lá em ordem cronológicas, então para quem usa o serviço, façam bom proveito! O link está AQUI.
Entrevistas
Rap Box; BlackGate; Blaze It Up; Bud Vibes; Título da mixtape.
Apresentações ao vivo
Manos e Minas recente RPAV3; Manos e Minas Caro Vapor; WRM Showcase; Doce Dose no Rap Box antiguera.
Tracks Favoritas
Sempre a parte mais difícil... 1. Aquela Fé 2. Lei Rua Neles 3. Camisa 10 (Diomedes) 4. Poesia Acústica 5 5. Slow Jam
Obrigado!
Off-topic: postando pouco por não ter PC em casa, por não ter saco pra ir pra facul fazer isso e por estar meio mal da cabeça. Apanhei para a formatação de novo...
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2019.09.01 00:49 LinkRaider [Rant] O Coates não é o culpado da derrota de hoje

Vejo montes de pessoas a derreter o Coates nas redes sociais e os media a fazer banter com a situação e não me cabe na cabeça como é que alguém pode culpá-lo depois do que se passou hoje.
Não jogamos nada. O Rio Ave na primeira parte limitou-se a meter as bolas nas costas do Thierry (resultou sacaram um penalti cedo) mas depois disso foi mais do mesmo. A equipa tá com o bloco muito subido, laterais sobem imenso e descem a passo e temos um médio defensivo que complica mais do que constrói.
Acrescento ainda que, parecendo que não, somos o Sporting. O Keizer tem um medo tremendo de deixar fugir o resultado então põe-se a jogar na defensiva: dá posse ao adversário depois de por a equipa a pressionar desmesuradamente e não sabe fazer substituições.
Aos 75 minutos faz a primeira sub quando o Carvalhal já tinha feito as 3, e em vez de refrescar o miolo faz o clássico tirar [extremo esquerdo], subir Acuna, entrar Borja. Mal fizemos isto e o Rio Ave saca 2 penalties pelo mesmo sítio onde o Borja devia estar a acompanhar. 2 lances iguais. O primeiro (2º penalty) é ridículo e desorientou a equipa mas o Rio Ave explorou o mesmo sítio para o 3º penalty. Na minha opinião, estão a culpar o bombeiro pelo incêndio (claro que aborda mal os lances e tem a sua parte da culpa mas das 3 vezes ficou sozinho com o defesa na área). Isto não é duma equipa grande, eu espero isto do Feirense ou do próprio Rio Ave.
Ah e para mim a cereja no topo do bolo é por o Plata, sem ter antes qualquer minuto pela equipa A, depois de sofrermos à espera que ele faça um milagre. É completamente a gozar com a cara dele, ele é craque e não merecia receber a responsabilidade do treinador assim.
TL;DR Rua Keizer.
/rant
EDIT: Também me esqueci de mencionar que o Coates é o melhor extremo da nossa equipa.
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2019.07.09 07:35 altovaliriano Game of Thrones, conheça Tony Robbins

Link: https://bit.ly/2XCtiqe
Autora: @sadydoyle (Fundadora do blog Tiger Beatdown, autora de “Trainwreck" e “Dead Blondes & Bad Mothers")
Eu tenho que admitir: a enorme popularidade de Game of Thrones me pegou de surpresa. Quando li pela primeira vez a série Song of Ice and Fire, de George R. R. Martin, eu sinceramente não conseguia entender como ela conseguiu legiões de fãs. Como muitos escritores de “fantasia sombria” dos anos 80 e 90, Martin procurou preencher o gênero literário com uma dose de “realismo” - principalmente enfiando mais sangue, sexo e anti-heróis. E como escritor, Martin não é grande coisa: seu estilo blood-and-thunder \literatura popular fantástica]) e empolado semi-medievalismo são geralmente mais risíveis do que arrepiantes.
Isso não é apenas meu esnobismo de gênero literário falando. Se você quer ler um enorme épico de fantasia que envolva sexo esquisito e torturas horríveis, escritores como Clive Barker e China Miéville forneceram exemplos com mais estilo e imaginação. Ainda assim, especialmente desde o advento da blockbuster série de TV Game of Thrones (que voltou ao ar na HBO esta semana), é o trabalho de Martin que captou o zeitgeist. E depois de assistir a abertura da quinta temporada, acho que finalmente entendo o porquê.
"Acredito que os homens de talento têm um papel a desempenhar", explica o eunuco Lord Varys na noite de domingo. “Qualquer tolo com um pouco de sorte pode nascer em meio ao poder. Mas conquistá-lo por si mesmo? Isso requer esforço."
A linguagem aqui é mais ou menos indistinguível de um congresso de Tony Robbins. E isso não é acidental. Todos os personagens de Game of Thrones vivem em um ambiente de competição brutal, amoral e incessante, onde qualquer um pode e trairá qualquer outra pessoa, onde valores e ideais são inúteis porque impedem a pessoa de cultivar uma ambição propriamente sociopata, e onde a atenção e a simpatia do público é encorajada a ficar com os sociopatas mais eficazes, que andam em trajes bacanas, planejando obter mais poder e/ou reclamando que eles não têm o suficiente, enquanto massas vastas e anônimas sofrem e passam fome em um anonimato imundo e acessório.
Fantasia? Diabos: este é o Estados Unidos corporativo usando braguilhas.
Não surpreende que Westeros tenha mais em comum com a realidade capitalista atual do que com os reinos medievais ou renascentistas que Martin alega usar como referência: a fantasia, em última instância, atrai o leitor por causa de suas semelhanças com nosso mundo, não por suas diferenças. O capitalismo global é o problema que define o tempo de Martin, assim como a Primeira Guerra Mundial foi a crise definidora de J. R. R. Tolkien.
(Aliás, o status de Martin como um escritor comercial íntegro provavelmente o ajude a assumir a persona de impiedoso. Se ele só tivesse a intenção de contar uma história em vez de fazer fortuna, a série teria terminado há, no mínimo, quatro livros atrás.)
O que é mais surpreendente é quão facilmente os públicos aceitam a tese (ou desculpa) de Martin de que toda a crueldade e egoísmo em Westeros são apenas um reflexo da “verdadeira” natureza da humanidade e quão sem crítica projetamos nossas próprias ambições em seus personagens.
Considere o mais recente merchandise dos fãs de Westeros. Esta semana, a editora de auto-ajuda Infinite Ideas vai lançar "Game of Thrones nos negócios: Estratégia, Moralidade e Lições de Liderança do programa de televisão mais falado do mundo" \Game of Thrones on Business]). Recheado de lições atemporais como "Network, Network, Network: dicas sobre como trabalhar suas conexões por Petyr Baelish e Lorde Varys" e "Lidere para Vencer: Tywin Lannister mostra que torpeza compensa", este pequeno manual contém tudo que você precisa saber para tocar seu negócio como um sociopata assassino. Ei, "se a misericórdia e a paz não funcionarem para você, por que não apostar no outro extremo?"
E depois há o fluxo constante de artigos de revistas de negócios prontos para ajudá-lo a cavoucar os Sete Reinos para obter dicas sobre como se manter firme no trabalho. Com títulos como " 8 Lições Empresariais em Game of Thrones " e "Cada Casa em 'Game of Thrones' Imaginada como uma Corporação Global", esses artigos são clickbait, tudo bem, mas eles também são um lembrete de que a competição implacável, manipulação brutal das vulnerabilidades de outras pessoas e a crença de que há apenas um lugar para estar - o topo - são os valores tanto da realidade capitalista quanto da fantasia de Martin.
Martin sustentou que seu mundo de fantasia é apenas um reflexo das realidades históricas e, como tal, ele não pode ser acusado de sensacionalismo. Quando Dave Itzkoff, do New York Times, perguntou a Martin por que ele apresentava violência sexual em uma frequência entorpecedora, Martin respondeu: “O estupro e a violência sexual têm sido parte de toda guerra já travada, desde os antigos sumérios até nossos dias atuais. . . . Omiti-los de uma narrativa centrada na guerra e no poder teria sido fundamentalmente falso e desonesto". (Dado o ódio de Martin por elementos “falsos” da trama, imagino que mortíferos zumbis de gelo e bruxas sensuais tenham sido parte de toda guerra já travada também. E você se perguntava por que demoramos tanto para sair do Vietnã!)
Mas o que Martin criou é um mundo no qual a brutalidade não é apenas generalizada, mas também justificável. E David Benioff, co-criador e showrunner da série de TV, mais do que seguiu com o modelo.
De acordo com a lógica de Westeros, todo mundo é um monstro e provavelmente um monstro pior do que você imagina; portanto, cometer alguns atos monstruosos aqui e ali é algo que você “tem” que fazer, para seguir e sobreviver. O que são algumas mentiras, algumas traições, algumas crueldades, quando há um cara lá fora que mantém uma granja de sexo com suas próprias filhas?
Game of Thrones, ao que parece, reproduziu magistralmente o estiloso truque central do capitalismo - que é nos convencer de que não há alternativa melhor. Você tem que brigar até chegar ao topo, por qualquer meio necessário, porque o cara ao lado está fazendo o mesmo. Se você não acabar acima dele, você necessariamente acabará abaixo dele, e só Deus sabe o que ele fará com você quando ele vencer.
Eu passei a respeitar o poder da saga de Martin - ainda que minhas opiniões sobre seu valor artístico tenham permanecido negativas (um exemplo: “The cravenly ones will sit behind their walls waiting to see how the wind rises and who is likely to triumph” - e isso é um diálogo) - simplesmente porque conheço muitas pessoas que se conectam com ela. Em particular, conheço muitas mulheres inteligentes que se identificam com as personagens femininas do série, que vêem a revolucionária e cheia de dragões Daenerys Targaryen ou a vingativa e andrógina Arya Stark como seus avatares na tentativas de obter sucesso num reino de Zuckerbergs e Spiegels.
Mas os requisitos de tal sucesso, dificilmente, são ideais: a brutalidade deve ser internalizada, e o jogo deve ser jogado como ele é.
Em seu cerne, Game of Thrones é menos uma explicação da mentalidade capitalista do que uma justificativa para ela. A afronta de George R. R. Martin não é ao bom gosto, nem mesmo à gramática ("The cravenly ones"? Ele quis dizer "cowardly"? Veja bem, a forma adjetiva de "craven" é craven. Ele está tentando soar mais medieval?). Não, a verdadeira afronta é à imaginação - um estranho déficit, se você pensar bem, para um escritor de fantasia.
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2019.06.09 04:48 MattBrasil É humilhante ter que mendigar companhia. É doloroso não ser lembrado.

Antes de começar duas notas:
  1. Eu sei que isso talvez coubesse mais ao desabafos, mas decidi postar aqui porque acho que chega a mais pessoas, e talvez faça sentido pra mais gente.
  2. Também sei que existem pessoas com problemas “de verdade”, coisas muito mais sérias, enfrentando barras muito piores. Mas é como li esses dias aqui no reddit ( LifeProTips eu acho?) : “A dor do outro não diminui seu sofrimento”.
TL;DR no final.
Boa noite amigos. Hoje decidi postar isso aqui pra ajudar a tirar um pouco do peso que tô sentindo hoje.
Um pouco de contexto. Não quero tomar muito tempo, nem fazer um mega textão, então vou tentar ser breve e omitir a maior parte das coisas, focando no principal.
Após 5 anos de casado, estou enfrentando divórcio. Não é o divórcio mais absurdo do mundo, mas tem meu filho especial envolvido, e meus pais conservadores também. Isso tem sido pesado. Já estou separado há mais ou menos um ano, só esperando o advogado desenrolar os papéis. Isso já me causa ansiedade. São 5 anos vivendo a vida de casado, com companhia todos os dias. 6 se contar o namoro, 9 se contar o namoro anterior. Há muito tempo eu não ficava solteiro. E a frase “solteiro sim, sozinho nunca” não poderia estar mais longe da minha realidade. Eu estou, de fato, muito solitário. E deprimido. E ansioso.
Meus pais se mudaram da cidade em dezembro passado. Em 31 anos de vida, é a primeira vez que moramos longe. Meus amigos são todos introvertidos, nerds. Todos gostam de ficar em suas próprias casas, jogando, vendo filmes, séries, etc. Eu também gostava, mas isso não tem sido suficiente pra me ajudar a combater minha solidão / depressão / ansiedade. Há algum tempo, eu decidi que precisava sair mais, ver gente, conversar, interagir.
Tentei sair sozinho algumas vezes, mais isso é mais deprê que tudo. Não encontro ninguém que conheço, e nem tenho jeito pra interagir com quem não conheço. Acaba piorando tudo: saio para ver casais, turmas de amigos, pessoas socializando enquanto eu fico sozinho numa mesa ou num canto, “curtindo” minha solidão. Mudei de estratégia.
Resolvi enturmar mais com as colegas de trabalho (os colgas, no masculino, são pessoas mais caseiras, ou são casados que se recusam a sair). Via sempre nas redes sociais como elas estão sempre saindo e se divertindo, e resolvi enturmar. Como já conhecia e já conversava com elas (Vamos chamá-las de W. e J.), e elas já sabiam da minha situação, que descrevi acima, foi menos doloroso fazer a primeira “mendicância” de companhia. Falei na cara dura mesmo, “se forem sair, se for rolar alguma coisa me chamem, tô precisando sair, ver gente.”
Elas adoraram a ideia. Logo conheci o marido de cada uma (ambos gostaram de mim, inclusive a J. falou que o marido veio comentar que me achou um cara muito legal), a filha da J. e saímos umas duas ou três vezes. Eu me considerava parte da turma até. Tava me fazendo bem. Brinquei com o fato de que eu era o único sem par, e as colegas incentivaram “Opa, vamos mudar isso, você vai conhecer umas amigas nossas” e etc.
Mas há três semanas já que não sou convidado pra nada. É sempre o mesmo papo “Ahh hoje não sei se vai rolar alguma coisa, se for a gente te fala.”. Sempre tem alguma coisa. Nunca sou chamado. Depois só vejo as fotos em redes sociais.
Ainda essa semana a J. disse “Nossa, você tá sumindo.” Eu respondi: “É, eu tenho quase certeza que estou desaparecendo aos poucos, ficando invisível.”
Mas esse fim de semana acho que meu nível de trouxa atingiu níveis épicos.
Mesmo não gostando de ter que mendigar companhia, sexta-feira eu engoli meu orgulho e fui pedir. “Então, hoje é dia. Vai ter um happy mais tarde? Se forem fazer algo, me chamem.”. A J. disse que não ia rolar nada, que estava frio e ela tava desanimada. A W. disse “Hoje não, mas no fim de semana aí deve rolar, aí eu te ligo eu mando mensagem, certeza.”. Saíram Sexta. Saíram Hoje. Eu fui lembrado? Não. Eu acho humilhante ter que ficar pedindo pra ser chamado pra sair, mais é doloroso ver que nem pedindo eu sou lembrado.
Pra colocar a cereja no topo do meu bolo, hoje à tarde fui no shopping aqui da minha cidade, e vi a menina em quem eu sou perdidamente apaixonado (não correspondido, como já devem imaginar). Ela me viu, depois baixou a cabeça pro celular, e me ignorou por completo. Mas essa já é outra história.
O texto ficou gigante mesmo eu tentando resumir. Se você leu tudo, obrigado, de verdade. Me sinto melhor só de compartilhar. Se não leu, segue o TL;DR.
TL;DR: Vivo pedindo aos colegas de trabalho pra me chamarem quando forem sair. Nem assim lembram de mim, e não sou mais convidado pra nada.
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2019.03.04 00:14 Manner1918 Nação Livre Brasileira

-Contexto: Estou escrevendo este livro por causa de um devaneio. Estou procurando criticas tanto positivas quanto negativas sobre esta escrita.Para ter um contexto geral antes da leitura, esse livro se passa em um mundo alternativo onde a Alemanha ganhou a Segunda Guerra Mundial, os nazistas também invadiram o Brasil e a tornaram em um estado fantoche a serviço da Alemanha.
Ainda não fiz nenhuma personagem no livro explicar sobre esse evento, ou como eles ganharam a guerra, mas já tenho as ideias principais anotadas em um caderno e tudo vai ser bem explicado. Se você tiver qualquer dúvida sobre o porque eu não dei muitos detalhes sobre qualquer coisa (a casa, as características de personagens, roupas, etc) é porque eu decidi não explicar no momento que a cena acontece, mas vou detalhando sobre tudo ao decorrer do livro.
-Importante: Só estou postando o primeiro capitulo do livro, apesar de ser mais de 3000 palavras. Já escrevi o inicio do segundo capitulo, mas está incompleto.Sinto muito por qualquer erro de português. E sinto muito por ser longo, mas vamos ao inicio do livro:


Eram cinco da manhã, Amélia tinha passado a noite acordada já que sua insônia tinha lhe mantida acordada novamente. Ela virava de um lado para outro na cama, agitava seu cabelo negro e liso que vinha até seus ombros, girava e apalpava seu travesseiro, tentando conseguir dormir ao mínimo alguns minutos. Mas foi tudo em vão e logo ela começava a pensar, enquanto desistia de culpar a sua cama pela insônia, pensava sobre como ela ainda não tinha um pingo de sono e enquanto olhava para o teto de seu quarto, pensava novamente em seus avós, como toda manhã, e como ela sentia saudades deles, de suas risadas, conselhos, puxadas de orelhas e, sobretudo, o cheiro do bolo de chocolate que seu avô fazia enquanto ela escutava as músicas que sua avó ouvia enquanto alimentava seus belíssimos pássaros. A sua avó adorava pássaros, e ela os tinha de todas as cores e espécies que ela poderia se lembrar, ela se lembrava do periquito azul, do canário amarelo, da calopsita cinza, da andorinha branca e um pássaro peculiar que parecia um pequeno pavão, da qual Amélia adorava como parte de sua família e até nomeará o pequeno pássaro como Fênix.
Os avós de Amélia tinham saído do país para viajar, isso de acordo com seus pais que tinham recebido uma carta no mês passado, na carta eles citam que iriam para um lugar muito longe e muito bonito, para Amélia, este lugar só poderia estar cheio de pássaros e bolos de chocolate. Mas, ao se tocar da realidade, ela cortou o seu sorriso da cara ao lembrar que eles nunca escreveram novamente, nem mesmo uma carta ou cartão postal. Ela pensava se tinha feito algo de errado antes deles partirem, talvez tenha sido o quadro do vovô que ela tinha derrubado ao brincar de astronauta no quarto de seus avós, ou talvez o vovô tenha ficado bravo com ela por ela derrubar o fermento, fazendo que o bolo do vovô não tenha crescido, ou poderia ter sido a gota d’água ela ter desligado a música da vovó acidentalmente em seu aniversário de seis anos. Ou talvez ela não era uma boa ouvinte dos conselhos, talvez ela nem merecesse os ouvir, ela não se sentia corajosa como sua avó, ou astuta como seu avô, pensando bem, ela não se sentia nem forte, nem observadora, ou dedicada, focada, e até mesmo inteligente como seus avós. Como toda manhã, ela pensava novamente em outro e novo motivo que poderia justificar a viajem e a não comunicação com ela por parte de seus avós, e hoje, ela pensava que poderia ser a sua gula, talvez se ela não tivesse pedido mais um pedaço de bolo no aniversário de oito anos, eles poderiam ter ficado.
Em todos estes pensamentos, ela notou que seus pais finalmente acordaram, na noite passada eles combinaram de acordar mais cedo para se arrumarem, ela se sentia sozinha com seus pensamentos a noite inteira por causa de sua insônia, ela vira para seu relógio de pilha que marcava seis em ponto, em breve ela teria que ir rapidamente a rua na frente de sua casa, precisando estar com cabelo e roupas arrumadas, e portando um sentimento de foco, força e determinação. Ela sentia dificuldade em todas as etapas, como iria arrumar o cabelo se ele sempre ficava mais alto na parte direita?, como iria arrumar a sua roupa, se ela se sentia desconfortável com a calça e o tênis verdes?, ela odiava os tênis verdes, como iria se levantar com foco, se quando levantava o sono lhe atacava com seus grilhões fortes? como iria sentir força se ela era tão magra em comparação aos seus pais e avós? E, como iria se sentir determinada, se ela deveria ser o motivo para seus avós partirem em uma viajem para outro país que parecia durar para sempre? As seis e quinze, o relógio despertava, ela conseguia ouvir o bairro inteiro se levantando em um pulo, ela queria ter essa força de vontade como os outros, principalmente a força de vontade de seu vizinho que ela nunca virá ficar triste ou desanimado, quem conseguia ficar animado de manhã? Ela pensava consigo mesma. Finalmente, seus pais batem na porta de seu quarto.
-Vamos logo Amélia, não se perca no horário novamente mocinha.
Dizia o seu pai, quase gritando. Ela tinha perdido o horário no dia anterior e enfureceu o seu pai e ela teve que ficar sem ler a parte do jornal que continha as tirinhas que ela adorava, do Capitão Hound, ela não queria perder mais um dia de suas aventuras no espaço. Levantando em seu ritmo e motivada pelas tirinhas que iria ler no fim do dia, pegou em seu armário as suas roupas e as vestiu sem ligar a luz de seu quarto, ela então olhava no espelho e tentava seu arrumar o máximo possível para não desapontar seus pais e finalmente sai do quarto e vai de encontro aos seus pais na sala de estar, ela via o seu pai terminando de se arrumar, ele tinha comprado uma gravata nova após tanto reclamar por falta de uma por quase um mês inteirinho, e reclamava por sempre estar passando vergonha na frente de seus vizinhos que tinham uma gravata nova quase toda semana, mas, dessa vez, ele iria impressionar com a gravata marrom escura de veludo nova, que combinava com seus cabelos e olhos castanhos, mas não tanto com a barba, pensava Amélia. Sua mãe estava otimista com seu cabelo, eles eram cacheados e escuros e todo dia pareciam ser diferentes após o banho e quase nunca à agradavam, mas hoje ela estava contente com o resultado que havia conseguido. O pai de Amélia checava em seu relógio de pulso a cada segundo para estar na rua de sua casa na hora certa, andava de um lado para outro em frente a porta, confiante com sua gravata de veludo.
-Eu sempre fico ansioso, não importa quantas vezes eu faça, ou quão pronto eu esteja, ou acho que esteja. Disse o pai de Amélia sem parar um segundo para respirar.
-Acho que nós já se acostumamos, a Amélia já está aqui e não irá cometer o erro de ontem, aquilo foi um show de horror. Sua mãe falava enquanto arrumava os seus brincos e olhando para a televisão em estática.
-Eu já pedi desculpas, eu só estava pensando no vovô e na vovó novamente e me atrasei, já chegou alguma carta deles mamãe? Amélia sempre tinha um pingo de esperança pela manhã, em que sua mãe lhe diria que havia chegado uma carta de seus avós.
-Já lhe disse para não comentar sobre seus avós, vamos deixar eles aproveitarem a viajem, também não podemos enviar cartas a eles, não sabemos o endereço correto e não podemos fica-
Enquanto sua mãe falava, seu pai a interrompe com um gesto de corte com a mão, e querendo desligar o assunto dos pais de sua esposa, que ele não gostava tanto por um motivo que Amélia não sabia.
-Pedir desculpas não adianta, o que move o nosso país e o mundo são ações, não palavras, você sabe muito bem mocinha, já lhe contamos essa história um milhão de vezes, não precisamos te falar o quão importante é que você sempre esteja na hora, esteja com foco, força e...
-Determinação. Completava Amélia a frase de seu pai com a cabeça baixa, olhando para os seus tênis verdes que tanto odiava.
-Agora, vamos continuar esperando a hora certa, a televisão já está no volume máximo, se o relógio não funcionar, temos a televi... – A fala de seu pai é cortada pelo despertador do relógio de pulso, mostrando que de fato eram sete horas da manhã, ele então desliga o despertador e abre a porta de sua casa com um grande sorriso no rosto, que, para ele mostrava sua força e determinação para continuar o dia e estar na hora exata todo dia seria uma grande demonstração de foco e ele se orgulhava nisso. Sua mãe acompanhou o marido enquanto puxava Amélia pelo ombro para lhe seguir, sua mãe sempre estava de cabeça erguida as sete da manhã, isto mostrava sua determinação, estar com sua filha mostrava o seu foco como mãe, já a sua força era refletida na saúde total de seu marido e sua filha. Amélia sentia que por conseguir levantar de manhã e não desmaiar de sono, era seu foco, aguentar seus pais com esses horários era sua força e, conseguir andar parecendo ridícula com aqueles tênis verdes, eram sua determinação.
Finalmente, os homens de cada casa começavam a elevar a bandeira nos mastros que todas as casas tinham exatamente alinhada, uma bandeira verde, amarela, com um círculo azul no meio e uma grande suástica branca com bordas pretas no meio desse círculo e dentro da suástica possuía em preto a frase “Foco, Força e Determinação”. Com a bandeira no topo, todos levantavam seus braços direitos em direção a bandeira e começavam a cantar o Hino da Nação Livre Brasileira.
Enquanto Amélia cantava o hino, acompanhando o ritmo do hino que estava sendo tocado na televisão da maioria das casas e nas rádios das outras casas, ela olhava ao seu redor, via que todos nunca tiravam os olhos da bandeira, não piscavam ou sequer moviam seus braços estendidos, e se questionava se ela também deveria estar sempre assim, mas ela não aguentava mais estar de pé cedo todos os dias, mesmo que sua insônia lhe mantivesse acordada a noite inteira. Ela olhava o seu vizinho que nunca virá ficar triste, um menino mais velho que Amélia, de cabelos curtos, lisos e loiros, chamado de Arthur Von Müller Hoff Braun, e ele, como toda sua família se orgulhava imensamente de ser totalmente alemão, o pai de Amélia tinha feito uma amizade quase duradoura com essa família. Já do outro lado da rua, ela via diversas crianças quase da mesma idade que ela, mas ela não tinha conhecimento de quase ninguém, ela tentava imaginar os nomes dessas crianças, do que elas gostavam de comer aos Sábados, se elas gostavam de bolo de chocolate, como deveria ser o quarto delas, imaginava se eles tinham uma televisão em casa ou um rádio, de quais desenhos eles mais gostavam, se eles eram alemães, ou italianos, japoneses ou brasileiros e, pensava também como os tênis de outras crianças eram incrivelmente mais legais do que os dela e ainda por cima, pareciam muito mais confortáveis do que os tênis verdes dela. No meio dessas famílias desconhecidas, ela via a sua única amiga da escola, uma menina de cabelos escuros e olhos claros, chamada de Rúbia, Amélia adorava esse nome, por achar muito diferente do que todos que já tinha ouvido na vida e, diferentemente das outras crianças, ela sabia quase tudo sobre Rúbia, começando pelo nome, o que ela gostava de comer aos Sábados, se ela tinha uma televisão, quais desenhos ela gostava e tudo mais. Rúbia não vinha de uma família muito rica, ela tinha exatamente tudo para ter uma boa vida, mas não tinham uma televisão, o que o pai de Amélia achava estranho e dizia que era algo que somente pessoas pobres e sem cultura não teriam uma televisão em casa, mas, a família de Rúbia tinha um rádio que precisava ser ligado em uma tomada, esse rádio não era um orgulho dos pais de Rúbia, mas Amélia achava o rádio incrível, por ser grande, quase do seu tamanho e não precisar comprar pilas quase toda semana, o que ela achava uma inconveniência enorme, além de ser muito bonito por ter um pedaço feito com couro de verdade, apesar de Amélia não saber exatamente de onde o couro vinha. Amélia tinha conhecido Rúbia após precisar de ajuda em História da Alemanha no segundo ano da escola, Rúbia ajudou Amélia em quase todos os aspectos da história alemã e ambas conseguiram notas máximas na última prova do ano escolar e, desde então, ficaram amigas para “todo mundo, para sempre e adiante”, como Amélia sempre dizia.
O hino tinha finalmente acabado, todas as famílias iam para dentro de casa após dobrar a bandeira, o pai de Amélia andava de peito estufado para que todos olhassem a sua gravata de veludo, enquanto ele ia retirar a bandeira para a hastear no próximo dia, já sua mãe foi em direção da família dos Von Müller para conseguir se atualizar nas conversas, já que no dia anterior não conseguiram conversar por causa do atraso de Amélia para cantar o hino nacional. Amélia estava ajudando o seu pai a retirar e dobrar a bandeira do Brasil.
-Filha, por favor, tente manter contato visual com a bandeira, você sabe que todo mundo faz isto.Dizia o seu pai quase sussurrando para Amélia.
-Eu... estava só olhando ao redor, a bandeira não ia sair dali pai. Você nunca fez isto quando criança?
-Se fiz, fui repreendido pelos meus pais, o mesmo que estou fazendo com você. Então eu espero que você siga o meu caminho e me obedeça. Amanhã olhe diretamente para a bandeira e não tire seus olhos dela, fui claro mocinha?
-Tudo bem pai, sinto muito. Disse Amélia com um tom deprimido, olhando novamente para seus tênis verdes. Ela imaginava se deveria contar ao seu pai que o tamanho que ele comprará estava errado, ou se ela deveria aguentar até o próximo ano, quando seu pai poderia comprar-lhe outro tênis, seu pai tinha guardado dinheiro para comprar a Amélia um tênis da marca Griffin, considerado um dos melhores de acordo com o programa de moda alemã que sua mãe tinha visto no ano anterior. Talvez seu pai fosse brigar com ela ou dizer que ela está maluca por não gostar de um tênis tão caro e de marca alemã. Com isto em mente, ela decidiu não falar nada para seu pai, e pensava que no ano seguinte, ele iria lhe comprar um tênis melhor, apesar que tinha medo que seu pai comprasse novamente um tênis que não lhe serviria.
Ela tinha terminado de ajudar seu pai com a bandeira, guardando-a em uma caixa de madeira ao lado da caixa de correio, e em um piscar de olhos seu pai foi para dentro de casa se arrumar para o trabalho e, se conseguisse se arrumar rápido ele conseguiria ver o noticiário da manhã que iria começar as sete e meia da manhã, exatamente a hora em que o hino nacional iria parar de tocar nas televisões e nas rádios. Amélia decide entrar em casa e checar novamente seu material escolar antes da aula, seria a terceira vez que iria fazer isso, já que, de madrugada ela tinha checado duas vezes por não conseguir dormir. Ela conta quantos lápis possui, quantas canetas, até tentou contar quantas folhas tinham em seu livro didático e em seu caderno, mas desistiu quando a contagem chegou a cinquenta e sete e meio, já que ela tinha rasgado uma página do seu caderno no meio para poder desenhar o Capitão Hound e ela juntos em uma aventura longe da sua casa, longe do bairro, longe da escola, longe do Brasil, longe de tudo e todos; Quanto Rúbia viu o desenho, pediu para estar junto com ela, Rúbia admirava os desenhos que Amélia conseguia fazer, ela tinha guardado em casa um desenho de Amélia, sobre uma noite estrelada dentro dos olhos de Rúbia. O desenho com ela, Rúbia e o Capitão Hound estava guardado perto do espelho de seu armário marrom, onde ela poderia ver toda manhã.
Ela escutou o som do jornal sendo jogado contra à porta, ela estava animada para poder ler o quadrinho novo do Capitão Hound, mas sabia que só poderia ler quando seu pai terminasse de ler todas as notícias, o que só acontecia ao anoitecer, mas ela não se importava com isso, porque ela sabia que o Capitão Hound estaria ali a noite para conceder uma proteção vinda do espaço e além. Ela saiu de seu quarto para o corredor, sua mãe ainda não tinha voltado para casa, com certeza a conversa com a vizinha deveria estar muito emocionante, ela pensou consigo mesma. Seu pai veio logo em seguida arrumando uma gravata antiga que ele possuía, com certeza ele só utilizaria a gravata de veludo na hora do hino, ou talvez em alguma outra ocasião importante, como quando sua mãe faria Schnitzel em algum jantar futuro, o pai de Amélia amava Schnitzel, ele abriu a porta da frente e pegou o jornal acenando para alguns vizinhos que estavam na rua, ele logo entrou em casa e guardou o jornal no topo do armário da sala, onde Amélia não alcançava de jeito algum, e ela tinha parado de tentar quando quase quebrou o braço se equilibrando em uma cadeira, querendo mostrar as tirinhas para Rúbia em uma tarde de Sábado. Seu pai então se sentou no sofá da sala e começou a ver o noticiário da manhã, ela se sentou no chão em cima do tapete branco e felpudo para esperar os desenhos as oito da manhã. Ela estava lá em corpo, mas sua mente sempre estava fervendo com novos pensamentos, ela se imaginava comendo novamente um bolo de chocolate de seu avô e vendo o álbum de fotos da vovó, que ela nunca tinha visto por completo, já que sempre começavam a ver tudo novamente toda vez que iam ver as fotos no fim da tarde, e na metade do álbum seu pai sempre chegava para lhe trazer para casa, a vovó sempre tinha histórias novas para contar, mesmo que as fotos eram as mesmas, apesar de Amélia não entender muito bem sobre o que a vovó falava, um tempo em que você não precisava acordar de manhã para cantar o hino, um tempo em que você não tinha toque de recolher, um tempo com o que a vovó chamava de liberdade. O que a vovó queria dizer com liberdade? Amélia nunca tinha visto algo além de sua casa, sua rua, sua escola, a casa de seus avós e o espaço sideral com o Capitão Hound. O pensamento de Amélia foi puxado de novo para o presente quando ela ouviu a televisão dar um alto som do noticiário, e um grito de espanto do papai.
-MINHA NOSSA. Gritou o pai de Amélia.
-Caros telespectadores, é com pesar que anunciamos um ataque terrorista novamente perto da Capital, os terroristas plantaram uma bomba na Praça da Liberdade e acabaram matando dois estudantes da Juventude Hitlerista e um político de alta patente que o nome não será relevado para maior segurança de seus familiares. Estes terroristas são inimigos declarados do Reich e do Brasil Livre, mantenham seus olhos abertos, seus vizinhos podem ser inimigos da nossa nação e da nação alemã, não se esqueçam de denunciar a qualquer autoridade sobre atividades suspeitas ligadas a terrorismo e ligações com tentativas de criar o fim da liberdade de nosso povo e da nossa grande nação. O nosso grande líder Heinrich Hitler II, fará um pronunciamento para a o Reich Alemão devido ao alto número de terroristas nesse ano, este pronunciamento irá ocorrer com intenção de unir a nossa grande nação em uma só causa. O pronunciamento será transmitido as oito da noite, no programa ReichZeit, ou Hora do Reich.Traremos mais notícias sobre o incidente assim que tivermos quaisquer novidades. Voltamos a programação normal. Heil Hitler.
Amélia só tinha visto aquele repórter uma vez na televisão, mas ela sabia que quando ele aparecia não era uma boa notícia, e o seu pai tinha sempre grandes ataques de ansiedade com notícias fortes e alarmantes. Enquanto o repórter falava, imagens da Praça da Liberdade eram mostradas, apesar de Amélia nunca ter visto a praça antes, ela sabia que não era daquele modo que deveria estar, com fogo, ruínas e ambulâncias por todo lado.
-Minha nossa, eu não posso acreditar que ocorreu novamente, deve ser a quinta ou sexta vez que está acontecendo isto. Como isto está acontecendo, como pode estar acontecendo? Meus vizinhos podem ser inimigos? Não só inimigos da nação, mas inimigos da minha liberdade e da minha família. Eu tenho que pensar em algo para me proteger e para proteger minha família. Como... quando, eu, posso fazer algo.... eu teria que, bem, eu posso tentar, não, é impossível... só se eu fizer aquilo, mas não, não posso e nem deveria.Seu pai dizia sem piscar ou respirar, a sua ansiedade estava altíssima.
A mãe de Amélia entra na casa correndo, ela deveria ter visto o mesmo noticiário da casa dos Von Müller. Ela se acalma e respira fundo e nota que seu marido está andando de um lado para outro sem parar.
-Acalme-se Luís, com certeza teremos uma repercussão alta pelo pronunciamento do Führer. Ele vai ajeitar tudo. Nós temos que acreditar na nação. Não podemos perder a cabeça, estamos aqui e juntos iremos passar por qualquer situação.A mãe de Amélia conseguira fazer o marido sentar um instante para respirar.
Amélia não conseguia entender a situação completamente, ela sabia quem era o Führer, mas não entendia como os terroristas agiam, ou porque agiam deste modo, ou quem eram. O repórter havia dito que seus vizinhos poderiam ser inimigos, mas como poderiam? Rúbia era sua amiga para todo mundo, para sempre e adiante. E Arthur era inofensivo, um pouco chato, mas inofensivo sem dúvidas, uma vez ela pisou no sapato dele sem querer e ele que pediu desculpas a Amélia. E no fundo, ela se perguntava se esses ditos “terroristas” iriam gostar do bolo de chocolate do seu avô.

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2018.04.11 14:10 doctor_awful Uma Introdução à NJPW

Com a expansão mundial da NJPW, decidi fazer um post para ajudar novos fãs, já que as coisas se podem tornar overwhelming no início. O objetivo deste texto é cobrir todas e quaisqueres bases que um novo fã quererá saber antes de mergulhar de cabeça nos shows da NJPW. É escrito com fãs casuais da WWE em mente, mas acredito que até não-fãs de wrestling não terão quaisqueres problemas em perceber nada do que vou falar.
A New Japan Pro Wrestling, que daqui em diante vou apenas referenciar como New Japan ou NJPW, é uma companhia de wrestling japonesa (duh) cuja popularidade está a aumentar muito rapidamente tanto no ocidente como no mundo inteiro. É facilmente a segunda maior empresa do mundo, atrás da WWE, e oferece um conteúdo MUITO diferente, mais sério e adulto.
A NJPW e a WWE são ambas wrestling, mas têm focos muito diferentes. Enquanto que a WWE se foca nos segmentos entre combates, "entretenimento", sendo mais como uma novela, a NJPW é muito mais parecida com um filme de ação ou de artes marciais (ou até um anime), partilhando muitos dos conceitos e maneiras de contar histórias. Na NJPW, o foco é o wrestling em si, sendo as histórias todas contadas dentro do ringue, e a organização dos shows é, devido a isso, bastante diferente também.
Em vez de programas semanais como o Raw ou o SmackDown da WWE, a NJPW tem um formato muito mais livre, tendo pequenos programas chamados "Road to X evento", que ocorrem entre grandes eventos (sendo estes os importantes) e que apenas servem para construir hype, não tendo normalmente combates antecipados entre main eventers. Mesmo nestes mais pequenos, é raro que hajam segmentos no ringue em que apenas se fale, e se isso acontece é porque é alguém a desafiar um campeão diretamente. Se quiserem, podem ver tudo - eventos importantes e estes "Road to (...)", mas se estão a começar recomendava apenas ver o que importa. Vejo há cerca de ano e meio e ainda não vi muitos, mas quase se pode dizer que não são relevantes. As rivalidades e histórias são todas contadas nos eventos em si ou nas conferências pós-evento, portanto não se preocupem em perder nada.
Têm, tal como a WWE, um serviço de streaming, que é essencialmente o mesmo que a WWE Network - 10€ mês, todos os eventos atuais e shows passados, incluindo também os tais "Road to (...)". Acho que existe um free trial de um mês se quiserem já mergulhar de cabeça, mas também existem muitos combates e promos disponíveis no canal de YouTube deles. De qualquer forma, existem imensas maneiras de ver NJPW grátis legalmente antes de qualquer tipo de pagamento.
Todos os shows têm uma equipa de comentadores tanto em inglês como em japonês, e devido à maioria da história da rivalidade ser facilmente interpretada pelo que acontece durante o combate, absolutamente nada é perdido em barreiras de linguagem. Para conferências pós-evento e cenas dos lutadores a falar, regra geral são colocadas no canal de Youtube pouco depois do evento acabar com legendas, portanto não há nada que preocupar aí também.
Os "Quatro Grandes Eventos" da NJPW são:
Também é importante mencionar o G1 Climax, que é um campeonato round-robin (divide-se 20 lutadores em dois grupos, dentro de um grupo todos lutam uns com os outros, os que tiverem mais pontos em cada grupo encontram-se na final). Dura quatro semanas no verão, ao longo de 19 eventos separados até às finais, mas é a altura mais importante do ano para a New Japan já que todos os seus lutadores de topo (e até alguns de fora) estão envolvidos.
Ganhar a G1 garante ao vencedor um combate pelo título mundial da NJPW no main event WrestleKingdom, mas ganhar o torneio em si é tão ou mais prestigioso que ganhar o título em si. Para fãs da WWE, nem sequer pode ser considerado um equivalente ao Royal Rumble, já que apenas os melhores dos melhores chegam sequer às finais deste torneio.
Claro que, no meio destes "quatro grandes" também existem eventos importantes, tal como o Strong Style Evolved, Wrestling Dontaku, New Beginnings, G1 Special in the USA, Global Wars (com a ROH), etc. Do mesmo modo, também existem mais torneios, como a New Japan Cup (eliminação direta em vez de ser campeonato), a World Tag League(equipas), Best of the Super Jrs. (G1 mas para lutadores "juniores", que explicarei o que são abaixo), que acontecem ao longo do ano. Estes eventos mais pequenos costumam ser dividos em duas noites, de modo a todos os seus combates importantes terem o foco que merecem. Como tal, o "under-card" (primeira parte de cada show) têm muita ação entre equipas e grupos, aumentando hype para os combates que irão acontecer entre rivais. Estes combates de equipas costumam revelar também as amizades e grupos de cada lutador, sendo que normalmente cada lutador costuma apenas fazer parceria com membros do seu mesmo grupo (mais sobre isto daqui a nada).
Começar uma rivalidade é normalmente feito logo após a anterior acabar, nos eventos em si ou no evento a seguir - é normalíssimo estar um campeão a celebrar no ringue e aparecer um novo candidato ao título para o desafiar. Atacar alguém após um combate também não é raro, já que é uma maneira fácil de se destacar.
Como um aparte, histórias na NJPW tendem a ser desenvolvidas mais lentamente mas com mais profundidade, apesar de na superficie serem mais simples de perceber. Para feuds maiores, canais de Youtube como o Showbuckle e o Real Neat Puro aprofundam bastante as as histórias de cada rivalidade e personagem, tal como outros aspetos da New Japan. Não é como a WWE, com eventos mensais em que os mesmos gajos lutam um contra o outro três vezes seguidas, com um monte de treta no meio para justificar continuar a rivalidade que pode nem sequer ser interessante. Para uma rivalidade na NJPW ter vários combates de destaque, esta tem de ser algo mesmo muito especial, e mesmo assim normalmente é algo desenvolvido ao longo de um ou vários anos.
O combate principal do WrestleKingdom deste ano, Kazuchika Okada vs Tetsuya Naito, por exemplo, esteve a desenvolver-se ao longo de quatro anos, com vários combates entre eles e com outros lutadores que, ao fim deste tempo todo, levaram a este clímax. Um dos canais que mencionei tem um bom resumo da rivalidade aqui, se quiserem um exemplo de como a New Japan faz as coisas após ler este post.
É importante mencionar que o foco no wrestling não significa que hajam menos personagens ou personalidades unicas! Pelo contrário, a quantidade de wrestling que temos, junto com as pequenas promos após os eventos, funcionam como um todo para dar a cada lutador a sua personalidade e niche definidos. No entanto, o positivo deste foco é que, ao contrário da WWE, a apresentação é a de um desporto sério, o que nos leva ao sistema de divisões na New Japan:
Lutadores na NJPW normalmente estabelecem relações com todos os outros rapidamente, o que os divide em facções. Há muito que se pode dizer acerca de facções - imagina grupos como NWO ou D-Generation X, regra geral com bastante mais membros do que a WWE permite para grupos deste género. Estar numa facção juntos significa que os lutadores nela partilham uma filosofia acerca de wrestling. Colegas de facção treinam juntos, lutam juntos em combates de equipa, viajam juntos e vão para os copos juntos. Existe muito respeito dentro destes grupos, com bastantes "regras implícitas", como não desafiar colegas de facção para combates por campeonatos e servir como "gatekeepers" para quem quer desafiar os que estão acima de ti na hierarquia da facção. Se alguém quer lutar pelo título mundial, sendo o campeão o Kazuchika Okada, lidar da CHAOS, eles muito frequentemente terão de derrotar o Tomohiro Ishii e o Hirooki Goto primeiro.
Os grupos principais atualmente na NJPW são:
Membros/Ex-Membros notáveis: Finn Bálor (fka Prince Devitt), A.J. Styles, Kenny Omega, Cody Rhodes, the Young Bucks, Karl Anderson, Luke Gallows, Bad Luck Fale, Tama Tonga, Adam Cole (agora no NXT)
Membros/Ex-membros notáveis: Shinsuke Nakamura, Kazuchika Okada (campeão mundial atual), Hirooki Goto (campeão de pesos livres atual), Will Ospreay (campeão de Juniores atual), Jay White (campeão dos EUA atual), Tomohiro Ishii, Toru Yano (comediante que faz batota).
Todos os membros ativos full-time atuais: Tetsuya Naito, Sanada, Evil, Hiromu Takahashi, Bushi
Membros/Ex-Membros notáveis: Minoru Suzuki, Zack Sabre Jr., Killer Elite Squad, Taichi, Taka Michinoku, Shelton Benjamin
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Peço desculpa se exagerei no tamanho mas queria mesmo ter as bases todas cobertas quando introduzindo alguém ao que é dos meus produtos favoritos em qualquer tipo de meio atualmente.
Tudo o resto, tal como links uteis e onde ver, já deve estar coberto por links aqui ou no /SquaredCircle. Se tiverem alguma pergunta, sintam-se à vontade de a fazer, e qualquer outro tipo de comentários também é agradecido! Obrigado por lerem e espero que vos tenha convencido a darem uma olhadela à New Japan!
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2017.06.10 15:44 feedreddit O pior da agenda tóxica de Donald Trump só será desencadeado com uma grande crise nos EUA

O pior da agenda tóxica de Donald Trump só será desencadeado com uma grande crise nos EUA
by Naomi Klein via The Intercept
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Durante a campanha presidencial, algumas pessoas achavam que os pontos mais abertamente racistas da plataforma de Donald Trump eram apenas uma estratégia para causar irritação, não um plano de ação concreto. Porém, na primeira semana de seu mandato, quando ele vetou a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, a ilusão logo foi desfeita. Felizmente, a reação foi imediata: marchas e protestos em aeroportos, greves de taxistas, manifestações de advogados e políticos locais. Por fim, o veto foi considerado ilegal pela Justiça americana.
Esse episódio mostrou a força da resistência e a coragem da Justiça; havia muito o que comemorar. Alguns chegaram a dizer que essa primeira derrota havia disciplinado Trump, que a partir de então seguiria uma rota mais convencional e racional.
Outra perigosa ilusão.
É verdade que muitos dos itens mais radicais da agenda do governo ainda não foram realizados. Mas não se enganem; ele não abandonou seus projetos. Eles estão bem guardados, à espreita, e uma grande crise pode trazê-los à tona.
Grandes choques costumam ser aproveitados para nos empurrar goela abaixo medidas impopulares e antidemocráticas a favor dos grandes empresários que jamais seriam aprovadas em tempos de estabilidade. É a “Doutrina do Choque”, nome que utilizei para descrever esse fenômeno. Ela foi utilizada repetidamente nas últimas décadas, seja por ditadores como Augusto Pinochet ou por presidentes americanos, como no caso do furacão Katrina.
Vimos a Doutrina do Choque em ação recentemente, antes da eleição de Trump, em cidades americanas como Detroit e Flint, onde a falência financeira do município foi usada como pretexto para dissolver a democracia local e nomear “gestores emergenciais”, que declararam guerra aos serviços e educação públicos. O mesmo está acontecendo em Porto Rico, onde a crise da dívida foi a desculpa utilizada para a criação do Conselho de Gestão e Supervisão Financeira, uma entidade que, sem precisar prestar contas a ninguém, tem o poder de implementar medidas de austeridade como cortes previdenciários e fechamento de escolas. A mesma tática está sendo usada no Brasil, onde, após o bastante questionável impeachment da presidente Dilma Rousseff, instalou-se um regime ilegítimo e ferventemente pró-empresariado. Entre as medidas adotadas estão o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e o leilão de aeroportos, usinas de energia e outros ativos públicos, em um verdadeiro frenesi privatizante.
Como escreveu Milton Friedman, muitos anos atrás, “apenas uma crise – real ou presumida – produz mudanças. Quando uma crise ocorre, as medidas adotadas dependem das ideias presentes na paisagem política. Esta é a nossa função primordial: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantendo-as ao alcance da mão até que o politicamente impossível se torne politicamente inevitável”. Certos alarmistas estocam comida enlatada e água para o caso de um grande desastre natural; outros estocam ideias espetacularmente antidemocráticas.
Agora, como muitos já perceberam, a história está se repetindo com Donald Trump. Durante a campanha, ele não disse a seus admiradores que iria cortar verbas de programas de fornecimento de alimentos a pessoas necessitadas. Ele também nunca admitiu que iria tentar tirar o plano de saúde de milhões de americanos ou adotar cada uma das medidas sugeridas pelo grupo Goldman Sachs. Não, ele disse o contrário de tudo isso.
Desde que assumiu a presidência, Donald Trump não fez o menor esforço para dissipar a atmosfera de caos e crise. Algumas turbulências, como o dossiê russo, surgiram contra a sua vontade ou por pura incompetência, mas muitas delas parecem ter sido deliberadamente fabricadas. Em todo caso, enquanto estamos distraídos pelo espetáculo Trump, ávidos por notícias sobre suas supostas crises conjugais ou globos luminosos, seu projeto de concentração de renda segue em frente, metódico e silencioso.
A velocidade das mudanças também contribui para isso. Com o tsunami de decretos presidenciais assinados nos 100 primeiros dias do governo de Trump, logo ficou claro que seus assessores estavam seguindo o conselho dado por Maquiavel em O Príncipe: “As injúrias devem ser feitas todas de uma vez, de forma que, sendo menos saboreadas, causem menos ofensa”. A lógica é simples: é mais fácil resistir a mudanças graduais e contínuas; se as transformações acontecem de uma só vez, a população não consegue se organizar para lidar com todas ao mesmo tempo, acabando por engolir o sapo.
Mas tudo isso não passa de uma versão light da Doutrina do Choque; é o máximo que Trump pode fazer com as pequenas crises que ele mesmo cria. Embora seja necessário denunciar e resistir ao que está sendo feito agora, também deveríamos nos preocupar com o que Trump fará quando puder se aproveitar de uma verdadeira crise. Talvez seja um _crash_econômico, como a crise das hipotecas _subprime_de 2008; ou uma catástrofe natural, como a Supertempestade Sandy; ou então um terrível ataque terrorista, como o atentado a bomba de Manchester. Qualquer uma dessas crises poderia alterar radicalmente a conjuntura política, transformando subitamente o que hoje parece improvável em algo inevitável.
Vamos analisar alguns cenários de choques possíveis, e como eles poderiam ser utilizados para tornar realidade a nociva agenda de Donald Trump.
Policiais se juntam ao público em St Ann’s Square, em Manchester, para observar as flores e mensagens em homenagem às vítimas do atentado de 22 de maio na Manchester Arena. (31 de maio de 2017)
Foto: Oli Scarff/AFP/Getty Images

Choque terrorista

Os recentes atentados em Londres, Manchester e Paris nos dão um indício de como o governo Trump tentaria explorar um grande ataque terrorista contra os EUA em seu próprio território ou no exterior. Depois do terrível atentado a bomba de Manchester, no mês passado, o governo conservador inglês lançou uma campanha feroz contra o Partido Trabalhista e Jeremy Corbyn, por este ter sugerido que o fracasso da “Guerra ao Terror” estaria alimentando o terrorismo. As declarações de Corbyn foram qualificadas de “monstruosas” – uma atitude muito parecida com a retórica “ou vocês estão conosco, ou com os terroristas” usada por George W. Bush após o ataque de 11 de Setembro de 2001. Para Donald Trump, o atentado foi consequência das “milhares e milhares de pessoas que estão entrando em vários países”, embora o terrorista – Salman Abedi – tenha nascido no Reino Unido.
Da mesma forma, logo após o atentado de Westminster, em março 2017, quando um motorista jogou um carro contra uma multidão de pedestres, matando quatro e deixando dezenas de feridos, o governo conservador logo declarou que a privacidade das comunicações digitais era uma ameaça à segurança nacional. A ministra do Interior, Amber Rudd, disse em um programa da BBC que a criptografia de programas como o Whatsapp era “totalmente inaceitável”. Ela afirmou estar negociando a “colaboração” das grandes empresas de tecnologia, para que elas forneçam ao governo um acesso especial a essas plataformas. Depois do atentado da London Bridge, ela voltou a atacar a privacidade na internet de forma ainda mais veemente.
De maneira ainda mais preocupante, depois dos atentados de Paris, em 2015 – que deixaram 130 mortos –, o governo de François Hollande declarou o estado de emergência na França, proibindo manifestações políticas. Estive na França uma semana depois daqueles horríveis acontecimentos e não pude deixar de estranhar o fato de que, embora os ataques tenham sido perpetrados contra os símbolos da vida parisiense cotidiana – um show, um estádio de futebol, restaurantes etc. –, apenas a atividade política nas ruas havia sido proibida. Grandes shows, mercados natalinos e eventos esportivos – alvos perfeitos para futuros atentados – continuaram funcionando normalmente. Nos meses seguintes, o estado de emergência foi repetidamente prolongado. Ele ainda está em vigor e deve durar pelo menos até julho de 2017. Na França, o estado de exceção virou a regra.
Isso foi feito por um governo de centro-esquerda em um país com uma longa tradição de greves e manifestações. Só uma pessoa ingênua acreditaria que Donald Trump e Mike Pence não aproveitariam um ataque terrorista nos EUA para ir ainda mais longe. A reação seria imediata, declarando manifestantes e grevistas que bloqueassem rodovias e aeroportos – os mesmos que reagiram ao veto à entrada de muçulmanos – uma ameaça à “segurança nacional”. Os líderes dos protestos seriam alvo de rigorosa vigilância e jogados na prisão.
Temos que nos preparar para o uso de crises de segurança como pretexto para intensificar a criminalização de grupos e comunidades que já estão na mira do governo: imigrantes latinos, muçulmanos, líderes do movimento Black Lives Matter, ativistas ambientais e jornalistas investigativos. Essa é uma possibilidade concreta. Em nome da luta contra o terrorismo, o secretário de Justiça, Jeff Sessions, poderia finalmente acabar com a supervisão federal das policias estaduais e municipais, favorecendo a impunidade nos casos de abuso policial contra negros e outras minorias.
E não há nenhuma dúvida de que o presidente se aproveitaria de um atentado terrorista para atacar o Judiciário. Ele deixou isso bem claro ao escrever em sua conta no Twitter, após a suspensão judicial do veto migratório: “Como um juiz pode colocar nosso país em risco? Se algo acontecer, a culpa será dele e do sistema judicial”. Na noite do atentado da London Bridge, no dia 3 de junho, ele foi ainda mais longe: “O Judiciário tem que nos devolver os nossos direitos. Precisamos do veto de entrada como uma segurança extra!” No contexto de histeria coletiva e revolta que se instalaria depois de um ataque terrorista em solo americano, talvez os juízes não tenham a mesma coragem para barrar uma nova proibição à entrada de muçulmanos nos EUA.
Nesta foto tirada em 7 de abril de 2017 pela marinha americana, no Mar Mediterrâneo, o contratorpedeiro USS Porter (DDG 78) lança um míssil Tomahawk contra uma base aérea síria. O bombardeio foi uma retaliação a um terrível ataque com armas químicas realizado naquela mesma semana.
Foto: Mass Communication Specialist 3rd Class Ford Williams/U.S. Navy via AP

Choque bélico

A reação mais exagerada e letal de um governo a um ataque terrorista é se aproveitar do clima de medo para declarar guerra a outro(s) país(es). Não importa se o alvo não tem nenhuma relação com o atentado terrorista em questão; o Iraque não tinha nada a ver com o 11 de Setembro, mas foi invadido mesmo assim.
Os alvos mais prováveis de Trump estão no Oriente Médio, incluindo países como Síria, Iêmen, Iraque e, principalmente, Irã. Outro inimigo em potencial é a Coreia do Norte, sobre a qual o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que “estamos abertos a todas as opções”, se recusando a descartar a possibilidade de um ataque preventivo.
Os colaboradores mais íntimos de Trump – principalmente aqueles oriundos do setor de defesa – têm diversas razões para apoiar mais ações militares. O lançamento de mísseis contra a Síria em abril de 2017 – realizado sem a aprovação do Congresso e, portanto, ilegal, segundo alguns especialistas – rendeu-lhe a cobertura midiática mais positiva de seu mandato até então. Os assessores mais próximos do presidente aproveitaram para declarar que o ataque era uma prova de que não havia nada de indecoroso nas relações entre a Casa Branca e a Rússia.
Mas há uma outra razão, menos evidente, para usar uma crise de segurança como desculpa para entrar em guerra: essa é a maneira mais rápida e eficaz de forçar um aumento no preço do petróleo, principalmente se o conflito prejudicar o fornecimento global da commodity. Isso traria grandes vantagens para gigantes como a Exxon Mobil, cujos lucros diminuíram drasticamente com a queda do preço desse produto. Feliz coincidência para a Exxon: Rex Tillerson, antigo diretor-executivo da empresa, é o atual secretário de Estado dos EUA. Tillerson trabalhou na Exxon durante praticamente toda a sua carreira – 41 anos; ao se aposentar, ele fechou um acordo com a empresa para receber espantosos US$ 180 milhões.
Além de empresas como a Exxon, talvez o único beneficiado com um aumento do preço do petróleo advindo da instabilidade global seria a Rússia de Vladimir Putin, um país que depende da venda dessa matéria-prima e que tem atravessado uma crise econômica desde a queda dos preços no mercado internacional. A Rússia é o maior exportador mundial de gás natural e o segundo maior de petróleo – depois da Arábia Saudita. Uma alta de preços seria uma boa notícia para Putin; antes de 2014, metade das receitas do Estado russo era proveniente do setor de óleo e gás.
Porém, quando os preços desabaram, a Rússia perdeu centenas de bilhões de dólares, uma catástrofe econômica com sérias consequências para o povo russo. Segundo o Banco Mundial, em 2015, os salários reais caíram quase 10% no país; o rublo perdeu quase 40% de seu valor e o número de pobres subiu de 3 para 19 milhões. Putin tenta manter sua imagem de homem forte, mas a crise econômica o deixa vulnerável.
Também já se falou muito sobre o vultoso acordo entre a Exxon Mobil e petroleira estatal russa Rosneft para a extração de petróleo no Ártico. Putin chegou a se gabar do montante envolvido – meio trilhão de dólares. É verdade que a negociação saiu dos trilhos com as sanções americanas à Rússia; porém, apesar da postura conflitante dos dois países em relação à Síria, é possível que Trump decida suspender as sanções e abrir caminho para a concretização do negócio, o que ajudaria a Exxon a superar seu momento difícil.
No entanto, mesmo se as sanções forem retiradas, ainda haveria outra pedra no caminho do projeto: o baixo preço do petróleo. Tillerson fechou o acordo com a Rosneft em 2011, quando o preço do barril chegou a altíssimos US$ 110. Em um primeiro momento, o consórcio faria a prospecção de petróleo nas águas ao norte da Sibéria, onde a extração seria difícil e cara. Para ser viável economicamente, o petróleo do Ártico teria que vendido a cerca de US$ 100 o barril – ou até mais caro. Portanto, mesmo se as sanções forem suspensas pelo governo Trump, o projeto da Exxon e da Rosneft só valerá a pena se o preço do petróleo estiver suficientemente alto. Consequentemente, qualquer instabilidade que empurre a cotação do petróleo para cima seria do interesse de muita gente.
Se o barril de petróleo ultrapassar a marca dos US$ 80, a corrida desenfreada para encontrar, extrair e queimar combustíveis fósseis vai recomeçar, mesmo se for preciso perfurar nossas calotas polares em derretimento ou extrair petróleo altamente poluente das areias betuminosas. Se isso acontecer, podemos acabar perdendo a nossa última chance de evitar uma catástrofe climática.
Portanto, evitar um conflito internacional e deter as mudanças climáticas são duas batalhas de uma mesma guerra..
Uma tela mostra dados financeiros no dia 22 de janeiro de 2008.
Foto: Cate Gillon/Getty Images

Choque econômico

Uma das marcas do projeto econômico de Trump tem sido o frenesi de desregulamentação financeira, o que aumenta em grande medida o risco de novos choques e desastres econômicos. O presidente americano anunciou que pretende revogar a Lei Dodd-Frank, peça fundamental da reforma financeira implementada pelo governo Obama após o colapso bancário de 2008. Embora não seja rigorosa o suficiente, a lei impede que a especulação desenfreada de Wall Street crie novas bolhas, que, quando explodem, causam novos choques econômicos.
Trump e sua equipe sabem disso, mas os lucros obtidos com as bolhas são sedutores demais para que eles se importem. Além do mais, os bancos nunca foram realmente à falência, e continuam sendo “grandes demais para quebrar”. Trump sabe que, no caso de outra grande crise, teremos outro resgate das instituições financeiras, exatamente como em 2008. O presidente chegou mesmo a decretar a revisão de um mecanismo da Lei Dodd-Frank criado para evitar que o contribuinte pague a conta de um novo resgate aos bancos. Visto a quantidade de ex-executivos do Goldman Sachs no governo Trump, isso é um péssimo sinal.
Alguns membros do governo também veem a crise econômica como uma oportunidade para atacar certos programas sociais. Durante a campanha, Trump seduziu o eleitorado com a promessa de não mexer na Seguridade Social nem no Medicare, o plano de saúde público dos EUA. Mas isso pode ser impraticável devido à grande redução de impostos que vem por aí, embora o governo aplique uma matemática fictícia para argumentar que o crescimento econômico gerado compensaria as perdas. O orçamento que foi proposto já é um primeiro ataque à Seguridade Social, e uma crise econômica poderia dar a Trump um conveniente pretexto para descumprir suas promessas. Em uma conjuntura pintada como apocalipse econômico, Betsy DeVos poderia até realizar seu sonho de substituir as escolas públicas por um sistema de escolas charter e vouchers.
A camarilha de Trump tem uma longa lista de políticas que jamais seriam aprovadas em tempos de normalidade. No início do mandato, por exemplo, Mike Pence se reuniu com o governador do Wisconsin, Scott Walker, que lhe contou como havia conseguido retirar o direito à negociação coletiva dos sindicatos do setor público no estado, em 2011. E qual foi o argumento utilizado para a aprovação da medida? A crise fiscal do governo estadual, o que levou o colunista Paul Krugman, do New York Times, a declarar que “a Doutrina do Choque está sendo aplicada de forma escancarada” no Wisconsin.
Juntando as peças do quebra-cabeça, o cenário fica claro: a barbárie econômica do governo provavelmente não será realizada no primeiro ano de mandato. Ela vai se revelar mais tarde, quando, inevitavelmente, as crises orçamentária e financeira chegarem. Só então, em nome da salvação fiscal do governo – e quem sabe da economia inteira –, a Casa Branca começará a realizar os desejos mais polêmicos das grandes corporações.
Gado pastando perto de um incêndio florestal nas cercanias de Protection, Kansas. (7 de março de 2017)
Foto: Bo RadeWichita Eagle/TNS/Getty Images

Choque ambiental

Da mesma forma que as políticas de segurança nacional e econômica do governo certamente causarão e aprofundarão crises, o foco de Trump em aumentar a produção de combustíveis fósseis, desmontar a legislação ambiental dos EUA e sabotar o Acordo de Paris abre caminho para novos acidentes industriais e futuras catástrofes climáticas. O dióxido de carbono lançado na atmosfera leva cerca de 10 anos para ter um efeito sobre o aquecimento global; portanto, as piores consequências das políticas de Trump só devem ser sentidas quando ele não estiver mais no poder.
Mesmo assim, o aquecimento global já está em um nível tão alarmante que nenhum presidente pode chegar ao fim do mandato sem enfrentar grandes desastres naturais. Donald Trump mal havia completado dois meses na função quando teve que lidar com grandes incêndios florestais no centro-oeste dos EUA. A mortandade de gado foi tão grande que um pecuarista descreveu a situação como “o nosso Furacão Katrina”.
Trump não demonstrou preocupação com os incêndios; não escreveu um tuíte sequer. Porém, quando uma supertempestade atingir o litoral do país, teremos uma reação muito diferente desse presidente que conhece o valor dos imóveis à beira-mar, despreza os pobres e investe apenas em construções para os mais abastados. A grande preocupação é com a repetição do ataque às escolas públicas e à habitação social e do vale-tudo imobiliário que se seguiram ao desastre – o que não é nada improvável, visto o papel central do vice-presidente Mike Pence na elaboração das políticas pós-Katrina.
Mas os grandes beneficiados da era Trump nessa área serão, sem dúvida, as empresas de resgate particular, direcionadas à clientela mais rica. Quando eu estava escrevendo “A Doutrina do Choque”, o setor ainda estava engatinhando, e muitas empresas não sobreviveram. Uma delas era a Help Jet, sediada na cidade queridinha de Trump, West Palm Beach. Enquanto esteve em atividade, a Help Jet ofereceu serviços de resgate VIP para quem pagasse uma taxa de associação.
Quando um furacão se aproximava, a Help Jet mandava limusines para buscar seus clientes, fazia reservas em hotéis cinco-estrelas e spas em algum lugar seguro e despachava-os em jatos particulares. “Sem fila nem multidão; apenas uma experiência de primeira classe que transforma um problema em um feriado”, dizia um dos anúncios da empresa. “Aproveite a sensação de evitar o pesadelo dos planos de evacuação em caso de furacão”, sugeria outra propaganda. Em retrospectiva, parece que a Help Jet, longe de ter superestimado o potencial desse nicho, estava apenas à frente de seu tempo. Atualmente, no Vale do Silício e em Wall Street, os mais abastados e temerosos se preparam para o caos climático e social comprando vagas em abrigos subterrâneos personalizados no Kansas – protegidos por mercenários fortemente armados – e construindo refúgios nas alturas da Nova Zelândia. E, lá, só se chega de jatinho particular, é claro.
O que é realmente preocupante nesse fenômeno da “sobrevivência de luxo” – além da esquisitice da coisa toda – é que, enquanto os ricos criam seus suntuosos refúgios particulares, há cada vez menos investimentos em infraestruturas de prevenção e resposta a desastres que possam ajudar a todos independentemente da renda. E foi exatamente isso que causou tanto sofrimento desnecessário em Nova Orleans depois da passagem do Katrina.
Os EUA estão caminhando cada vez mais rápido em direção a um sistema privado de resposta a desastres. Em estados como Califórnia e Colorado, mais suscetíveis a incêndios, empresas seguradoras oferecem um serviço especial: em caso de incêndio florestal, uma equipe de bombeiros particulares é despachada para aplicar um tratamento antichamas nas mansões dos clientes, deixando as outras à mercê do fogo.
A Califórnia nos oferece uma amostra do que ainda vem por aí. O estado emprega no combate a incêndios mais de 4.500 presidiários, que recebem 1 dólar por hora para arriscar a vida na linha de frente e cerca de 2 dólares por dia no acampamento. Segundo estimativas, a Califórnia economiza bilhões de dólares por ano graças a esse programa – um produto emblemático da mistura entre austeridade, encarceramento em massa e mudança climática..
Migrantes e refugiados se aglomeram perto do local de travessia na fronteira nas proximidades do povoado grego de Idomeni, no dia 5 de março de 2016, onde milhares de pessoas esperam para entrar na Macedônia.
Foto: Dimitar Dilkoff/AFP/Getty Images

Um mundo de zonas verdes e zonas vermelhas

Com o desenvolvimento de soluções privadas para catástrofes naturais, os setores mais abastados da sociedade têm menos motivos para pressionar o governo por mudanças na política ambiental e evitar um futuro ainda mais catastrófico para a vida na Terra. Isso pode explicar por que Trump está tão determinado a acelerar a crise climática.
Por enquanto, a discussão sobre os recuos da política ambiental de Trump gira em torno de um suposto racha no governo entre os céticos – aqueles que negam as mudanças climáticas, como o próprio Trump e o chefe da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt – e aqueles que reconhecem o fator humano do aquecimento global, como Rex Tillerson e Ivanka Trump. Mas isso é irrelevante. O que todos os assessores de Trump têm em comum é a crença de que eles, seus filhos e seus pares estarão em segurança; que sua riqueza e contatos irão protegê-los do pior. Eles perderão alguns imóveis com vista para o mar, é verdade, mas isso não é nada que não possa ser substituído por uma bela mansão nas montanhas.
Essa despreocupação é uma tendência extremamente inquietante. Em uma era de desigualdade crescente, uma boa parte das nossas elites está se isolando física e psicologicamente do destino coletivo da humanidade. Esse isolacionismo, ainda que apenas mental, permite que os ricos não só ignorem a necessidade de proteger o meio ambiente, mas também se aproveitem dos desastres e do clima de instabilidade para lucrar ainda mais. Estamos indo em direção a um mundo dividido entre “zonas verdes” fortificadas para os ricos e “zonas vermelhas” para o resto. E “zonas negras” – prisões secretas – para quem não estiver satisfeito. Europa, Austrália e América do Norte estão fortificando (e privatizando) cada vez mais as fronteiras para se isolar daqueles que fogem de seus países para sobreviver. Muitas vezes, os próprios países que agora estão se fechando são em grande parte responsáveis pelas ondas de imigração, seja por meio de acordos comerciais predatórios, guerras ou desastres ambientais intensificados pelas mudanças climáticas.
De fato, se mapearmos as áreas que mais sofrem com conflitos armados atualmente – dos sangrentos campos de batalha no Afeganistão e Paquistão à Líbia, Iêmen, Somália e Iraque –, um fato nos salta aos olhos: esses são alguns dos lugares mais quentes e secos do planeta; são regiões à beira da fome e da seca, dois catalisadores de conflitos, que, por sua vez, ajudam a produzir migrantes.
E a mesma tendência a diminuir a humanidade do “outro” – tornando-nos insensíveis às vítimas civis de bombardeios em países como Iêmen e Somália – agora está sendo aplicada aos refugiados, cuja busca por segurança é vista como a invasão de um exército ameaçador. É nesse contexto que, de 2014 para cá, 13 mil pessoas que tentavam chegar à Europa morreram afogadas no Mediterrâneo, muitas delas crianças e bebês; é nesse contexto que a Austrália está tentando normalizar o encarceramento de refugiados em centros de detenção nas ilhas de Nauru e Manus, em condições classificadas por diversas organizações humanitárias como análogas à tortura. É nesse mesmo contexto que o gigantesco acampamento de refugiados de Calais, recém-desmantelado, foi apelidado de “selva” – da mesma forma que as vítimas abandonadas do Katrina foram chamadas pela mídia de direita de “animais”.
O dramático crescimento nas últimas décadas do nacionalismo de direita, do racismo, da islamofobia e do supremacismo branco em geral está intimamente ligado às novas tendências geopolíticas e ecológicas. A única maneira de justificar essas formas bárbaras de exclusão é apostando em teorias de hierarquização racial, que determinam quem merece ou não ser excluído das “zonas verdes”. É isso que está em jogo quando Trump chama os mexicanos de estupradores e “_hombres_maus”; quando os refugiados sírios são tachados de terroristas em potencial; quando a política conservadora canadense Kellie Leitch defende um teste de “valores canadenses” para imigrantes; ou quando sucessivos primeiros-ministros australianos classificam os sinistros campos de detenção como uma alternativa “humanitária” à morte no mar.
Esse é o resultado típico da instabilidade global em nações que nunca repararam os crimes do seu passado; em países que insistem em ver a escravidão e o roubo das terras indígenas como meros solavancos em uma história gloriosa. Afinal de contas, a separação entre zonas verdes e vermelhas já existia na sociedade escravocrata: os bailes na casa dos senhores aconteciam a poucos metros da tortura nos campos. E tudo isso nas terras violentamente arrancadas dos índios – terra sobre a qual a riqueza norte-americana foi construída. Agora, as mesmas teorias de hierarquia racial que justificaram tanta violência em nome do progresso estão ressurgindo à medida que a riqueza e o conforto que elas proporcionaram começa a se desgastar.
Trump é apenas uma manifestação precoce desse desgaste. Mas ele não é o único. E não será o último.
Moradores da favela da Mangueira assistem de longe aos fogos de artifício da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. (5 de agosto de 2016)
Foto: Mario Tama/Getty Images

Uma crise de imaginação

Cidades fortificadas exclusivas para os ricos, isolados do resto do mundo em luta pela sobrevivência. É sintomático que esse seja um tema recorrente de diversos filmes de ficção científica atualmente, como Jogos Vorazes, em que o decadente Capitólio enfrenta as colônias desesperadas; e Elysium, em que uma elite vive em uma estação espacial acima de uma enorme e violenta favela. Esta é uma visão entranhada na mitologia das grandes religiões ocidentais, com suas épicas narrativas sobre dilúvios purificadores e um pequeno grupo de eleitos; histórias de infiéis ardendo em chamas enquanto os justos se refugiam em uma cidade fortificada nos céus. A dicotomia entre vencedores e condenados está tão presente no nosso imaginário coletivo que é um verdadeiro desafio pensar em outros finais para a narrativa da humanidade; um final em que a raça humana se una em um momento de crise em vez de se separar; um final em as fronteiras sejam derrubadas em vez de multiplicadas.
Afinal de contas, o objetivo de toda essa tradição narrativa nunca foi simplesmente descrever o que inevitavelmente acontecerá com a humanidade. Não, essas histórias são um aviso, uma tentativa de abrir os nossos olhos para que possamos evitar o pior.
“Nós temos a capacidade de dar ao mundo um novo começo”, disse Thomas Paine muitos anos atrás, resumindo em poucas palavras o desejo de fugir de um passado que está no cerne tanto do colonialismo quanto do “sonho americano”. Porém, a verdade é que nós _não temos_esse poder divino de reinvenção; nunca o tivemos. Temos que conviver com nossos erros e problemas, bem como respeitar os limites do nosso planeta.
Mas o que nós temos é a capacidade de mudar, de reparar velhas injustiças e a nossa relação com o próximo e com o planeta em que vivemos. Essa é a base da resistência à Doutrina do Choque.
Adaptado do novo livro da Naomi Klein, _No Is Not Enough: Resisting Trump’s Shock Politics and Winning the World We Need. _O livro será publicado em novembro de 2017 pela Bertrand Brasil. Foto do topo: Bombeiros do Kansas e de Oklahoma lutam contra um incêndio perto de Protection, no Kansas. (6 de março de 2017)
Tradução: Bernardo Tonasse
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